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TAREFEIROS FORA, NOVA EM GUERRA, MINISTRO ÀS CEGAS

Observador Online

2026-05-15 21:09:22

Esta semana comentámos as novas medidas para os médicos tarefeiros, a guerra dos Professores da Universidade Nova e os números diferentes de imigrantes em Portugal. Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. Começa agora a reunião semanal do "Geração V", teu programa de comentário político jovem da Rádio Observador, feito em parceria com o Ovoto. Eu sou o Vasco Galhardo e hoje tenho comigo o trio maravilha de novo juntos: Maria Vilarig, José Paulo Soares e Joana Zaguri. Como estão, meus caros? Olá, olá. Já tínhamos saudades da Joana. Joana, bem-vinda de volta. A Maria está com aquela cara. Qual cara? Aquela cara. Tens papéis. Tem muitos papéis hoje. Fiquem pra ver. O governo vai apertar o cerco aos médicos que saiam do SNS, que vão passar a ser impedidos de ser tarefeiros durante dois anos e as faltas vão ser penalizadas. Já outro membro do governo, o ministro Leitão Amaro, foi esta semana ao Parlamento e jurou não conhecer os dados do INE sobre imigrantes e afirmou que serão necessariamente diferentes dos números da AIMA. Na segunda parte, vamos também falar da eleição do reitor da Universidade Nova de Lisboa, envolta numa polêmica que já vou pedir a opinião dos meus comentadores, e as eleições locais no Reino Unido, que trouxeram uma pesada derrota ao Partido Trabalhista. Zé Paulo, começo por ti. Esta medida do governo para os tarefeiros vai ser a salvação do SNS? Não, isso com certeza que não será. Se fosse só uma medida, estávamos bem. Eu sabia a resposta. O problema parece ser um pouquinho maior. Parece-me que vai no sentido correto, ou seja, gerar incentivos para um resultado que é o pretendido. E qual é o problema em questão? Nós temos, neste momento, 250 milhões de euros anuais que são despendidos em médicos tarefeiros que não fazem parte do Serviço Nacional de Saúde. De 24 pra 25, este valor aumentou 17%, tem aqui uma tendência crescente. E aquilo que a ministra quer é estar a controlar estes médicos tarefeiros e controlar a saída destes diretamente do SNS para os médicos enquanto prestação de serviços. É preciso lembrar, essencialmente, que há três blocos de médicos quando podemos analisar esta política. Aqueles que já ficam no SNS e para os quais a política não tem grande impacto, aqueles que já saíram e que estão só no privado, por exemplo, e aqueles que estão aqui no meio. Médicos que continuam a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde e que vão fazendo os serviços à tarefa. Esta política é exatamente para esta margem. E qual é que é a ideia? Valorizar os rendimentos dos médicos, no caso, os que estão a trabalhar horas extraordinárias, e por outro lado, tornar mais atrativo o serviço àqueles que estão potencialmente a fazer a tarefa, porque não faz sentido que um médico que se recusa a fazer mais horas extraordinárias do que aquelas horas obrigatórias, depois tenha disponibilidade para estar a fazer essa missão de tarefa. Tem que ser obrigado a estar a fazer horas extraordinárias só porque... Não, mas por que está disponível para uma coisa e não está disponível para dar horas extraordinárias de outra forma? A semana passada estavas super liberal a falar e agora pareces um comunista. Não, completamente liberal. Não, então estás a tirar o poder de escolha, completamente. Então um médico que tem um contrato com um serviço não está disponível para fazer mais horas, como por exemplo os médicos- Não está disponível para fazer as horas superiores ao máximo legal. Os médicos de 55 anos, por exemplo, que declaram indisponibilidade para fazer horas extras, porque têm mais de 55 anos, não podem fazer horas extras, mas estão disponíveis para estar a trabalhar à tarefa. Mas quem é que paga este excesso do pagamento? Não, a questão é- É o erário público e são os contribuintes. Só mesmo então pra acabar, que já percebi que vais discordar. Quem está a pagar esta diferença é o erário público. E qual é que é a ideia também aqui? É aumentar e valorizar salarialmente os médicos que ficarem no SNS e que façam horas extras. Aqui parece uma política desenhada com o incentivo de fixar médicos. É natural que agora a Associação de Médicos em Prestação de Serviços venha dizer que é o fim do mundo, mas a Ordem dos Médicos teve muito mais calma a falar sobre isso, porque sabe que há outros médicos que ficam no