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VINAGRETAS

Campeão das Províncias

2026-05-14 21:02:08

NÃO GANHARAM PARA O SUSTO! Criança desaparecida estava, na verdade, dormir a sesta no armário Toda a gente sabe, - até quem não tem flhos -, que as crianças podem ser uns verdadeiros traquinas. Vários especialistas defendem que uma dose equilibrada de traquinice é saudável e faz parte da infância, no entanto, muitas vezes vem aliada a uns belos sustos que deixam qualquer um sem fôlego. Foi isso mesmo que aconteceu, recentemente, em Lousada, no distrito do Porto. Uma família viveu momentos de angústia e afição depois de não conseguir encontrar um menino de três anos dentro de casa. O pânico instalou-se, já que, do nada, a criança desapareceu e não estava em parte nenhuma do imóvel. Durante duas horas, familiares e vizinhos desesperaram por não saberem do paradeiro do pequenino e, por isso, as autoridades foram alertadas e, nas redes sociais, começaram a circular apelos que mobilizaram a comunidade local.com receio que, sem que ninguém se apercebesse, o menino tivesse deixado o interior da casa, os pais tentaram reunir o máximo de ajuda possível e a tensão instalou-se. Contudo, nem tudo o que parece é e, felizmente, tudo não passou disso mesmo: um grande susto. Ao procurá-lo ainda dentro do apartamento, a Guarda Nacional Republicana (GNR) encontrou um cenário de verdadeira doçura. O pequenito estava apenas a descansar, tranquilamente, dentro de um armário. Ora, bem sabemos que as crianças gostam de dormir o seu soninho descansadas e foi isso que este menino decidiu fazer. De facto, os armários não são o sítio mais comum para o efeito, contudo, talvez este pequeno traquina quisesse viver uma aventura nova. E conseguiu! É que, ao longo de duas horas, conseguiu parar o mundo de dezenas de pessoas. Assim que acordou, foi ter com os seus pais de forma completamente espontânea, como se nada tivesse acontecido. Digam lá que a inocência de uma criança não é uma verdadeira ternura? PARA DESGRAÇAS, JÁ BASTAM AS QUE TEMOS! Isaltino quer contratar médicos e enfermeiros O Presidente da Câmara Municipal de Oeiras veio a terreiro dizer que vai propor à ministra da Saúde que a gestão do Centro de Saúde de Oeiras passe para a tu-tela da autarquia que lidera. Isaltino Morais é demais conhecido pela forma directa e até “desbocada” com que diz tudo, muitas vezes, sem fltros. A proposta, que já foi colocada à administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, funcionaria em regime de projecto-piloto pelo período de cinco anos, com o objectivo de aliviar as urgências hospitalares e melhorar a assistência aos utentes. A sugestão do edil passa por querer que a autarquia tenha o poder de contratar médicos, enfermeiros e auxiliares. Por mais que a ideia seja positiva, há coisas que não podem ser confadas a quem não tem aptidão técnica nem capacidade para tal. Por mais que o Estado falhe todos os dias aos portugueses num direito elementar. Por mais que a revolta possa ser grande. Por mais que nos custe a todos. A gestão política da Saúde tem de ser confada a quem, aconselhado, percebe da “poda”. Sobrepor poderes (sem crivo) é deixar (ainda mais) à deriva um Serviço Nacional de Saúde que precisa de conhecimento e cuidado e não de demagogia política. Que este caso não incentive outros a seguir o mesmo caminho. Para desgraças, já bastam as que temos! O MUNDO MUDOU E ?ÀS VEZES? ISSO NÃO É BOM O telemóvel destronou o livro ou o jornal nos transportes O caso que iremos descrever é, provavelmente, transversal em todo o País, com mais visibilidade nas grandes cidades, onde está mais à vista do cidadão comum. O Mundo mudou, é certo, mas em algumas situações não foi para melhor. Sabemos que as tecnologias, os telemóveis, as redes sociais e toda a panóplia de opções, vieram para fcar. Mas tudo isso tem um preço, que nos priva de algo que nos acrescenta de outro modo. Falamos do hábito da leitura, seja de jornais ou de um livro (físico), nos transportes públicos. É já raro (para não dizermos impossível) vermos carruagens de metro, comboios ou autocarros à pinha com um livro na mão ou um molho de jornais debaixo do braço. A leitura, que em Portugal nunca superou recordes, está cada vez mais nas ruas da amargura. Bem sabemos ser possível fazê-lo nos écrans, mas duvidamos que as escolhas sejam essas, quando o poder das redes sociais e do hábito infnito de fazer scroll vence qualquer outra guerra. A leitura à moda antiga não pode ser aniquilada só porque os tempos mudaram, ela não se desadapta, simplesmente coexiste com os novos tempos. A escolha está nas decisões que os utilizadores tomam. Não, a internet não dá todas as respostas, muito