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PLANETÁRIO - É POR AÍ QUE A LUZ ENTRA

Expresso

2026-05-15 21:09:22

fisga NO CAMINHO DAS ESTRELAS HambUrgo , KAVALA , NOVA IORQUE Talvez a morte nos apanhe sempre com as calças na mão. E que por mais que fosse expectável, não parecia que fosse para já, agora mesmo, esta manhã. Mesmo que esta pessoa de quem gostávamos já não estivesse bem cá. Mesmo que todas as indicações médicas apontassem nesse sentido. Mesmo que os últimos tempos fossem maus, levando-nos a fazer um esforço para lembrar os dias melhores e os dias muito melhores. Podem ser imagens com décadas, pode ser uma frase que ficou na memória. Da minha tia Maria do Carmo, lembro-me sempre de umas palavras que me disse uma vez de fugida, para me dar força. Talvez as tenha remisturado na memória. Mas vão voltando de vez em quando, sem pedir licença. Até 11 de abril de 2027, o Hamburger Kunsthalle mostra na Alemanha esta moeda cunhada na cidade grega de Neapolis, hoje Kavala. Parece estar a deitar a língua de fora à morte 6 um Estáter de prata, cunhado entre os anos 525 e 450 antes de Cristo. Já foi um objeto útil. Agora, faz parte de uma grande exposição de escultura com milhares de peças, que além de moedas tem criações de artistas como Marina Abramovic, Hans Arp, Alberto Giacometti, Mona Hatoum, Kãthe Kollwitz, Degas, Matisse, Picasso, Rodin ou Constantin Brancusi. Por volta de 1913, Brancusi criou a escultura “Danaíde”, partindo de um mito grego e da beleza contemporânea da pintora Margit Pogany (1879-1964). Até 18 de maio, pode ser vista em Nova lorque no Rockefeller Center da Christie s. A seguir, será leiloada e talvez atinja um valor recorde. Mais valiosa do que qualquer bem material, é sobretudo a memória que nos dá vida. Vão dizer-vos que não, porque a inteligência e porque a saúde e porque o amor e porque a paz... Pois, tudo isso é muito importante. Mas sem memória estamos feitos, já fomos e nem sabemos. Da minha tia, lembro aquelas palavras que eram para mim mas que eram também para ela própria. E a propósito dessas palavras familiares lembro agora e sempre a voz do meu poeta canadiano preferido, o também grego Leonard Cohen: “Ihere is a crack in everything/ That s how the light gets in”. Em português, podemos lembrar-nos assim: “Há uma falha em tudo/ E por aí que a luz entra” COMO Erotismo sobre rodas Desde ainfância, dizem-nos que a curiosidade matou o gato. E que para oalmoço haverá Sopa de Línguas de Perguntador. Mas é claro que quanto mais se esconde, mais queremos ver. Em 1999, o fotógrafo Helmut Newton mostrou uma novidade automóvel da Volkswagen, tapando-a com uma cobertura preta acetinada, alembrar roupainterion feminina. Tratava-se também de um truque publicitário, mas era sobretudo erotismo sobre rodas. Ao longo de décadas, Helmut Newton misturou a belezahumana coma a estética automóvel, em produções de moda. E de 15 de maio a 30 de junho, estas criações do fotógrafo de origem alemã estão em Itália na Villa Olmo, em Como. Há imagens com ironia e notas de banco. Noutras, o corpo feminino é mostrado sobretudo como um objeto, feito para enfeitar carros 2para estimular oconsumo. Há também Nicolas Cage apreto e branco, com olhar de matador, ao volante de um Lamborghini Miura. E Isabella Rossellini em pose de Estado, no banco traseiro de um carro preto E a princesa Carolina do Mónaco sem naturalidade, dentro de um Mercedes-Benz 280 SL branco. HáumAlfa Romeo Spider 2.0, um Fiat 1200 vermelho, um 1MercedesBenz 190c. E um Porsche 356 em Roma, em 1956. Há o que sevê. E hásobretudo o que se HeLMUT imagina. FLASHES DUBLIN , PORTO Por volta de 1880, Degas deixou em papel estas bailarinas, antes ou depois da dança. De 18 dejulho a 6 de dezembro estão na National Gallery of Ireland, em Dublin. Acompanhadas por obras em papel de artistas como Matisse, Rembrandt ou Antoine Watteau. Já .no Porto, a pintura de Alice Neel brilhará a partir de julho na Fundação de Serralves, que está em festa entre 29 e 31 de maio. Dançamos? VENEZA , CAMBRIDGE Em Itália, a Bienal de Veneza estáa ser marcada por polémicas à volta dos pavilhões da Rússia e de Israel. Longe de Itália, O Fitzwilliam Museum temno Reino Unido uma exposição sobre peças do quotidiano, ligadasa a contextos de guerra. Vêm de vários continentes e de décadas diferentes. E têm em comum a mesma normalidade impossível, feita de guerra e de distância. Até 23 de agosto, em Cambridge. PHOTO MATON Em 1959, a fotógrafa norte,americana Lillian Bassman guardou assim este mergulho, chamando--lhe “As Maravilhas da àgua”, em inglês. Até 26 de julho, a obra de Bassman está no Met, em Nova lorque. E OS mergulhos estão onde pudermos e quisermos, sempre. JOÃO PACHECO