serviço e que são prejudicados porque há médicos que tiram proveito do SNS. Maria, esta medida vai fixar médicos? Mic down pra Fábio Figueiredo. Muito bom ou não. Esta medida é uma medida que, antes de falar daquilo que disse o Zé, o que é importante perceber é por que é que há tantos médicos tarefeiros. Porque essa é que é a questão essencial, por que é que há tantos médicos tarefeiros? Ganham mais. Não, não é só essa a única razão. A razão é que tivemos 40 anos de administrações hospitalares do PS e do PSD que tiveram desin-- joana, eu não queria já pegar nos meus papéis. Ou foi do PS ou do PSD, isso é verdade, não é? Olha. Administrações hospitalares, não. Qual é a câmara? Não, mas é que isto é importante. Aligações ao PS em 43% dos conselhos de administração dos hospitais. E depois temos aqui outro artigo, que este aqui é mais recente, que é 2026, é de janeiro, que é o assalto do PSD aos hospitais. O PSD conseguiu meter lá pessoas que eram assessores ou pessoas que eram da sua confiança em 14 das administrações hospitalares. E o que aconteceu nos últimos 40 anos? É que estes administradores muito capacitados, como nós sabemos, que hoje em dia temos aqui a conclusão destes últimos 40 anos de desinvestimento no SNS. Há mais investimento do que nunca. Espera. Não, desinvestimento e investimento malfeito. O que eles preferiam? Preferiam não colocar, porque pensavam a curto prazo, não colocar médicos nos quadros dos hospitais e contratar à tarefa, porque no curto prazo isso aparenta ser mais barato, como tu sabes, que és economista. Há médicos que saem do SNS para fazer tarefa, há médicos que são especialistas que não escolhem vaga para ficar à tarefa, mas é uma escolha do médico. Deixa-me terminar aqui o raciocínioEste é o primeiro ponto em relação aos 40 anos de má governação do SNS, que é: no imediato, não vamos contratar pessoal para o quadro, vamos fazer uma espécie de outsourcing. É isso que se trata aqui. Esta é a primeira questão. Depois, a segunda questão é que os médicos que não se conseguiram fixar no SNS ficaram prejudicados e também eles próprios, quando iam fazer consultas, por exemplo, um médico fosse a propósito, um ortopedista ao Algarve fazer uma consulta, fazia as consultas como tarefeiro, com um objetivo naquele momento. Isto não é o fim do tarefeiro. Não, eu não estou a dizer que é o fim do tarefeiro. Até porque o fim do tarefeiro, neste momento, é impossível. Pois, claro. Porque isto é um problema que não se vai resolver de um dia para o outro, porque se começou a ter uma dependência enorme de médicos tarefeiros, porque não houve vontade dos governos socialistas e sociais-democratas de fixar médicos nos quadros. Estes são médicos que quiseram sair. Não são só os tarefeiros. Não, está bem. Está a discutir os tarefeiros no geral. Não, isto é importante, porque esta é a razão que leva a que estejamos a discutir medidas destas. A ministra só quer parar os abusos que existem, não é os tarefeiros. A ministra também disse outra coisa, que é as administrações hospitalares que têm que estar alinhadas com o governo. Não sei se viste isso. Nisso eu não tenho que defender a ministra. Isso é importante. Uma pessoa que acha que um administrador hospitalar não tem que ser bom naquilo que faz, mas tem que estar alinhado com o governo, é porque é uma pessoa que vai meter lá alguém da sua confiança, seja bom, seja mau, como nós vemos. Não estamos a chegar à questão da tarefa. Não estamos. Eu já lá chego. Tens que me dar mais um bocadinho. Vai, Maria. O monstro dos tarefeiros foi criado e agora é estrutural, porque o que se passa neste momento é que nós não vamos poder abdicar de um dia para o outro dos tarefeiros, porque eles são absolutamente estruturais. Isso não quer dizer que a razão pela qual eles são absolutamente estruturais não tenha a ser discutida e não tenham que ser tiradas responsabilidades políticas dos últimos 40 anos. De acordo. Joana, estas medidas já vêm tarde? Que grande trapalhada que acabou de se passar aqui. A palavra de hoje vai ser trapalhice ou trapalhada. Já vamos chegar a mim. Eu até estava aqui a achar que a Maria, pela forma como olhou para o nosso Zé Paulo, até pensei: "Se calhar temos aqui um momento de coligação negativa." Por Deus, é sério. Não, isto não vai resolver o problema do SNS, de forma alguma. Mas não há nenhuma medida que resolva o problema do SNS. Era o que eu ia dizer, mas nenhuma medida resolve o problema do SNS. Agora, é