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PENAMACOR - NETOS DE ABRIL RECRIAM MANIF DA LIBERDADE

Reconquista

2026-05-14 21:06:09

RIBEIRO SANCHES ENSINA HISTÓRIA DE MANEIRA DIFERENTE Netos de Abril recriam manifestação da liberdade PENAMACOR Agrupamento de escolas desfli ou pela vila no aniversário da primeira festa em democracia, juntando várias gerações. jose.furtado@reconquista.pt Os netos e bisnetos dos que há 52 anos saíram à rua em Penamacor para a primeira manifestação em liberdade encheram de cravos, palavras de ordem e alegria o caminho entre a escola e a câmara municipal. A 5 de maio de 1974, cerca de 1500 pessoas celebraram na vila o fim da ditadura. A 6 de maio de 2026 foi a vez de a comunidade escolar garantir que a liberdade continuará a ser vivida com naturalidade. A ideia partiu de uma fotografia daquele dia, através da qual os alunos foram à procura de uma outra perspetiva, até então desconhecida, deste acontecimento histórico. “Não se costuma saber o que se passou no 25 de Abril no interior por isso é interessante”, diz Mateus Martins, de 16 anos, que estuda no 10.º ano e vai na manifestação como músico da fli armónica. A procura de respostas sobre o que foi aquela época não se limitou ao que aconteceu naquele dia de maio de 1974. Também entrevistou o avô para um projeto de Português da escola e fci ou a conhecer na primeira pessoa como é que ele tinha vivido o início da revolução estando em África, onde combatia na guerra colonial. Mateus nasceu numa democracia consolidada, mas não parece dá-la como garantida. “É bom pensarmos na liberdade que temos agora”. “Nós já nascemos num país democrático, mas lutamos na sombra de todas as pessoas como os nossos avós, que lutaram para termos educação e o Serviço Nacional de Saúde”. A frase é dita por Beatriz Curto, de 15 anos, talvez uma das alunas mais empenhadas durante o percurso. De megafone em punho, lenço palestino pousado nos ombros e com um autocolante onde se lê “fascismo nunca mais”, diz que a luta é importante porque “vemos cada vez mais crises”, no clima, na habitação, no aumento dos ataques racistas e na violência doméstica, exemplos que aponta com convicção. Os cartazes que os alunos ergueram expressavam estes temas em forma de palavras de ordem com 52 anos, mas também com assuntos que em 1974 estavam longe do quotidiano, como a inteligência artifci ial. Também aqui houve trabalho a ser feito nas salas de aula, onde professores como Paulo Chambino puxaram pelos jovens. No seu caso, o ponto de partida foram os autocolantes da época revolucionária, através dos quais foi dada “liberdade total aos alunos que se expressassem como quisessem”. Os desenhos que resultaram desse exercício foram transformados em autocolantes que os manifestantes usaram, que podem ser vistos numa exposição no Museu Municipal de Penamacor. Para este professor, que viveu os primeiros quatro anos de vida ainda em ditadura, é à sua geração “que cabe consciencializar esta gera-ção para a importância da liberdade”. “É muito importante os nossos alunos trabalharem isso e conhecerem. E estamos a fazê-lo desde os mais de tenra idade”, diz Paula Vaz, a diretora do Agrupamento de Escolas Ribeiro Sanches. Antes da chegada à câmara municipal, os jovens de hoje e os de ontem estiveram juntos na passagem pelo Lar Dona Bárbara Tavares da Silva, onde pararam para cantar a “Grândola”. Maria Augusta, que tinha 21 anos quando conheceu a liberdade, guarda ainda as memórias de um dia “um bocado confuso” em que não se percebeu logo ao que vinham os militares e qual seria o desfecho. A ditadura marcou a sua família tal como tantas outras. O pai, que chegou a fazer parte da Legião Portuguesa instituída por Salazar, “esteve quase a ser preso, se não fosse uma pessoa da terra a interceder por ele”. O pecado foi ter apoiado Humberto Delgado nas eleições de 1958, em que o general ameaçou demitir o ditador. MEMÓRIA A crónica do que foi aquele 5 de maio de 1974 está imortalizada no Reconquista, numa notícia a duas colunas e sem foto. A manifestação “deveras impressionante” juntou “um numeroso grupo de habitantes deste concelho”, dirigido por António Manuel Gaspar. Eram 15H00 quando partiram do terreiro de Santo António, ao lado da câmara, com a filarmónica União de Aldeia de João Pires, que 52 anos depois esteve novamente presente. Na chegada ao quartel, houve discursos e uma das professoras ofereceu aos militares um cravo gigante com uma dedicatória: “Em nome do professorado de Penamacor, ofereço este cravo que em cada pétala leva um agradecimento às Forças Armadas”. Os manifestantes regressaram ao terreiro e continuaram a festa com a fli armónica e o Rancho Folclórico de Aranhas, que se prolongou “até adiantadas horas da noite”. Vídeo em reconquista.pt Manifestações aconteceram com 52 anos de distância José Furtado