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65% DA ATIVIDADE É ASSEGURADA POR TAREFEIROS - OM ALERTA PARO IMPACTO NAS URGÊNCIAS E NA TAXA DE CESARIANAS

Jornal do Algarve

2026-05-15 21:09:18

A Ordem dos Médicos alertou que o recurso a tarefeiros é necessário para o funcionamento das urgências de obstetrícia e ginecologia no SNS, mas é disruptivo para os serviços e tem impacto na taxa de cesarianas, sendo que no Algarve 65% da atividade é assegurada por médicos prestadores de serviço. Numa audição na comissão parlamentar de Saude, onde foi ouvido sobre o aumento das cesarianas no Serviço Nacional de Saude, a pedido da Iniciativa Liberal, Carlos Veríssimo Batista, presidente do Colégio de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos (OM), afirmou que já alertou varias vezes a tutela para a necessidade de "arranjar outro mecanismo". De acordo com o especialista, a elevada utilização de tarefeiros afeta a organização das equipas, a aplicação de protocolos e a realização de reuniões clínicas. Contudo, recentemente houve “uma certa melhoria” com a criação das urgências regionais de obstetricia e ginecologia na Península de Setúbal e no Hospital Beatriz Angelo, em Loures. o responsável da OM alertou também que a pressão médico-legal e o aumento da litigância podem levar ao afastamento de profissionais do SNS e a uma maior pratica defensiva, fatores que podem reduzir a tolerância ao risco clínico, sobretudo em equipas menos experientes. Outros fatores que influenciam a prática obstétrica são o aumento da idade materna e a presença de mulheres migrantes provenientes de países com taxas historicamente mais elevadas de cesariana. Carlos Veríssimo Batista apontou também o aumento de comorbidades associadas à idade materna e à evolução dos perfis reprodutivos, alertando para situações de gravidas que chegam à urgência sem vigilância adequada. Foi também destacada a importãncia dos médicos de família na vigilância das gravidezes de baixo risco, sendo que nesse âmbito está a ser desenvolvido um trabalho com a Ordem dos Enfermeiros para reforçar o acompanhamento das gravidezes. Em 2025, o SNS bateu um recorde de cesarianas (mais de 22 mil, +5%), com os hospitais das regiões Norte e Alentejo a registarem os números mais elevados.