impressionante como eu consigo não concordar com nenhum dos dois. Está bem, isso é bom para o programa. Eu não consigo concordar com a visão de nenhum dos dois. E porquê? Primeiro, porque a Maria aqui misturou um bocadinho escalas de serviço. Não misturei. Eu não te interrompi hoje. Não, é só porque estás a ter aquela postura muito à PS. A Maria fez aqui umas confusões. Tu estás com uma postura muito à cega, 40 anos, 50 anos, é sempre a mesma conversa, também cassete, que chatice. Mas voltando aqui à temática, confundir conselhos de administração com escalas de serviço e com um problema crónico, que este problema não resolve, que a Maria disse uma frase que foi: os médicos que não se conseguiram fixar no SNS. Esse problema já não se aplica há pelo menos duas décadas. Há concursos que não são preenchidos. Há concursos que não são preenchidos. E por que não são preenchidos? Não são preenchidos porque as condições não são atrativas. Mas vai haver um aumento do pagamento das horas extraordinárias, entre 40 e 80%. Se me deixares terminar. E portanto, estar aqui a misturar conselhos de administração de hospitais com decisões do governo, acho que cria aqui uma confusão que não é necessária. Esta medida não resolve. Pode ajudar a resolver outro tipo de problemas. Eu não tenho uma total aversão a este pacote. Eu tenho problemas de génese com este pacote, mas eu não tenho uma total aversão. A verdade é nós termos médicos à tarefa, mas não atribuímos condições para os médicos se fixarem no SNS e verem no SNS uma resposta, é que eu acho que isto é insuficiente. Eu percebo, pode ser o início. Eu percebo o que tu vais dizer, pode ser um início. Agora, não te resolve o problema. Claro que a Associação dos Médicos, prestadores de serviços, vai dizer que isto era o fim da macacada. Ela acusou de homicídio no interior do país. Mas isso já seria, e depois houve toda aquela questão da ministra querer processar também. Sim, também é um abuso. Sim, mas este governo adora processos. Foi o tempo em que o Luís Montenegro foi advogado, aqueles dois anos espetaculares. Mas tirando isso, isto não resolve. Não resolveres a questão das condições de fixação do SNS e não resolveres a questão dos médicos de medicina interna, medicina intensiva e agora do colégio de enfermagem de emergência que acabou de nascer, isso é que te mantém aqui o problema. Portanto, tu estás a tapar o sol com a peneira. Podes resolver uma questão de tesouraria, eventualmente, sim, mas agora só vamos conseguir ver os resultados desta medida a dois, três anos, para conseguir perceber se efetivamente... Mas as políticas demoram. As políticas demoram. Agora, fala-se em 250 milhões anuais. De 2025. Sim, é de 2025, mas anda mais ou menos nesta lógica. Fala-se nestes 250 milhões, pode ser, vamos ver. Só daqui a um ano é que vamos poder ver se isto teve um resultado. Agora, isto soa-me a insuficiente para quem afirma que isto faz parte da grande reforma. Eu adoro, este governo está sempre a falar das grandes reformas, mas esta reforma não me diz nada. Não, esta é a maior reforma. E depois, há outra questão. Temo que vou ganhar aqui uma data de haters médicos.Há uma questão que é: nós estamos no pós-covid e o covid afetou gravemente o SNS. Nós não gostamos de falar sobre isso, mas colocou os médicos num pedestal, e aqui eu percebo o que tu estavas a dizer em relação ao horário público, mas colocou os médicos num pedestal que se esqueceram, e os enfermeiros não têm esse mesmo tratamento. E deviam. E deviam, mas esquecemo-nos aqui, por exemplo, da valorização do contrato individual de trabalho e da valorização da carreira, mas, ao mesmo tempo, de avisar estas pessoas que é uma coisa: são trabalhadores para todos os efeitos. Sim, e portanto podem ser livres de escolher onde é que querem trabalhar e não têm que trabalhar no SNS com péssimas condições. Por isso é que os médicos mais novos agora querem trabalhar no privado. E depois andamos aqui a queixar que não fixamos médicos. Há uma questão de cultura laboral, há uma questão de mudança de paradigma. O SNS oferece condições diferentes do privado e o privado oferece condições diferentes do que o SNS. Há um facto: em ambos compensa muito mais trabalhar à tarefa. Isto é factual, basta ver os números. Agora, o SNS oferece, do ponto de vista de conhecimento científico, de acesso a casos, de diversidade de função laboral e de poderem ter acesso a um conjunto que o privado não