NORDESTE TRANSMONTANO - MOVIMENTO CÍVICO PELO HELICÓPTERO QUE SALVA VIDAS NASCE EM BRAGANÇA
2026-05-14 21:02:04

// Nordeste Transmontano Movimento cívico criado pela man dos meios de socorro à populaçã Para além da saída do helicóptero de Macedo de Cavaleiros, reorganização do INEM pode implicar a perda de uma d A população brigantina começa a organizar-se para combater a anunciada intenção de retirar o helicóptero do INEM sediado em Macedo de Cavaleiros para o hospital de S. João, no Porto, a partir de 2030. Em face às declarações da Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM em que anunciou a intenção de refundar o INEM até 2030 e em que uma das medidas elencadas era, precisamente, a retirada dos helicópteros do interior do país para o litoral, foi já criado um Movimento de Cidadãos "Helicóptero em Trás-os-Montes para salvar vidas". "Ao contrário daquilo que alguns tentaram transmitir à opinião pública, o helicóptero é mesmo para sair de Macedo de Cavaleiros. E foi a senhora Ministra quem o disse, não o mandou dizer por ninguém. Nessa referida comissão, a Ministra da Saúde disse que ficariam bases operacionais de primeira intervenção nos hospitais, neste caso de São João, Coimbra, Santa Maria e Faro, e bases logísticas de retaguarda em apoio alternativo em Macedo Cavaleiros, Viseu, Évora e Loulé. Portanto, a questão aqui é muito simples: ou a região se mobiliza em defesa da manutenção do helicóptero em Trás-os-Montes para salvar vidas, ou então, se não for antes, no fim do contrato, como diz o senhor presidente do INEM, em 2030 a região ficará sem helicóptero", sublinha Carlos Fernandes, percussor deste movimento de cidadãos. Natural de uma aldeia no coração do Parque Natural de Montesinho, Carlos Fernandes tem sido um cidadão ativo em defesa de algumas causas na região, como já foi a recu-peração da Estrada Nacional 308-3, entre Bragança e Dine, o Plano de Ordenamento do Parque Natural de Montesinho ou a chamada lei dos poços que, em 2010, gerou grande contestação dos agricultores transmontanos, que levou mesmo o Governo de José Sócrates a colocar um travão na sua implementação. Agora, Carlos Fernandes entende que este é um assunto "demasiado sério" para a população ficar de braços cruzados. "Já ficámos sem outras coisas há 30 anos, há mais de 30 anos que andamos a ficar sem coisas, e o argumento é sempre o mesmo: otimização de meios, otimização de recursos, é tudo para otimizar. Engraçado, eu até pensei que quisessem otimizar com esta extinção da direção executiva do Serviço Nacional de Saúde, porque se calhar com o vencimento desta comissão executiva ajudávamos à manutenção do helicóptero em Trás-montes, porque a direcção executiva do Serviço Nacional de Saúde, se não fosse grave, se não fosse "lirismo" partidário, era um enchente de rir ", atirou. Carlos Fernandes pretende, agora, mobilizar populações, presidentes de juntas de freguesia e presidentes de Câmara para esta luta. "Nós queremos que o Estado funcione, que o Estado otimize tudo, mas queremos que o Estado saiba, nomeadamente a senhora Ministra da Saúde, que entre Guadramil e a base do heliporto em Macedo Cavaleiros são 76 km e que entre o Portelo e a base do heliporto em Macedo Cavaleiros são 65 km. Se o helicóptero for para o Porto, tem que percorrer mais 205 km. É disto que estamos a falar", sublinhou, em declara-ções ao Mensageiro. "O objetivo é alertar a população Trás-os-Montes para uma questão muito simples: em 2030, se não for antes, vai ficar a região sem helicóptero. Já agora, já agora convém dizer o seguinte: em 2029 vai haver eleições legislativas e, se Deus me der vida e saúde, cá estarei eu a dar a cara para este movimento, para depois ouvir os políticos e os candidatos, para saber o que é que vão dizer sobre isto. Não se esqueçam que em 2029 há eleições legislativas e autárquicas", sublinhou. Por isso, deixa um recado di-rigido aos autarcas da região: "Já estamos habituados à inação. Nada disseram quando foi da extinção da Junta Autónoma de Estradas e da perda de poderes e de competências das infraestruturas no distrito de Bragança para Vila Real. Portanto, se não disserem nada sobre o helicóptero, também já é mais do mesmo", concluiu. Moção aprovada por unanimidade na CIM Douro Certo é que na Assembleia Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), na semana passada, foi aprovada, por unanimidade, uma moção apresentada pelo deputado de Torre de Moncorvo, Rui Lázaro (PS). Recorde-se que a CIM Douro é presidida pelo presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, João Gonçalves, e engloba 19 concelhos dos distritos de Bragança, Vila Real, Viseu e Guarda (Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, nutenção ão em Trás-os-Montes as duas ambulâncias SIV sediadas no distrito de Bragança. Freixo de Espada à Cinta, Lamego, Mesão Frio, Moimenta da Beira, Murça, Penedono, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, São João da Pesqueira, Sernancelhe, Tabuaço, Tarouca, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa e Vila Real). Nesta Moção de Manifestação de oposição à retirada dos helicópteros de emergência médica de Macedo de Cavaleiros e Viseu, defende-se que "os helicópteros de emergência médica constituem um pilar basilar da resposta do Estado em matéria de proteção da vida humana, garantindo rapidez, diferenciação clínica e o mínimo de equidade