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APOSTA NOS ELÉTRICOS AFUNDA A HONDA. PREJUÍZO PELA PRIMEIRA VEZ EM 60 ANOS

AEIOU.pt Online

2026-05-15 21:09:20

NeydtStock / Depositphotos A Honda anunciou o seu primeiro prejuízo operacional desde 1957, na sequência de uma profunda reformulação da sua estratégia de veículos elétricos nos Estados Unidos. As principais marcas japonesas reportaram também quebras nos resultados. O segundo maior fabricante automóvel japonês, a seguir à Toyota, revelou esta quinta-feira que o prejuízo operacional do ano passado, no valor de 414,3 mil milhões de ienes (cerca de 2,2 mil milhões de euros), resultou de encargos contabilísticos avultados nas suas operações de veículos elétricos. A Honda registou ainda um prejuízo líquido de 423,9 mil milhões de ienes, que, segundo a Bloomberg News, é o primeiro desde que a empresa começou a divulgar resultados consolidados, em 1977. Para o presente exercício, a Honda projeta um lucro líquido de 260 mil milhões de ienes e um resultado operacional de 500 mil milhões de ienes, valores acima das expectativas do mercado, o que levou as suas ações a valorizar quase oito por cento num dado momento. Em março, a Honda anunciou o cancelamento do lançamento e desenvolvimento de determinados modelos elétricos nos Estados Unidos, o que resultou em imparidades e outros encargos no valor de 2,5 biliões de ienes (14 mil milhões de euros). A empresa responsabilizou a “mudança na política governamental” da administração do Presidente norte-americano Donald Trump, nomeadamente a imposição de tarifas aduaneiras sobre importações e a eliminação de incentivos fiscais para compradores de veículos elétricos. O relatório da Honda refere ainda uma “quebra de competitividade” dos seus produtos na China e noutros países asiáticos. Outros fabricantes automóveis japoneses enfrentam igualmente dificuldades crescentes, pressionados pelas tarifas norte-americanas, pela guerra no Médio Oriente e pela concorrência feroz dos rivais chineses. A Toyota, o maior fabricante automóvel do mundo em unidades vendidas, previu na semana passada uma queda de 22% no resultado líquido para este exercício fiscal, ainda que a partir dos 25 mil milhões de dólares registados no ano anterior. A Nissan, que está a encerrar fábricas e a suprimir milhares de postos de trabalho, divulgou na quarta-feira um prejuízo líquido de 3,4 mil milhões de dólares referente ao ano passado, mas antecipa um regresso aos lucros. “A grande diferença em relação à Nissan é que, enquanto a força dos produtos e o poder de marca da Nissan são manifestamente fracos e a recuperação não está à vista, o prejuízo da Honda resulta de uma perda pontual e de grande dimensão, decorrente de uma mudança de estratégia”, afirmou Tatsuo Yoshida, analista da Bloomberg Intelligence. “Os seus produtos ICE (motor de combustão interna) e HEV (híbrido elétrico) são sólidos, e o poder de marca é elevado. A rentabilidade no setor das motocicletas e no segmento financeiro é satisfatória”, acrescentou Yoshida, antes do anúncio dos resultados da Honda. O Japão comprometeu-se a investir 550 mil milhões de dólares nos EUA até 2029, em troca da redução das tarifas, que chegaram a ameaçar os 25%, para 15%. Os compromissos assumidos mantêm-se válidos mesmo após o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter anulado as tarifas globais de Trump, em fevereiro, tendo este imposto uma nova taxa uniforme de 10%. // AFP AFP