oferece, até porque a urgência do privado não trata. Agora, isto resolve o problema das urgências? Não sei. Eu não sei. Eu o que eu tenho para dizer é: não sei, só vou ver. É esperar para ver. Acho que não resolve o problema e foi por aí que comecei a dizer. Não resolve o problema, acho que vai no bom sentido. Acho que vai no bom sentido de limitar alguns abusos que possam existir. Ou seja, ninguém termina os tarefeiros. Aquilo que se faz é tentar impedir que alguns abusos que existiam, de gente que sai do SNS para fazer tarefa, de gente que não quer fazer mais horas extraordinárias ou diz indisponível para fazer mais horas extraordinárias depois dos 55 anos e que faz a tarefa. Se isto, porventura, até nem existisse, vamos imaginar que isto na realidade é uma ficção da ministra. Isto nem acontece na vida real, não há gente que tira aproveitamento. Então pronto, ficamos na mesma. E só dar uma nota. Sim, vão faltar é médicos depois. Vão faltar médicos, tarefeiros ou não. É que a questão é essa. Tu estás muito fixado nos médicos com mais de 55 anos. Tu estás a subestimar a percentagem de necessidades. Então existe o problema. Claro, mas isso é o que eu estou a dizer desde o início. Então existe um problema de aproveitamento do SNS por parte de alguns profissionais. Não, existe um aproveitamento do SNS de conseguir fixar médicos permanentes nos quadros que queiram trabalhar. Não existe? Não existe. Tens muitos médicos que queiram ir trabalhar, por exemplo, para Trás-dos-Montes ou para o Algarve? Tens todas as vagas preenchidas? Não. Tu estás a confundir planos. Isto pode não acontecer em locais onde haja necessidade de determinadas especialidades. Certo. Portanto, essa salvaguarda também está feita. Sim, mas nós continuamos a ter problemas mesmo em áreas onde não há aparentemente escassez. Tu basta veres uma ida às urgências quanto tempo é que demora. Vais retirar também os tarefeiros. Certo, mas repara. Isto é uma medida do empregador. Isto é o empregador passar uma mensagem. Quando se fala que há falta de médicos, a primeira coisa que os médicos nos dizem é que não há falta de médicos. Exato. Sim, há falta de médicos no SNS, o que é diferente. Não, a Ordem dos Médicos disse seguramente que não há falta de médicos no SNS. Eu acho estranho, mas é o que os médicos dizem. Não é isso que a realidade demonstra. Está feita a primeira parte do "Direção V". Vamos agora para um curto intervalo e já voltamos para a segunda parte do nosso programa. Até já. Estamos de volta para a segunda parte do "Direção V". Esta semana tivemos também o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, na Assembleia da República, que jurou não conhecer os números do INE sobre a imigração em Portugal. Maria, que mensagem passa o ministro com esta afirmação? Eu acho que ele não conhece mesmo. Eu acho que ninguém conhece, porque esta questão dos números e dos títulos de residência, isto desde a extinção do SEF que é uma grande confusão e, sinceramente, é uma vergonha. É mais um dos resquícios das governações com a geringonça e do nosso ex-primeiro-ministro António Costa. E, portanto, aquilo que se passa neste momento é que nós não sabemos quantas pessoas cá estão, não sabemos de onde é que elas vieram nalguns casos, não sabemos há quanto tempo cá estão, não sabemos o que fazem, não sabemos se descontam, se não descontam pra a Segurança Social, provavelmente não, porque não têm o título de residência válido. Portanto, não sabemos sequer qual é a população residente neste momento em Portugal. Isto pra mim é vergonhoso, mas não é nenhuma novidade, não é nada que nós não soubéssemos, porque já sabíamos que havia discrepâncias enormes entre os números apresentados pela AIMA e pelo Instituto Nacional de Estatística, já sabíamos que isso existia, e já sabemos perfeitamente de onde é que vem este problema. Este problema criou-se com o início da governação de António Costa, agravou-se com a extinção do SEF, que foi sinceramente uma vergonha aquilo que fizeram ao SEF. Deixámos de ter uma polícia altamente especializada, que era o caso do SEF, em cooperação internacional, em tráfico de pessoas, uma especialização na imigração. Isso tudo desapareceu, foi integrado na PSP, na GNR e na PJ, e depois as competências administrativas ficaram pra AIMA, que já aquando da sua inauguração já tinha 300 mil processos pendentes. Portanto, isto só demonstra o que é uma governação socialista em geringonça com partidos