PORTUGAL TEM CAPACIDADE PARA SER UMA FRENTE DE ACESSO E RETORNO DO ESPAÇO
2026-05-15 21:09:18

O papel estratégico que Portugal pode ter no setor espacial europeu foi um dos temas em debate na primeira conferência do eRadar que juntou especialista do setor no Centro Cultural de Belém. O 2º painel da Conferência Anual do eRadar, com o tema “Portugal, a Nova Porta de Entrada da Europa no Espaço?”, contou com a presença de Francisco Cunha, CEO Geosat, João Gabriel Silva, Presidente da Direção do IPN e Ricardo Conde, Presidente da Agência Espacial Portuguesa. “Somos centrais no Atlântico, esta ideia de país periférico e no contexto geopolítico atual, é algo absolutamente que está colocado fora de questão. É exatamente nesses eixos que nos alicerçamos para construir aquilo que é hoje um desígnio nacional da nossa componente de participação europeia”, destacou Ricardo Conde, presidente da Agência Espacial Portuguesa, durante o segundo painel da conferência eRadar, com o tema “Portugal, a Nova Porta de Entrada da Europa no Espaço?”, esta quinta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Para o presidente da Agência Espacial Portuguesa “Portugal tem uma posição única na Europa”, com a capacidade de abrir “uma frente de acesso e retorno do espaço”. “Nós temos que nos posicionar, e Portugal tem que se posicionar exatamente nesta vertente de acesso ao espaço”, vincou Ricardo Conde, acrescento que o país tem “uma área de dimensão” que o coloca “nos maiores países da Europa”. O CEO da Geosat, Francisco Cunha, acredita que a estratégia de posicionamento nacional deve ser feita entre empresas privadas e os ramos das Forças Armadas portuguesas. “Uma empresa privada quer e precisa de instituições públicas exigentes e muito competentes” sintetizou Francisco Cunha, acrescentando que os ramos militares “ajudam o setor privado a fazer melhor o seu trabalho, como o setor privado capaz e competente ajuda o setor institucional a fazer melhor o seu trabalho também”. “Portanto, tem de haver aqui uma articulação e as empresas têm de ser capazes de fornecer a sua tecnologia, fornecer os seus sistemas” às instituições militares, assumindo que “tem de ser dada aos agentes da segurança e defesa a capacidade para operar os seus sistemas de forma autónoma”, afirmou Francisco Cunha. “Uma empresa para trabalhar na Defesa tem que ser perfeitamente clara relativamente aos seus alinhamentos”, distinguindo a “decisão organizacional” daquilo que são “decisões pessoais”, acrescentou. Ricardo Conde, Presidente da Agência Espacial Portuguesa, durante o segundo painel da Conferência Anual do eRadar, com o tema “Portugal, a Nova Porta de Entrada da Europa no Espaço?”, no Centro Cultural do Belém João Gabriel Silva, presidente da Direção do Instituto Pedro Nunes (IPN), explicou que o instituto tem capacidade para apoiar as empresas privadas que apostam no setor espacial, através de “laboratórios de investigação aplicada” que funcionam como “incubação” e “suporte” das empresas. “O Instituto Pedro Nunes, o que faz é ajudar na procura de investimento” disse, num contexto onde há “cada vez mais empresas a trabalhar nalgum formato ligado ao espaço”. O líder da direção do IPN deu como exemplo a Open Cosmos. A empresa britânica, que lidera a parte espanhola da Constelação do Atlântico - um projeto de satélites de observação da Terra onde Portugal está igualmente envolvido, tanto com empresas privadas como a Força Aérea -, “está a produzir os satélites nas instalações do IPN, neste momento com ritmo de produção à volta de 10 satélites por ano”. Para Ricardo Conde, é importante “darmos a possibilidade de Portugal posicionar-se com estas constelações, com estas iniciativas, numa outra dimensão, que, segundo o presidente da Agência Espacial Portuguesa, “é um instrumento de catapulta” para o país. Ricardo Conde acredita que Portugal, até 2030, terá “um boom absolutamente impressionante e capacidade industrial” que poderá colocar o país noutro patamar. João Gabriel Silva, Presidente da Direção do IPN, intervindo no segundo painel da Conferência Anual do eRadar, com o tema “Portugal, a Nova Porta de Entrada da Europa no Espaço?” “Temos aqui [em Portugal] imensas empresas com uma enorme mais-valia”, atirou o CEO da Geosat, referindo que as multinacionais “como indústria fazem-nos crescer muito”, tanto ao país como à estrutura nacional. O presidente da Agência Espacial Portuguesa também defende que não é possível, para já, fazer lançamentos para o espaço exclusivamente a nível nacional, mas acredita que foi aberta uma possibilidade do país capitalizar com as parcerias que tem feito. “Acho que agora estamos no momento de construir aquilo que resultou da estratégia em algo concreto, operacional, e temos que entregar. Nós estamos no momento de entregar“, destacou. Localização ou talento? Ambos Os três membros do painel, quando questionados se Portugal se distingue dos outros países no setor aeroespacial através da localização ou do talento, concordaram que os dois aspetos são complementares e não necessariamente distintos. Mas que o mais importante é reforçar a inovação nacional. Ricardo Conde destacou que “não é suficiente só talento” e que o país, para se posicionar, precisa de trabalhar “em cooperação, em consórcios internacionais”. “Tem que haver um caminho paralelo de inovação e de apoio a essa inovação. Eu sou um defensor que a defesa tinha que ter um fundo de investimento para capacitação, para inovação”, concluiu. Francisco Cunha, CEO do Geosat, durante o segundo painel da Conferência Anual do eRadar, com o tema “Portugal, a Nova Porta de Entrada da Europa no Espaço?” Francisco Cunha também salientou que “o talento não é suficiente”. Para o CEO da Geosat, Portugal “tem mercados que são permeáveis à tecnologia e permeáveis à inovação”, apesar do país não contar com mercados grandes em comparação com os restantes países europeus. “Defesa e espaço são provavelmente os dois setores em que o setor público e o setor privado, no quadro legal europeu, é possível haver uma maior cooperação”, aferiu Francisco Cunha. O presidente da Direção do IPN afirmou que o país tem “capacidade” de ser o país inovador neste setor, destacando que “a limitação portuguesa é uma limitação cultural”. “A maior parte das pessoas, por muito que digam que Portugal é fantástico, não acredita que se possa fazer cá”, frisou. Assista aqui ao painel “Portugal, a Nova Porta de Entrada da Europa no Espaço?” eRadar