menos informação detalhada e fável que oferece um jornal ou a riqueza ímpar de um livro. Queremos mesmo matar-nos com a voracidade fácil e as opções de plástico que estamos a tomar? Pensem nisso e decerto que olharemos de outro modo para a forma como nos deixámos aprisionar pelo clique cego e fácil. v i n a g r e t a s A OCASIÃO FAZ O... COZINHEIRO Assaltaram o restaurante “Cova Funda”, mas o gás levou a melhor O restaurante Cova Funda, na Baixa de Coimbra, foi assaltado na madrugada da passada quinta-feira (7). As caixas registradoras fcaram danifcadas, foram roubadas bebidas e o estabelecimento foi vandalizado. Como se não bastasse a audácia de mexer com o sustento de quem lá trabalha, os ladrões ainda decidiram ser engraçadinhos. Antes de fugirem, acharam que seria boa ideia fazerem uma refeição no local e, por isso... tentaram cozinhar. É verdade, ao se aperceberem da carne que o restaurante tinha guardada, decidiram usá-la mesmo ali. No entanto, estes masterchefs não tiveram muita sorte, já que não conseguiram ligar o gás. Não se sabe que petisco estavam a planear executar, e muito menos o que lhes passou pela cabeça para se armarem em cozinheiros durante um assalto. O certo é que este acto insólito põe a descoberto o à vontade que, actualmente, existe em cometer um crime como este. É que, até então, o normal seria os ladrões quererem terminar o assalto o mais rapidamente possível com medo de serem apanhados. Ora, cozinhar um belo bitoque e ainda comê-lo não é propriamente rápido. Contudo, também temos de tentar colocar-nos no sapato do outro. Quando a fome aperta, o cérebro perde a capacidade de pensar em condições e, vejamos bem, a carninha estava mesmo ali a olhar para eles com cara de “come-me”. Se há quem diga que “a ocasião faz o ladrão” porque não assumir que, neste caso, a ocasião fez o cozinheiro? Ou, pelo menos, tentou, já que eles bem quiseram, mas foram tramados pelo gás. É que uma coisa é ser inteligente para invadir os espaços alheios, outra é fazer uma coisa difcílima como abrir o gás. Uma chatice não terem conseguido. Seria uma óptima oportunidade para ganharem uma alcunha como os assaltantes profssionais. A deles seria: “ladrões gourmet”. A VERDADEIRA QUEIMA Parece que a tentativa de ter o espírito académico na capital acabou antes de a primeira imperial ser tirada. Lisboa tentou vestir o traje e organizar a sua própria Queima das Fitas, mas o resultado foi um balde de água fria. Aqui estão os detalhes desta “quase-festa”, com o devido respeito a quem realmente sabe o que é uma noite de Queima: A Federação Académica de Lisboa tinham tudo planeado para estes dias 15 e 16 de Maio, no Estádio Universitário. O cartaz estava montado, os bilhetes estavam à venda e a promessa era de 5.000 pessoas por dia. Mas, tal como um caloiro que se perde no caminho para a Faculdade, o evento foi cancelado a menos de uma semana da data. Pelos vistos, a logística lisboeta não aguenta o ritmo das tradições seculares de Coimbra e seguidas pelo Porto. Enquanto na Queima de Coimbra ou do Porto a festa só acaba quando o sol nasce (por volta das 6h00), em Lisboa a Câmara Municipal decidiu que à 1:00 era hora de ir para a cama. A organização lamenta que os prédios habitacionais atrás do Estádio Universitário tenham sido um entrave devido ao ruído. Pelos vistos, em Lisboa, duas noites de festa num ano inteiro é pedir demais à vizinhança, enquanto em Coimbra, no Queimódromo, são nove noites seguidas (22 a 30 de Maio). Para os estudantes de Lisboa resta o consolo de que a parte solene - a benção das ftas e a serenata (?) - ainda se mantém. Quanto aos concertos e à verdadeira “poda”, parece que os estudantes da capital vão ter de continuar a apanhar o comboio para Coimbra se quiserem ver como se faz uma Queima a sério. MAIS EUROPEU NÃO HÁ Parece que Portugal decidiu, finalmente, ganhar uma medalha de ouro: a de “Melhor Aluno da Turma Europeia”. Enquanto o resto da Europa olha para Bruxelas com aquele cepticismo de quem espera uma encomenda que nunca chega, os portugueses estão prontos para tatuar as doze estrelas no braço. Diz o Eurobarómetro que 93% dos portugueses veem a UE como um factor de estabilidade. Basicamente, se a UE fosse uma banda de rock, Portugal seria aquele fã que dorme à porta do estádio só para ver o soundcheck. Enquanto a média europeia de confança se fca pelos 51%, nós atingimos uns orgulhosos 73%. É o nível mais alto desde 2019, o que prova que, quanto mais o mundo parece um flme de terror, mais nos queremos agarrar à “saia” da mãe Europa. Somos muito europeístas, sim senhor, mas não nos peçam para pagar a conta do jantar. Queremos que o orçamento da UE vá para o emprego, assuntos sociais e saúde (66% em