extremistas de esquerda, que neste caso era principalmente o Bloco de Esquerda que teve esta intenção de sempre promover uma política de portas abertas e de portas escancaradas, que foi aquilo que aconteceu. Até Pedro Nuno Santos veio dizer que estão até arrependidos dessa medida, não é? Quando o Pedro Nuno vem dizer que uma medida não era boaÉ porque ela era mesmo muito má. Tivemos casos em que usaram a desculpa da morte trágica do Ihor Homeniuk, que foi trágica e nunca deveria ter acontecido, como desculpa para fechar o SEF, quando isso foi apenas uma maneira de lavar as mãos de Eduardo Cabrita, que foi um dos ministros mais polêmicos de António Costa, e depois de dar uma oportunidade ao secretário-geral atual do PS de brilhar e de extinguir o SEF. Aquilo que acabamos por ver é que o PS usa circunstâncias trágicas, como foi a história deste cidadão que morreu às mãos do SEF, para fechar instituições que são absolutamente fundamentais para o país. Aquilo que eu gostava também de ter perguntado na altura, agora já vou tarde, era se sempre que uma instituição tem pessoas deste tipo, como tivemos agora mesmo a questão da esquadra do Rato, com todas as barbaridades que fizeram naquela esquadra, não se vai fechar a esquadra por causa disso. E o SEF foi a mesma coisa. E estes números que agora não batem certo, são apenas uma consequência de uma desgovernação completa do Partido Socialista. Joana, como resolver esta grande confusão? Em primeiro lugar, dizer que de fato temos mesmo uma mudança de paradigma que começa a se instalar. Já deixou de ser moda dizer que a culpa é do Passos, agora é sempre da Janine Gonçalves. Foram oito anos, quase nove. Claro, foram quase nove anos. Não podem dizer o contrário, são ciclos, mas acho divertido, porque convidava as pessoas a irem ver, não digo este tema em específico, mas digo outros, que o argumento é sempre o mesmo e chega a ser assim um pouco cansativo. Mas não é verdade que o António Costa abriu as portas do país? Primeiro deixa-me só responder a uma das coisas que a Maria disse, que é: a única coisa que de fato o Leitão Amaro disse, e que é um fato, é que os números do INE e da AIMA são, por defeito, diferentes. Sempre que medem coisas diferentes. Porque medem coisas diferentes. Críticas ao INE não nos faltam. O INE não atualiza critérios de contabilização, mesmo os próprios censos têm problemáticas e o INE está desgovernado há muito tempo. E tu que és o senhor estatística. Eu sei. Pois, agora fica escalavrado. Mas é um fato. Aliás, nós vemos isso com a comparação entre os dados do INE e da Pordata com os números europeus. Há discrepâncias sistemáticas. Eu queria te interromper, Joana. Pois é. Eu te poder interromper. Pois é, mas hoje não é dia. Era bom, não era? Mas hoje não é dia. Não, não é. É o INE que está desgovernado, não é a AIMA. Eu não cheguei à AIMA. Pronto, aguardo. Eu não cheguei à AIMA, calma. Esta questão dos números foi, para variar, mais uma das polêmicas da Iniciativa Liberal, como também atacou todos os nossos partidos. O que nós chumbamos? A proibição de pessoas condenadas por crimes contra menores, de voltarem a trabalhar com menores. Não foi a única proposta que foi chumbada, houve mais. Não, mas eu não sei se tu viste, a Iniciativa Liberal criticou todos os partidos e disse: "Como é que é possível?" E criou todo um tumulto social contra os nossos partidos, quando, na verdade, aquela proposta em específico já continha não só normas inconstitucionais. Mas continha, é um fato, teu partido disse a mesma coisa. Mais ou menos. Não, desculpa, são os dois partidos atacados, só se agora concordas com a IL. A IL é o populismo mascarado de números com PowerPoints bonitos. Canva, desculpem. Desculpem, eu não tenho nada a ver com isso. Dito isto, a AIMA, o SEF, há uma problemática, mais uma vez, vou eu fazer inimigos, eu gosto de fazer inimigos. Há uma problemática na criação da AIMA que nenhum político gosta de falar. Então. Que é: no dia em que formalmente o SEF foi extinto e a AIMA nasceu, bastava entrar, e quem trabalha nesta área entrou em qualquer serviço deste país, e houve uma greve silenciosa. E durante os meses subsequentes, aqueles trabalhadores, pelas razões que terão, mas que não fizeram chegar ao público, não trabalharam. E os processos que já estavam acumulados por falta de organização do serviço e por falta de pessoal, foram se acumulando. Se é verdade que o nosso país não estava preparado, do ponto de