PORTUGAL GASTA 10,2% DO PIB EM SAÚDE, MAS É INCAPAZ DE TRANSFORMAR DESPESA EM MELHORES CUIDADOS - A ESPERA QUE MATA
2026-05-15 21:09:22

Asaúde é a principal preocupação dos portugueses. Não é de hoje. Sondagem após sondagem, surge no topo das respostas. Apesar disso, o diagnóstico repete-se e a terapêutica não muda. O problema do Serviço Nacional da Saúde (SNS) não é de falta de dinheiro. E de modelo. Enquanto muitos não têm coragem para o dizer em voz alta e para agir em conformidade, a espera continua. E a espera, em saúde, mata. Os números atuais são a prova mais recente de uma verdade incómoda. A lista de espera para cirurgia cardíaca disparou 40% no final de 2025. Quase 60% desses doentes esperavam já fora do tempo clinicamente recomendado. A oncológica cresceu 9%. Mais de um milhão de utentes aguardam primeira consulta. Não são estatísticas abstratas. Entre 2021 e 2025, quase 330 doentes morreram à espera de cirurgia cardíaca. 330. Uma lista de óbitos que nenhum ministério conseguiu evitar. O SNS fez menos em 2025 do que no ano anterior. Menos cirurgias, menos internamentos, menos primeiras consultas. Num contexto em que os hospitais receberam cerca de EUR13 mil milhões do sempre crescente orçamento do SNS. Mais 5,3% de financiamento, A tese do investimento como solução já foi testada até ao limite. Sobretudo durante OS Governos de António Costa. O “Health at a Glance 2025” confirma: Portugal gasta 0,2% do PIB em Saúde mas continua incapaz de transformar mais despesa em melhores cuidados. O problema não é financeiro. E estrutural. E de modelo. E de método. O modelo atual assenta numa premissa ultrapassada: O SNS como único e quase exclusivo prestador. O privado e osocial: ativam-se apenas quando o público falhar. A complementaridade soa bem em discursos, mas tem um problema grave: significa que o utente deve esperar falta de resposta do Estado para, só então, ter acesso a quem pode. Muitas vezes esse cuidado chega tarde. Como concluiu o “Barómetro da Saúde 2025”: quando o SNS entra em colapso, o sector privado não consegue absorver a procura sem degradar a sua própria resposta. A complementaridade não é solução. E gestão do colapso. Entretanto, o número de portugueses com seguro de saúde cresce de forma contínua. Uma fuga silenciosa que conta duas histórias: a falência do SNS como resposta uni-versal e uma injustiça gritante. Estes portugueses pagam a dobrar, via impostos e via seguro. Mas a maior injustiça é outra: eles têm alternativa, enquanto os mais vulneráveis ficam entregues a um sistema em colapso. Isto não é um sistema. E uma desigualdade com orçamento recorde. A solução é transformar o SNS de serviço em sistema, mobilizando desde o primeiro momento toda a capacidade instalada, pública, privada ou social. Não em hierarquia. Em rede. Não depois de o Estado falhar. Logo em primeira linha. Foi exatamente isso que a Iniciativa Liberal propôs em 2022 com o SUA Saúde, uma nova Lei de Bases da Saúde. Três anos passaram. A urgência não diminuiu. A lista de espera cresceu. E nenhum outro partido acompanhou. Nem a esquerda, que recusa os privados como parte da solução, nem a direita, que continua a repetir o mesmo catecismo: SNS no centro, complementaridade para os outros. Palavras que soam a reforma mas que não mudam nada. O consenso ilusório de nada mudar tem custos. Em saúde, esses custos medem-se em vidas. Reformar é urgente. Continuar à espera é uma opção política. Inaceitável. Por ser uma escolha com consequências mortais. Deputado da IL A solução é transformar O SNS de serviço em sistema, mobilizando desde o primeiro momento toda a capacidade instalada, pública, privada ou social. Não em hierarquia. Em rede Rodrigo Saraiva