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EDITORIAL: A SAÚDE QUE TEMOS! QUE SAÚDE PODEREMOS TER?

Aurora do Lima Online (A)

2026-05-14 21:06:27

Não, não vamos dizer mal do nosso SNS, porque seriamos contraditórios com o que sempre aqui escrevemos. Porém, reconhecemos que as dificuldades para mantermos um SNS com a qualidade que já tivemos não vai ser fácil. E não será com a prática de despejar dinheiro em cima do sistema, que é escasso, que conseguiremos fazer os ajustes necessários. Nos últimos dez anos, os custos com a saúde cresceram cerca de 70% e, segundo a CIP, em 2024, a despesa corrente total em saúde (pública e privada) ultrapassou os 29 mil milhões de euros, o que representa cerca de 10,2% do Produto Interno Bruto. E, julgamos, vai continuar a crescer, porque o envelhecimento da população obriga a mais continuados serviços médicos de apoio. Mas o crescimento até se compreenderia se fosse de acordo com a nossa evolução económica. Como não é, será difícil ajustar custos para mantermos serviços de saúde com a qualidade necessária. Há dias, um nosso prezado assinante, morador em Lisboa, telefonou-nos para uma curta e habitual conversa. Aproveitou e fez o retrato de uma situação vivida, começando logo por dizer que não queria ser crítico com ninguém. , “Agora, que já vou além dos 80 anos, não posso deixar de ser urbano como sempre fui”, disse-nos. Contou, então, que teve um pequeno acidente quando na rua subia o passeio. Socorrido por outros transeuntes, chamado o INEM, foi transportado de imediato ao prestigiado Hospital de Santa Maria. Acontece que este prezado amigo esteve à espera de uma consulta cerca de 18 horas. Atendido, foi conduzido para fazer um RX a um dos pés, com objetivo de se saber se o mesmo estava fraturado. Felizmente estava tudo bem e o nosso estimado leitor, alegre da vida, recolheu a casa. Acrescentou, que, durante o internamento, uma simpática empregada perguntou-lhe se estava com fome, que lhe serviria uma sopinha. Agradeceu muito, até porque, com extrema amabilidade, também foi servido com mais um pãozinho com manteiga. O caso até deu algum alarido de outros doentes que, na situação dele, também tinham fome. Riu-se, depois de contar o caso, mas foi dizendo que a situação está mais para piorar do que para normalizar. , “A idade não perdoa e acudir a todos é difícil”, rematou. Há, na verdade, muito para fazer, até porque não se compreende como um doente espera 18 horas num hospital aureolado para fazer um RX a um pé que nem fraturado estava. Não poderia ser um profissional de enfermagem, que tão habilitados estão para tratar males deste género, a assumir responsabilidades, evitando que um idoso aguardasse dia e noite para fazer um RX? GFM