vista de infraestruturas do Estado, para receber tanta gente, é um fato. E quem disser o contrário, não está a olhar para os números. Não, não estava. Os números não, porque nós não os temos, mas vá lá. Pois, é isso. Não, nós temos os da AIMA. Mas ainda são muito precários. O ministro disse que ainda falta alguma coisa. É como os dados do IRN. Eu continuo sem acreditar, eu pessoalmente continuo sem acreditar que aqueles dados sobre os processos de nacionalidade são reais. Eu acho que há muito mais processos de nacionalidade que estão em caves, antes da digitalização dos processos, que estão por dar entrada. Até a alteração de 2022. E entrando aqui, foi uma polêmica criada para voltar a trazer à tona toda esta temática dos imigrantes, e os imigrantes são maus, e o PS é mau, e os governos são maus e ninguém faz nada. Mas, na prática, não nos trouxe nada. Não nos trouxe nada que nós não soubéssemos. Nós já sabíamos destes 400 mil, eles só não estão em um sítio onde a Iniciativa Liberal achava que deviam estar. Nós sabíamos que eles existiam, não é novidade para nós. Depois veio o CHEGA com a sua conversa dos atestados de residência, que eles adoram os atestados de residência, que é sempre um drama. Não, quem adora é o PS. Que não são mecanismos sequer de contabilização. E isto é tudoMais uma polemicazinha ridícula que não traz nada de novo para aquilo que nós precisamos saber, e que é isso que as pessoas querem saber. E é este o tema que as pessoas pensam que é: efetivamente, os imigrantes estão ou não a causar um conjunto de problemas estruturais no país de que são acusados, que eu pessoalmente acho que não. O ministro diz que vamos ter números dia 22 de junho, novos números. Pronto, então aguardamos até ao dia 22 de junho para saber. E a partir daí podemos fazer cálculos. A observação da Joana é: a culpa é dos funcionários da AIMA que não fizeram bem as coisas. Não há problemas nenhuns. Ficamos com 300 mil que não foi por causa de uma política de imigração descontrolada. Não há justificação a esta altura ainda para não haver dados. É grave que um Estado soberano não tenha controle sobre as suas fronteiras, não tenha ideia de quantas pessoas estão cá dentro. Estamos a meio de períodos entre censos, 2021 e 2031, não fazemos ideia de quantos é que somos. Mas tu achas que nós temos uma política de dados fidedigna neste país para alguma coisa? Pois, é verdade. Mas para o controle das fronteiras acho que era o mínimo que devíamos ter. Mas não é só para o controle das fronteiras, para a contabilização de cirurgias, para a contabilização de- É base de soberania nacional. É das fronteiras, é só saberes quem é que está dentro do teu país. É evidente que o PS tem aqui uma responsabilidade especial, porque o PS é responsável por entrada de um conjunto de pessoas que se continuasse à escala que estava a acontecer hoje, neste momento seria 20% da população portuguesa. Nós não temos ideia de quantos é que somos, não há políticas públicas desenhadas para estas pessoas, os serviços públicos não estão feitos para aguentar. Quer dizer, eu venho do Porto, cheguei a Lisboa. No Porto sentia-se, mas em Lisboa então sente-se, os serviços públicos não estão prontos para aguentar com estas pessoas. A cidade está em deseconomias de aglomeração claras. A cidade não aguenta com tanta gente. Quem anda de transportes públicos sente isso. Os transportes públicos estão completamente lotados. Os políticos não andam muito de transportes públicos. Nem vão muito ao SNS. E isto significa-nos uma coisa. Nós falámos há dois ou três anos sobre que o país cresce bastante. É porque os do Chega vão imenso. O Ventura a esse nível também não pode falar absolutamente nada. Mas quem é que falou do Ventura? Quem é que falou do Ventura? Gostavas de mostrar este gráfico que é do Observatório das Migrações? É porque eu até fiz aqui uma balbinha, quando é que tivemos a eleição do nosso amigo António Costa e a subida aqui vertiginosa, isto é pior que o Everest. Eu gostava só de dar uma nota antes disso, que é: nós temos nos últimos anos números sobre o crescimento económico que não são fiáveis. Nós não fazemos ideia quanto é que o país cresceu per capita. Inclusivamente, podemos estar a falar de um decréscimo da produtividade nos últimos anos. Nós não temos informação de quantos somos, a economia pode estar num estado bastante pior do que nós achamos, porque está essencialmente mascarada por um aumento de população, e