Portugal contra 41% na Europa). É o clássico: “Amo-te muito, Europa, agora ajuda-me a pagar a renda”. Mas não se pense que os portugueses só olham para o umbigo, porque estão particularmente nervoso com o que se passa lá fora. A guerra na Ucrânia tira o sono a 42% dos portugueses, o dobro da média europeia (20%). Talvez por isso, 81% de nós quer uma política comum de defesa, queremos que a Europa nos proteja, de preferência com um escudo que também bloqueie a infação. Curiosamente, os jovens entre os 15 e os 24 anos são os mais optimistas (68%). É bom ver que as novas gerações ainda acreditam no Pai Natal... ou, neste caso, na Comissão Europeia. Para eles, a UE é sinónimo de paz, democracia e Estado de direito. É uma visão romântica, quase poética, que provavelmente sobrevive até à primeira vez que tentarem pedir um crédito habitação. COIMBRA QUER SER BRIOSA Parece que Coimbra fnalmente percebeu que o Estádio Cidade de Coimbra serve para mais do que receber grandes concertos, ou alojar grandes e prestigiadas empresas. A cidade acordou do seu sono para se lembrar que a Briosa existe, respira e, milagrosamente, está prestes a fugir do “calvário” da Liga 3. No próximo sábado, dia 16, às 16h30, o adversário da Académica-OAF será o Trofense, que, esperamos, não terá a ingrata tarefa de tentar estragar a festa em pleno Calhabé. A matemática é simples, até para quem não é de Engenharia: o objectivo é a subida directa à Liga 2. A equipa vem de uma reviravolta épica contra o Mafra, com golos que fzeram muita gente acreditar que, se calhar, Deus é mesmo estudante em Coimbra. As redes sociais estão mais quentes do que a Praça da República numa noite de Queima e a Bancada Nascente Inferior do Estádio já foi à vida. O objectivo é meter 15.000 pessoas lá dentro, só para mostrar que a Liga 3 é pequena demais para a Briosa. E o apelo é claro: nada de polos coloridos, pois a ordem é aparecer de capa e batina para intimidar o adversário com o peso da tradição. À volta do Estádio prepara-se um “Inferno Negro”, pois está a ser organizada uma recepção ao autocarro da Académica com tochas e fumos. Por isso, se vires uma nuvem preta sobre Coimbra, não é trovoada, é só a malta a tentar garantir que os jogadores entram em campo a sentir que devem a vida à cidade. Como a Briosa depende praticamente de si mesma para devolver Coimbra ao mapa do futebol profssional, deixem os estudos de lado por umas horas. É tempo de acabar com o sofrimento e mostrar que, em Coimbra, quem manda ainda é a lição - mas, desta vez de bola! LÁ SE VÃO OS PINHEIROS Parece que em Coimbra nem só os estudantes têm dificuldades em “criar raízes”, porque, agora, até os pinheiros-mansos da Avenida Elísio de Moura decidiram que o subsolo da cidade é demasiado claustrofóbico para os seus padrões. Graças a um parecer técnico da Universi-As raízes estão a destruir lancis dade de Coimbra, e a levantar o chão descobriu-se que as árvores andavam a sofrer de um “efeito de colete-de-forças”. Pelos vistos, alguém no passado achou que plantar árvores sobre um antigo pavimento enterrado era uma ideia brilhante de design urbano. As raízes, impedidas de descer por uma barreira impermeável, decidiram revoltar-se, destruindo lancis e levantando o chão. A sentença é o abate dos pinheiros, uma decisão apoiada até pelo movimento ClimAção Centro, que admite que o erro histórico de planeamento não deixa alternativa. Embora a Câmara não queira entrar em detalhes numéricos, estima-se que até 47 pinheiros-mansos passem pelas mãos da serra eléctrica. E não deixa de ser irónico que, numa cidade que tanto se orgulha das suas fundações históricas, sejam precisamente as “fundações” mal feitas de uma avenida a ditar o fm de dezenas de árvores. Resta-nos esperar que, na próxima vez que alguém decidir plantar algo em Coimbra, se lembrem de verifcar se não há uma estrada romana ou um pavimento do século passado a servir de “tampa” para a natureza. ANA “VRUM” ABRUNHOSA Há quem diga que para ser presidente da Câmara de Coimbra é preciso ter voz grossa e mão frme, mas Ana Abrunhosa veio provar que, às vezes, basta um bom par de cordas vocais e ausência de complexos. À margem do Vodafone Rally de Portugal, que teve Coimbra como pista de arranque, a autarca protagonizou um momento que nenhum consultor de imagem conseguiria prever. Abordada por um jovem do ACP para uma entrevista que se queria “fora do registo habitual”, a presidente, com o microfone à frente e o espírito de piloto de fm-de-semana, decidiu que a melhor forma de comunicar com as massas era... imitar o som de um carro de rally. Entre o riso e o espanto, a autarca arrancou gargalhadas à assistência com a sua onomatopeia motorizada ”vrum-vrum”.