ANA PAULA MARTINS ALERTA PARA NOVAS CRISES SANITÁRIAS GLOBAIS
2026-05-15 21:09:23

A ministra da Saúde afirmou hoje que as “ameaças e crises sanitárias transfronteiriças são uma realidade” e defendeu o reforço da cooperação internacional para responder a surtos e emergências de saúde pública, sublinhando que a resposta rápida ao recente surto de hantavírus num navio de cruzeiro resultou das aprendizagens deixadas pela pandemia de covid-19. Em declarações à Lusa, no final da XVII Conferência Ibero-Americana de Ministras e Ministros da Saúde, realizada em Madrid, Ana Paula Martins considerou que “nada mais ficou igual depois da pandemia” e destacou a importância da coordenação internacional perante ameaças sanitárias globais. A governante explicou que, assim que foi identificado o surto de hantavírus no navio “Hondius”, foram imediatamente acionados os alertas das agências de saúde europeias e internacionais, tendo sido desencadeados mecanismos de identificação e isolamento de casos, proteção de contactos e rastreio global. “Isto é um ensinamento da pandemia. Já sabíamos, mas não esquecemos que a saúde é global”, afirmou. Segundo Ana Paula Martins, “esta resposta tão rápida hoje só é possível porque vivemos uma pandemia, aprendemos muito com pandemia”, acrescentando que cada novo surto permite adquirir mais experiência para enfrentar futuras crises sanitárias. “Porque sabemos que vão continuar a acontecer este tipo de situações”, salientou. A prevenção, preparação e resposta a emergências sanitárias esteve entre os principais temas debatidos na reunião interministerial, que serviu de preparação para a cimeira ibero-americana de chefes de Estado e de Governo, marcada para novembro, em Madrid. A ministra portuguesa destacou ainda a importância de aprofundar a coordenação entre os países ibero-americanos e defendeu que Portugal e Espanha podem funcionar como ponte com os mecanismos de resposta a crises e emergências sanitárias desenvolvidos pela União Europeia. Além das emergências sanitárias, os ministros e ministras da Saúde defenderam que a próxima cimeira ibero-americana deverá incluir na agenda o reforço das políticas de promoção da saúde mental, com aposta na prevenção, diagnóstico e tratamento, bem como medidas para responder à falta de profissionais de saúde através do reforço da formação. Os responsáveis políticos discutiram também a necessidade de melhorar a produção e o acesso a medicamentos nos vários países da comunidade ibero-americana. Antes da conferência ministerial realizou-se um encontro dedicado às doenças raras, presidido pela rainha de Espanha, Letizia Ortiz. O secretário-geral da comunidade ibero-americana, Andrés Allamand, afirmou que as doenças raras ou desatendidas afetam 45 milhões de pessoas na comunidade ibero-americana e destacou as dificuldades de diagnóstico e tratamento destes doentes. Ana Paula Martins explicou que os países participantes consideraram esta matéria prioritária e defenderam uma maior cooperação internacional, nomeadamente através da criação de centros de referência e de mecanismos conjuntos de acesso a medicamentos de elevado custo. Do encontro resultou a “Declaração de Madrid”, subscrita pelos ministros e ministras da Saúde dos 22 Estados-membros da comunidade ibero-americana, coordenada pela Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), que integra 19 países da América Latina, além de Portugal, Espanha e Andorra. lusa/HN A ministra da Saúde afirmou hoje que as “ameaças e crises sanitárias transfronteiriças são uma realidade” e defendeu o reforço da cooperação internacional para responder a surtos e emergências de saúde pública, sublinhando que a resposta rápida ao recente surto de hantavírus num navio de cruzeiro resultou das aprendizagens deixadas pela pandemia de covid-19. [Additional Text]: ana paula martins