depois há uma discussão clara dos imigrantes que nós não temos. A questão dos imigrantes na Segurança Social e dos benefícios para a Segurança Social, não é uma questão direta. Neste momento estão a contribuir, mas no futuro terão também benefícios. E portanto, estas tuas contas deviam ser feitas líquidas e não só contas em bruto. Também já têm agora. Creches, escolas. Mas temos que passar pelas problemáticas. Não, estou a argumentar. Não, é o centrista que cai na análise dos dados e a pessoa daquele sítio. Qual sítio? Diz o nome. Não posso garantir nada. Não, vou. Não, diz logo. Não, não há problema nenhum. É continuar a subir. Nós tivemos uma nova eleição, mas o mesmo resultado. Esta semana assistimos também à eleição de Paulo Pereira como reitor da Universidade Nova de Lisboa, que tinha sido eleito a primeira vez em setembro de 2025, mas o Tribunal Administrativo de Lisboa ordenou a repetição das eleições, que acabou por ter o mesmo desfecho. Zé Paulo, o que é que aconteceu aqui? Sim, antes de começar, só dar uma nota. Tivemos durante esta semana a aprovação também do novo REGIES, e portanto vai no sentido positivo de democratização, dar autonomia e democratização também na eleição do reitor. Vamos ouvir mais a sociedade civil, vamos ouvir a alumni também e portanto acho que pode ser positivo e pode impedir golpadas destas no futuro. Temos uma eleição, que temos aqui duas juristas, certamente falarão melhor do que eu, mas que me parece à partida, de uma forma muito dúbia, uma eleição por pessoas que já tinham terminado o seu mandato. Nenhum dos outros candidatos esteve presente na eleição porque desconfiam exatamente disso. O reitor tem, portanto, a partir daqui, uma legitimidade reduzida. Claro que isto, no caso da Nova SBE, de onde sou estudante, tem um peso especial, porque foi este reitor que tomou a decisão relativamente ao não poder usar o nome em inglês. Mas mais do que isso, que é uma questão que vai um bocadinho para o ridículo, mas eu concordo, muita da discussão foi um bocado ridícula. Já estamos a ouvir. Já vamos ouvir o que a Joana tinha a dizer sobre isso, mas muita da discussão do nome do inglês prende-se um bocado ao ridículo. Eu acho que o mais relevante no meio disto tudo foi pessoas que quiseram ir mais além do que isso. Foi pessoas que quiseram impedir a contratação de professores que não falassem português, foi pessoas que quiseram, professores, no caso da Faculdade de Direito da Nova. Sempre as faculdades de Direito. Sempre Direito, que querem impedir que as teses sejam em inglês. Portanto, isto aqui é um conjunto de velhos do Restelo, que têm uma agenda escondida também, rentistas que sentem que têm aqui um problema se vierem pessoas de fora, porque pode tirar-lhes os seus lugares e o status quo. E há sempre aquela velha máxima, aquela piada de está um alemão, um francês e um português a apanhar caranguejos e tem-nos todos no balde. E o alemão e o francês têm o balde tapado, que é para eles não fugirem, mas o português não tem tapado. E o alemão e o francês perguntam então: "Por que é que não está tapado?"E o português sabe que se um começar a subir, o outro caranguejo vai e puxa para baixo. E aqui é exatamente isto que está a acontecer. Em vez de aumentarmos o padrão e aquilo que está a acontecer em faculdades de economia, e bem, a faculdade onde bem a FEPS está exatamente a tentar apanhar o ritmo da Nova e as outras faculdades estão a tentar. Em vez de termos isto, temos pessoas que querem nivelar por baixo. É um problema do país. Joana, o que dizer deste imbróglio? Coitadinha, aqui a nossa Maria não vai conseguir falar sobre o assunto, porque ela não percebe nada destas tricas de faculdades públicas, que ela vem uma privada. Tu também lá andaste, Maria. Eu estive lá três meses e fugi por alguma razão. Estive inscrita um ano letivo, mas saí antes disso. Mas por alguma razão, saí. E depois o resto do colégio privado também, não é? Sim, fiz o colégio privado. Está bem, vou ter contigo. Só para confirmar. Pronto, confirmamos. Nós temos pouco tempo, ouviremos a Maria. Estas tricas de professores catedráticos é sempre qualquer coisa de... É engraçado. Passei por elas no Porto, são sempre muito giras. Eu acho que se devia fazer novelas. Não deixa de ser cômico, no meio desta história, que vem de Direito uma ideia altamente conservadora, vinda dos próprios professores que criaram a faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, porque