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CARNEIRO VAI APERTAR OPOSIÇÃO A MONTENEGRO NO PARLAMENTO

Diário de Notícias

2026-05-14 21:06:33

PS Legitimado internamente e agradado com sondagens recentes, secretário-geral parte para postura mais incisiva. Pede saída da ministra da Saúde e rejeita conversas no pacote laboral e na Constituição. Depois de uma primeira fase focada na pacificação interna do partido, José Luís Carneiro começa agora a apontar a mira da sua intervenção mais intensamente para Luís Montenegro. Nos primeiros dez meses como secretário-geral, o líder socialista privilegiou uma postura moderada e dialogante, procurando entendimentos com o Governo e tentando levar negociações a bom porto. Mas o chumbo de várias propostas socialistas eo afastamento entre PS e Executivo em matérias centrais aceleraram uma mudança na estratégia elaboradainternamente nas reuniões do secretariado, como a da última terça-feira. Ora, segundo apurou O DN, Carneiro e o seu círculo mais próximo no partido consideram esgotadaa fase de maior contenção política. E a rejeição dos planos de ação do PS para áreas como Saúde, Justiça e. Administração Interna, somada às divergências profundas sobre imigração, nacionalidade e alterações ao Código do Trabalho, levou o secretariado a concluir que é necessário endurecer a oposição no Parlamento. Essa linha de oposição cresceu já face à atuação do Governo após o estalar do conflito no Médio Oriente. e fez o PS retomar, com insistência, o desejo de aumento permanente das pensões mais baixas para fazer face ao custo de vida e insiste também na redução do IVA de 23% para 13% nos com-bustíveis, assim como a adoção do IVA zero no cabaz alimentar, proposta que tinha sido bandeira eleitoral de Pedro Nuno Santos e que Carneiro afastara inicialmente por receios quanto ao impacto nas contas públicas. Seis meses depois, porém, a avaliação interna mudou. Na liderança socialista cresce a convicçãor de que o PS precisa de marcar diferenças mais claras face ao Governo. A alteração de posicionamento resulta de dois fatores principais. Por um lado, a ausência de oposição interna no Congresso consolidou intramuros a liderança de José Luís Carneiro - mesmo contando com o distanciamento assumido por algumas figuras, como Duarte Cordeiro -, que procurou integrar diferentes sensibilidades do partido, incluindo dirigentes que inicialmente estavam afastados da sua liderança,como MarianaVieira da Silva (ver texto ao lado). Por outro, as sondagens internas e externas têm reforçado a perceção de crescimento do PS e de desgaste do Executivo de Luís Montenegro. Aindao é cedo para antecipar a posição socialista no próximo Orçamento do Estado, mas Carneiro admitemenos margem para entendimentos em várias áreas. Na Saúde, o partido endureceu claramente o discurso e vai apertar ocerco sobre a ministra Ana Paula Martins, que considera não ter condições para continuar. No pacote laboral, o PS tenta certificar-se de que se discuta no parlamento uma proposta com os contributos acertados coma UGT em Concertação Social. Ferro Rodrigues, ex-líder do PS, defendeuao DN que o partido deverá excluir “acordos a três”, no caso com O Chega, e quie, depois de apresentar propostas, deverá votar contra o pacote laboral se estas não forem, minimamente, tidas em contapelo PSD. A mesma lógica aplica-se à reviSão constitucional. Apesar de no PS existir reconhecimento pelo facto deo O PSD resistir, para já, às pressões do Chega para avançar com uma revisão em 2027, OS socialistas insistem que Luís Montenegro deve concentrar-se mais na execução governativa do que em alterações constitucionais. Dentro do partido, há mesmo quem alerte para um “dano democrático” caso qualquer revisão avance sem entendimento àesquerda. Secretariado olha para as regiões A lista de pastas do Secretariado Nacional está perto de ficar fechada e as assimetrias no território são preocupação de José Luís Carneiro. Estão no grupo próximo do secretário-geral a autarca de Almada, Inês de Medeiros, Luísa Salgueiro, de Matosinhos, João Azevedo, de Viseu, Luís Testa, ex-presidente da federação em Portalegre e, Luís Soares, de Guimarães, que é nomeado secretário nacional para a organização. Na Saude, Maria Antónia Almeida Santos e Rosa Matos mantêm funções, João Torres e Jamila Madeira nos assuntos internacionais. Ana Mendes Godinho e Miguel Cabrita partilham esforços no Trabalho. Ricardo Bexiga herdará a Justiça, Sérgio Avila as Finanças, André Moz Caldas ficará com liberdades e direitos de democracia. Na liderança socialista cresce a convicção de que O PS precisa de marcar diferenças mais claras face ao Governo. do PS animado com sondagens recentes favoráveis para os socialistas. FREDERICO BÁRTOLO