MONTENEGRO QUER "ESFORÇO FINAL" PARA FECHAR ACORDO COM ENFERMEIROS
2026-05-15 21:09:17

Luís Montenegro no Congresso dos Enfermeiros, esta sexta-feira Foto: Estela Silva / Lusa O primeiro-ministro anunciou esta sexta-feira, na sessão de abertura do VII Congresso dos Enfermeiros - que decorre até este sábado em Gondomar -, que o Governo está a preparar "um esforço final nas próximas semanas" para fechar um novo acordo coletivo de trabalho com a classe profissional. Luís Montenegro afirmou que o Ministério da Saúde está empenhado em concluir as negociações e sublinhou que os enfermeiros continuam a ser uma prioridade para o Executivo. "Estamos neste momento a trabalhar para darmos, novamente, um exemplo de estarmos com os enfermeiros na vanguarda", afirmou. Montenegro acrescentou que o objetivo passa por "subscrevermos um acordo coletivo de trabalho que dê visibilidade, mas, sobretudo, previsibilidade" aos profissionais que escolhem esta carreira. O primeiro-ministro recordou ainda que o primeiro acordo assinado pelo Governo na área da saúde foi justamente com os enfermeiros. Apesar de reconhecer que "não é suficiente", considerou que o entendimento alcançado representou "uma evolução positiva relativamente ao percurso remuneratório dos enfermeiros". Durante a intervenção, Montenegro defendeu que a valorização das carreiras e das condições de trabalho "não é nenhum favor" feito aos profissionais, mas uma forma de garantir "mais e melhores profissionais" no Serviço Nacional de Saúde. O governante revelou também que as consultas de enfermagem nos cuidados de saúde primários aumentaram 21% no primeiro trimestre deste ano, apontando o número como um sinal de confiança dos utentes nos enfermeiros. Luís Montenegro destacou ainda que, desde o início de suas funções, o Serviço Nacional de Saúde registou um aumento de mais de dois mil enfermeiros, apontando o número como reflexo da aposta na valorização e retenção de profissionais. Luís Montenegro encerrou o seu discurso com um sentimento acrescido de dever, após receber do bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE) uma medalha de ouro daquela instituição representativa dos profissionais da Enfermaagem. Entretanto, após sua intervenção, não prestou declarações à imprensa e foi embora sem fazer comentários sobre a reforma laboral, aprovada pelo Conselho de Ministros nesta quinta-feira. Recado do bastonário Antes da intervenção do primeiro-ministro, o bastonário da OE pediu estabilidade política para o setor da saúde e elogiou a proposta do presidente da República para um pacto na área. "A saúde precisa de estabilidade, visão de longo prazo e capacidade de reformar sem estar refém de ciclos políticos", afirmou Luís Filipe Barreira. O bastonário criticou a sucessiva mudança de ministros da Saúde na última década e deixou um apelo direto ao Governo: "A saúde não pode continuar a ser um campo de disputa política". Entre as prioridades defendidas pela Ordem estão a criação de um enfermeiro de família para todos os utentes e a possibilidade de prescrição por enfermeiros, medida que o bastonário considera "uma resposta racional às necessidades do país". Isabella Mondaini