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INVESTIGADORES CRIAM IA PARA DESENVOLVIMENTO DE ANTIBIÓTICOS

SaúdeOnline

2026-05-14 21:06:26

Uma equipa da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, criou um sistema de inteligência artificial generativa que consegue conceber, melhorar e acelerar o desenvolvimento de novos antibióticos, com potencial para revolucionar o combate às infeções resistentes aos medicamentos. A ferramenta, denominada ApexGO, foi desenvolvida sob liderança do investigador espanhol César de la Fuente e utiliza modelos computacionais para identificar compostos existentes e otimizá-los, gerando novas moléculas com maior capacidade de eliminar bactérias. Segundo os investigadores, o sistema permite transformar modelos moleculares em candidatos terapêuticos reais com uma velocidade e precisão muito superiores aos métodos tradicionais, reduzindo processos que demorariam anos para apenas algumas horas. O foco da tecnologia está nos peptídeos, pequenas moléculas com potencial antibacteriano. Em vez de procurar apenas substâncias já conhecidas, a IA parte de estruturas existentes e sugere modificações que podem aumentar a sua eficácia. Para validar o sistema, os cientistas começaram com dez peptídeos base, geraram novas versões e testaram cerca de 100 compostos em laboratório, avaliando a sua eficácia contra bactérias e possíveis efeitos tóxicos. Os resultados foram particularmente promissores contra bactérias Gram-negativas, responsáveis por algumas das infeções hospitalares mais difíceis de tratar. “O ApexGO demonstra que a IA pode ser utilizada para mais do que prever moléculas: pode ajudar a melhorá-las”, afirmou César de la Fuente, sublinhando que o sistema permite explorar novas possibilidades moleculares que podem depois ser sintetizadas e testadas em laboratório. Os investigadores destacam que a resistência aos antibióticos é uma das maiores ameaças atuais à saúde global e defendem que ferramentas como esta podem acelerar significativamente o desenvolvimento de novas terapias. O estudo foi publicado na revista científica Nature Machine Intelligence e aponta para um futuro em que a inteligência artificial poderá desempenhar um papel central na descoberta de medicamentos. LUSA/SO Sílvia Malheiro