ATRASOS AGRAVAM MORTALIDADE DO CANCRO GINECOLÓGICO E CUSTAM MILHÕES AO ESTADO
2026-05-13 21:13:20

Os atrasos no diagnóstico e no acesso ao tratamento do cancro do ovário e do endométrio estão a sobrecarregar gravemente o orçamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a comprometer a sobrevivência das doentes em Portugal. De acordo com as conclusões do projeto OncoGyn PT , Diagnóstico, Tratamento e Acesso no Cancro Ginecológico, desenvolvido pela Nova Medical School Scientific Services e apoiado pela biofarmacêutica GSK Portugal, intervir nestas doenças em estádios avançados chega a ser duas a três vezes mais caro para o Estado do que uma abordagem precoce. Este desperdício orçamental decorre de uma jornada da utente complexa e fragmentada, marcada por falhas estruturais na organização dos cuidados, duplicação de exames médicos desnecessários, internamentos repetidos e o recurso a linhas terapêuticas mais prolongadas e dispendiosas, aos quais se somam os pesados custos sociais associados à perda de produtividade e à incapacidade laboral. O fator tempo reflete-se de forma trágica nos indicadores de saúde pública e na mortalidade. No caso do cancro do ovário, que mata anualmente 472 mulheres em Portugal, cerca de 75% dos casos são diagnosticados em fases tardias, momento em que a probabilidade de cura cai drasticamente e a despesa hospitalar dispara. Já o cancro do endométrio, que apresenta taxas de sobrevivência de 80% a 90% se for detetado precocemente, vê a esperança de vida das doentes descer para apenas 15% a 17% quando diagnosticado no estádio IV, exigindo cuidados paliativos e tratamentos de resgate de elevado custo financeiro. Para reverter este cenário de ineficiência e perda de vidas, o White Paper produzido a partir deste estudo propõe medidas urgentes baseadas na evidência científica internacional e nas recomendações de peritos nacionais, destacando-se a criação de uma Via Verde OncoGyn com um Symptom Index para acelerar as referenciações pelos médicos de família, a criação de um Registo Oncológico Interoperável para medir o tempo real até ao início da terapêutica, e a centralização cirúrgica em centros de referência acreditados pela Sociedade Europeia de Oncologia Ginecológica (ESGO), garantindo que a sobrevivência de uma mulher deixa de depender da região do país onde habita. O estudo OncoGyn PT não avança um valor global ou um número exato de milhões de euros para quantificar o desperdício total anual no Serviço Nacional de Saúde. Em vez de apresentar um montante financeiro absoluto, os investigadores e peritos focaram a análise económica na proporcionalidade do impacto financeiro por doente, demonstrando que tratar o cancro do ovário e do endométrio num estádio avançado custa ao erário público duas a três vezes mais do que realizar uma intervenção cirúrgica e terapêutica precoce. A análise económica do projeto foca-se, assim, em provar a ineficiência na gestão dos recursos públicos, apontando que este agravamento de custos decorre diretamente da duplicação desnecessária de exames diagnósticos por falta de sistemas informáticos partilhados, de internamentos hospitalares repetidos devido a complicações clínicas e do recurso a tratamentos substancialmente mais prolongados e dispendiosos nas fases tardias da doença.