HONDA COM PRIMEIRO PREJUÍZO ANUAL EM QUASE 70 ANOS APÓS REVER ESTRATÉGIA ELÉCTRICA
2026-05-14 21:06:09

Resultados da marca nipónica são os piores desde a sua entrada em bolsa, em 1957, mas Honda espera regressar aos lucros já neste ano fiscal. Optimismo levou o mercado a responder positivamente. A Honda Motor sofreu, no último exercício, o seu primeiro prejuízo anual em quase 70 anos como empresa cotada em bolsa, de 2,7 mil milhões de dólares (mais de 2300 milhões de euros), depois de ter tido de encaixar mais de nove mil milhões de dólares (7693 milhões de euros) em custos de reestruturação e amortizações, decorrentes da decisão da empresa de abandonar a sua meta de electrificação. Toshihiro Mibe, presidente-executivo (CEO) da segunda maior fabricante de automóveis do Japão, afirmou na quinta-feira, citado pela Reuters, que a Honda está a abandonar a sua meta de os veículos 100% eléctricos representarem um quinto das suas vendas de automóveis novos em 2030, bem como a meta de uma transição total para a venda de veículos eléctricos ou a pilha de combustível até 2040. Mibe afirmou ainda que a Honda irá suspender indefinidamente o seu projecto de veículos eléctricos no Canadá, um plano de investimento de 11 mil milhões de dólares (9402 milhões de euros) para produzir veículos eléctricos e baterias, que teria sido o maior investimento de sempre da empresa japonesa no país. Em Março, o director-executivo da Honda anunciou o cancelamento de três importantes modelos eléctricos originalmente destinados ao mercado norte-americano e outros dois estão em banho-maria: um, de baixo custo, desenvolvido em parceria com General Motors e outro em conjunto com a Sony. A marcha-atrás na estratégia da Honda deve-se à quebra na procura de veículos eléctricos, sobretudo nos EUA, o maior mercado automóvel do emblema, onde as vendas recuaram cerca de 4% em relação ao ano anterior. E não é a primeira baixa que a falta de interesse dos norte-americanos nos eléctricos provoca: no fim do ano passado, a Ford Motor anunciou esperar um impacto negativo de 19,5 mil milhões de dólares (16.595 milhões de euros, ao câmbio da altura), depois de ter decidido descontinuar vários modelos 100% eléctricos, naquele que foi lido como o exemplo mais dramático até agora da retirada da indústria automóvel dos modelos movidos a bateria, em resposta às políticas da Administração Trump. Acções sobem com manutenção de dividendos Apesar dos prejuízos, as acções da Honda atingiram brevemente o seu máximo em dois meses antes de fecharem com uma subida de 3,8% na quinta-feira, depois de a empresa ter prometido pelo menos 800 mil milhões de ienes em retornos aos accionistas ao longo de três anos e mantido o dividendo anual, tanto para o novo ano fiscal como para o ano que acabou de terminar, de 70 ienes por acção. A pesar nesta movimentação esteve também o lucrativo negócio de motociclos, que sustentou a liquidez para permitir a distribuição de dividendos pelos accionistas. “A divisão de motociclos irá expandir a capacidade de produção na Índia... e tem como objectivo atingir um recorde de vendas de 22,8 milhões de unidades”, afirmou a Honda num comunicado sobre os resultados financeiros, citado pela Reuters. Além disso, a empresa disse esperar um lucro líquido de 260 mil milhões de ienes (1400 milhões de euros) no corrente ano fiscal, que termina em Março de 2027. Toshihiro Mibe durante a conferência de imprensa em que anunciou os resultados financeiros da Honda FRANCK ROBICHON/EPA Reuters