MÉDICO APOSENTADO, RECEITA INEXISTENTE: DEFESA DE PEDRO FRAZÃO ACUSA PUREZA DE MENTIR EM TRIBUNAL
2026-05-14 21:06:33

Em tribunal, José Manuel Pureza afirmou que a publicação lhe provocou "sofrimento psíquico e físico muito forte", tendo relatado que recorreu ao médico de família e que iniciou medicação Ouça este artigo Clique para reproduzir O processo por difamação que opõe José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, a Pedro Frazão, deputado do Chega, ganhou um novo capítulo. De acordo com a revista Sábado , a defesa do parlamentar do Chega acusa o dirigente bloquista de ter prestado falsas declarações em tribunal sobre uma alegada consulta médica realizada após uma publicação nas redes sociais que, segundo Pureza, lhe causou forte sofrimento psíquico e físico. O caso remonta a maio de 2021, quando Pedro Frazão publicou nas redes sociais um vídeo relacionado com alegações de atos sexuais não consentidos atribuídos a uma pessoa ligada ao BE. Na legenda, o deputado escreveu: “Já não há Pureza no Bloco de Asquereza? #MeToo ( ) Quem será o nojento de 62 anos?”. A acusação considera que a publicação insinuava que José Manuel Pureza teria cometido crimes de assédio sexual, o que levou o coordenador bloquista a avançar com um processo por difamação. Em tribunal, José Manuel Pureza afirmou que a publicação lhe provocou “sofrimento psíquico e físico muito forte”, tendo relatado que recorreu ao médico de família e que iniciou medicação. A defesa de Pedro Frazão contesta agora essa versão, depois de ter pedido esclarecimentos aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e ao Ministério da Saúde. Segundo a informação remetida ao tribunal, o médico referido por Pureza, António Manuel dos Santos Rodrigues, tinha deixado de prestar serviço no Centro de Saúde de Celas em março de 2020, por aposentação. O Ministério da Saúde informou ainda que não encontrou qualquer receita eletrónica emitida em nome do utente no dia 18 de maio de 2021. José Manuel Pureza, contactado pela revista semanal, explicou que António Rodrigues era o seu médico de família desde 2012 e que só percebeu depois das declarações em tribunal que o clínico já se encontrava reformado na data em causa. O dirigente bloquista sustenta que a consulta foi telefónica e que o médico não lhe indicou qualquer impedimento. Sobre a ausência de receita médica, Pureza afirma que já tinha o medicamento em casa e que a indicação recebida foi apenas para alterar a dosagem de trazodona, passando de um terço para dois terços do comprimido. Continue a ler após a publicidade A defesa de Pedro Frazão levantou também dúvidas sobre um documento manuscrito atribuído ao médico e enviado ao tribunal. No texto, datado de 18 de maio de 2021, é descrita uma conversa telefónica com José Manuel Pureza, uma situação de ansiedade e a sugestão de reforço da medicação. O advogado do deputado do Chega, José Gaspar Schwalbach, defende que o documento levantou “fundadas dúvidas” quanto à sua autenticidade e veracidade. Perante essas dúvidas, a defesa pediu a realização de uma perícia para determinar a idade da tinta usada no documento manuscrito. O Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa recusou essa diligência, considerando que seria muito morosa e que poderia atrasar excessivamente o processo. Pureza, por sua vez, classificou os pedidos da defesa como “manifestamente dilatórios”, acusando Pedro Frazão de recorrer a expedientes que têm prolongado a fase de julgamento. Apesar da aposentação do médico, a questão não fica automaticamente encerrada. Nuno Jacinto, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, explicou à Sábado que médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar podem, mesmo aposentados, manter-se formalmente como médicos de família de um conjunto de utentes. O processo segue agora centrado na avaliação da prova e na disputa sobre a credibilidade das declarações prestadas pelas partes. Continue a ler após a publicidade Revista de Imprensa