a clássica era demasiado conservadora. E eles agora são o quê? E agora eles são o quê? Quer dizer, será que há um tic, há uma obrigatoriedade? Somos de Direito, catedráticos, temos que ser dinossauros? Eu vou ser expulsa da minha antiga faculdade e nem lá entro. E é uma pena, é que estas pessoas não consigam perceber que do ponto de vista de imagem pública, é tão triste ver isto, porque a figura do reitor, que outrora era uma figura política de relevo, que tinha uma magistratura de influência bastante relevante e um salário público coincidente, precisamente por essa razão, e que tem o melhor protocolo de sempre, que é magnífico reitor. Agora, é absolutamente surreal que não se apercebam que só se fala dos reitores em Portugal ou quando terminam os seus mandatos e vêm fazer declarações sobre como as suas universidades eram péssimas e o ensino está péssimo. Há um novo no Porto também. Ou quando há uma trica que envolve um tribunal administrativo e fiscal, que decide sobre umas eleições, quando na prática vamos ser honestos, quer dizer, há tantos problemas no ensino superior e há tantos problemas dentro das próprias faculdades. A própria legislação, e tu falaste e bem, vamos celebrar o GS porque é a única coisa que se pode tirar daqui. E isto é um retrato deprimente daquilo que é a academia portuguesa. Nós não estamos a criar, não estamos a inovar, é paroquial, é pequenina, e nisto só pego numa coisa. Há um reitor que se destaca pela positiva, que é o reitor da Universidade do Minho, porque à margem destes conflitos todos, conseguiu em 10 anos recuperar uma universidade por quem ninguém dava. Dois tostões que está a crescer, a internacionalizar-se com inglês e com português e sem este tipo de tricas focado na evolução e na criação. Muito bem. Maria, isto abala a credibilidade da Universidade Nova? Eu estou um bocadinho no meio. Acho que vivemos num mundo globalizado, não podemos não ter as coisas em inglês, o próprio nome da Nova School of Business and Economics. E todas as outras que já estão a suceder. E todas as outras, exatamente. Isso é quase uma forma de marketing, de branding, de diferenciação. Façam o registo jurídico em português. E vivemos cada vez mais num mundo em que recebemos estudantes internacionais, recebemos professores convidados, portanto, obviamente que o inglês é importante. Não quero dizer com isto que o português seja completamente relegado para segundo plano. Também não acho que fosse isso que estivesse em causa, pelo que eu percebi. E portanto, estou aqui numa posição que sinceramente isto parece-me mais duas pessoas, ou se calhar mais, que não gostam muito uma da outra. Uma novela. E vieram para público arejar um bocadinho as suas cozinhas. Receber professores estrangeiros é um sinal de abertura da academia. É aquilo que se faz em todas as universidades do mundo que são competentes e que são conceituadas. É gente que acha que o Supremo e o Nobel quiser vir cá dar aulas não pode porque não fala em português. Sim, quer dizer, nós temos muito orgulho quando temos alguém que vai dar aulas em Oxford ou que estuda em Oxford. Como o Marcelo, para onde é que ele vai? Para a Califórnia. Mas nós ficamos extremamente orgulhosos quando uma situação dessas acontece ou quando descobrimos que um professor, tínhamos um português no MIT que foi morto. E depois pensamos: "Se calhar nós devíamos ter lembrado isso antes." E de repente, estamos a ter esta trica, que é o que eu digo, enfraquece uma academia que já por si só está enfraquecida. Muito bem, quer dizer mais alguma coisa sobre isto? Sim, dizer só muito rápido. O Severo Cruz é o maior na mesma. Quando cheguei à faculdade e cheguei ao Porto, no caso, esperava ver professores catedráticos falassem de uma forma muito eloquente e tal. Aquilo que encontrei quando comecei a envolver-me no associativismo acadêmico e na gestão da faculdade também, muitas vezes foi lutas de poder sanguinárias que só no fundo atrofiam e atrasam o desenvolvimento das próprias faculdades. E é uma pena. É uma pena, sim. Mas está feito o programa de hoje. Obrigado aos meus comentadores, Joana Dagour, José Paulo Soares e Maria Villaret. Até para a semana. Obrigado. Obrigada. Obrigada. O Geração V é uma parceria entre o Ovoto e a Rádio Observador. Podes ouvir-nos na rádio, em podcast e ver-nos em vídeo no YouTube. Eu sou o Vasco Galhardo, muito obrigado por estares desse lado. Tudo a correr bem e até para a semana. Rádio Observador