no acesso aos cuidados de saúde, sobretudo em territórios do interior, marcados pela dispersão populacional, menos unidades de saúde, menos meios de emergência médica e maiores tempos de acesso às unidades hospitalares de referência". Por outro lado, a moção, aprovada por unanimidade no dia 08 de maio, sublinha que "os helicópteros sediados em Macedo de Cavaleiros e Viseu desempenham há vários anos uma missão crítica no socorro e transporte de doentes urgentes, assegurando cobertura operacional a vastas áreas do Norte e Centro interior do país, onde os tempos de resposta terrestre são frequentemente incompatíveis com situações clínicas tempo--dependentes, como trauma grave, AVC, enfarte agudo do miocárdio, emergência pediátrica, acidentes em zonas remotas, entre outros". O autor da moção lembra, ainda, que "nos últimos dois meses, estes dois helicópteros realizaram um total de 115 missões, das quais 85 em período diurno e 30 em período noturno". "Senhores deputados, estes números representam uma média de 690 missões por ano. São 690 vidas dos nossos concidadãos salvas por este serviço essencial", sublinhou Rui Lázaro, que é, também, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar do INEM. "A eventual retirada, deslocalização ou desativação noturna destes meios representa um grave retrocesso na coesão territorial e na igualdade de acesso aos cuidados de saúde de emergência, penalizando populações já afetadas pela desertificação, menor número de meios de emergência médica e hospitais, e perda progressiva de serviços públicos essenciais", frisou. De acordo com Rui Lázaro, a retirada destes meios aéreos do interior do país significa "o aumento dos tempos de resposta às situações mais graves em emergência médica; A diminuição da capacidade operacional do sistema integrado de emergência médica no in-terior do país; O agravamento das assimetrias regionais entre litoral e interior; O risco acrescido para a vida e segurança das populações; A sobrecarga de outros meios de emergência médica por si só, já limitados". Assim, a Assembleia Intermunicipal do Douro, presidida por Fernando Lobão (Lamego), deliberou: "1. Manifestar total oposição à retirada ou desativação total ou parcial dos helicópteros de emergência médica sediados em Macedo de Cavaleiros e Viseu; 2. Exigir ao Governo e às entidades competentes a manutenção integral da operacionalidade destes meios aéreos de emergência médica; 3. Defender o reforço do investimento no sistema de emergência médica aérea, particularmente nos territórios do interior; 4. Solicitar transparência pública relativamente a quaisquer processos de reorganização do dispositivo do Instituto Nacional de Emergência Médica." "Para mim, a moção apresentada na passada sexta-feira na Assembleia Intermunicipal do Douro, contra a retirada dos helicópteros do INEM de Macedo de Cavaleiros e de Viseu, bem como contra qualquer redução do dispositivo do INEM, que foi votada e aprovada por unanimidade pelos representantes dos 19 municípios, representa, de forma inequívoca, a determinação dos autarcas que integram a CIM Douro na defesa dos interesses das populações dos 19 concelhos, independentemente da sua cor partidária, rejeitando qualquer tentativa de retirar serviços de emergência médica essenciais aos cidadãos da região", sublinhou Rui Lázaro, em declarações ao Mensageiro. "Esta posição deve ser tida em conta pelo Governo e levá-lo, de uma vez por todas, a desistir de uma medida absurda e sem qualquer sustentação técnica ou operacional", frisou. Rui Lázaro lembra, ainda, que "esta alteração ao dispositivo já foi amplamente tentada e escrutinada em 2012, o que levou ao seu abandono", na altura, pelo Governo de Pedro Passos Coelho (PSD). Presidente da Câmara de Bragança mostra "grande preocupação" com esta questão Quem já manifestou "grande preocupação" com esta questão foi a presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira. "De facto, o que foi dito no Parlamento e também pelo Ministério da Saúde, através do INEM, que até 2030 have-ria a possibilidade de retirar os quatro helicópteros que estão descentralizados, foi este o termo utilizado, para territórios mais centrais". "Portanto, só este princípio já está totalmente desequilibrado", frisou a autarca. Isabel Ferreira diz, ainda assim, estar "confiante que isso não aconteça porque era um grande golpe nas políticas de coesão territorial, nas políticas de valorização do interior e era tratar os portugueses de forma desigual, considerando que alguns que têm direito à vida têm mais direito à vida do que outros". "Não pode acontecer, não pode mesmo acontecer", sublinhou a autarca brigantina. Para além do helicóptero, Rui Lázaro alerta, ainda, para a possibilidade de sair uma das duas ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) estacionadas no distrito de Bragança, caso as medidas operacionais anunciadas pela Ministra da Saúde na semana passada se concretizem. Atualmente, uma das ambulâncias está estacionada em Mogadouro, no Serviço de Urgência Básica daquela cidade, e a outra em Mirandela, junto à Urgência do hospital local. Rui Lázaro diz não ter dúvidas de que as medidas propostas por Ana Paula Martins "vão provocar mortes" no interior do país. António G. Rodrigues Ministra da Saúde quer deslocalizar helicóptero para o Porto Carlos Fernandes é o mentor do movimento António G. Rodrigues