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JORGE SAMPAIO "ASSINOU UM CONTRATO DE O DE ANADIA PARA UMA DÉCADA

Diário de Aveiro

2026-05-13 21:13:18

Entrevista Presidente da câmara sublinha que «não há estratégia de um ou dois anos; isso seria um plano de ação». Melhorar a mobilidade no concelho e para o exterior, investimento na habitação, com o «espicaçarx do setor privado, e uma aposta decisiva na educação, com ambição de ensino superior, integram o plano para o futuro do concelho Diário de Aveiro: Qual é o programa para o feriado municipal [amanhã]? Jorge Sampaio: Pelas 10.30 horas, realizaremos uma cerimónia de agradecimento a funcionários da câmara. Vamos distinguir os funcionários com 15 e 25 anos de casa, que têm dedicado a vida à autarquia e aos munícipes. Este ano, incluiremos os funcionários que se reformaram. Há algo mais? Embora não tenha diretamente a ver com o feriado municipal, AS 17 horas de amanhã, será inaugurada a Feira do Ambiente e das Florestas. E, à tarde, decorrerá a Festa do Vale da Bica, na União de Freguesias de Tamengos, Aguim e õis do Bairro, que tem sempre muita gente. Que avaliação faz do estado do concelho? Projetando o fu-turo, até porque anunciou um plano de desenvolvimento para cumprir em dez anos. Quando se quer implementar uma estratégia de desenvolvimento para um território, precisamos de ter ideias, de ter pessoas , o que foi levado em conta na escolha das pessoas para o executivo municipal , e de tempo. Não há estratégia de um ou dois anos; isso seria um plano de ação. Por isso, em contexto eleitoral, apresentámos um contrato de desenvolvimento para uma década. Precisamos desse tempo para efetivar uma grande parte dos projetos que estamos a delinear. Pode dar alguns exemplos? A mobilidade é uma área que queremos trabalhar muito, mas precisamos, primeiro, de a pensar. Pensar a mobilidade no interior do concelho e a mobilidade com a Região de Aveiro, com a Região de Coimbra e com a zona litoral. Também com os portos de Aveiro e da Figueira da Foz, que são muito importantes para as nossas empresas... Depois, a ligação com Viseue, daí, para Espanha. êimportante para o futuro, mas um plano destes não se faz de um dia para o outro. Como será na mobilidade dentro do concelho? Vamos estudar uma mobilidade que seja mais útil às pessoas, com um sistema de transportes funcional, que congregue as duas rodas, a mobilidade rodoviária e a ferrovia. Ainda na mobilidade, “puxar” o Metro Mondego para este território é estratégico? Temos de estudar essa possibilidade com a Região de Coimbra, tendo a consciência de que a probabilidade de virmos, um dia, a iter uma ligação do Metro Mondego nunca poderá acon-tecer a menos de dez anos. Os planos de extensão do metro, para já, não contemplam Anadia, que poderá integrar um estudo futuro. Os planos incluem aconstrução de novas estradas ou melhorar a rede viária atual? são ligações, melhores vias, vias também com parte ciclável, uma rede de transportes públicos estruturada e à dimensão do território, que bem sirva as pessoas nas deslocações entre as freguesias e a sede do concelho, que leve a que não usem todos os dias a própria viatura.. Somos um território plano, pelo que será desejável que as pessoas possam usar mais as bicicletas. Em termos de ligação aos grandes eixos rodoviários, qual é o grande objetivo? Essas vias farão parte do plano que estamos a começar a tra-balhar, com empresas contratadas e com pessoas da área da mobilidade que sabem o que fazem, que têm feito planos no país inteiro Queremos trabalhar com os melhores. Como será no acesso doconcelho à autoestrada? Mantemos a reivindicação da ligação ao nó da A1. Portugal tem três eixos de ligação entre Porto e Lisboa duas autoestradas e uma linha ferroviária. E está a iniciar o processo de construção da ferrovia de alta velocidade. Vamos ter quatro ligações Lisboa-Porto« e que pouco servem Anadia. A alta velocidade não servirá em nada; quanto à Al, o acesso não é muito distante, mas chega a ser “infernal” em termos de trânsito; relativamente à Linha do Norte, só param aqui comboios regionais... Já que o nosso território é cortado por estas linhas de acesso, que tenhamos algumas compensações. ê isso que reivindicamos. Só a criação do nó da Al pode reestruturar toda a mobilidade no concelho. Que planos tem para as estradas concelhias? Temos, no orçamento deste ano, mais de dois milhões de euros só para melhorar as estradas internas. E queremos criar uma estrada , estamos na fase de projeto - para ligar as zonas industriais (ZI). O nó da autoestrada de Amoreira da Gândara vai ligar à ZI de Vale Salgueiro e à ZI de Candieira, em Avelãs de Cima. Queremos construir este anel e só não avançamos já por uma questão financeira. ê para fazer aos pouCOS. Serão vários quilómetros de via, çom ciclovia e dimensionada para camiões, visando tirar o trânsito pesado de algumas localidades. Os fundos europeus não es-tarão ao alcance para a construção de estradas... Vamos ter de fazer isto, ao longo do tempo, com o orçamento da própria câmara. A habitação também é uma prioridade? Estamos a trabalhar num processo que vem do mandato anterior e até temos projetos em fase final. Terminámos o investimento em Ancas, até ao verão queremos finalizar o investimento em curso em Sangalhos, na área da habitação apoiada, e, este mês, iniciar-se-á a obra das Varandas do Parque, no Parque Urbano da cidade, uma operação quase imobiliária, com a qual a câmara pretende espicaçar, um bocadinho, o setor imobiliário, porque sentimos que há muita procura e pouca oferta. Trata-se de um grande investimento camarário, importante para movimentaro o setor. Some-se um projeto para transformar cinco antigas escolas primárias em habitação e, em Sangalhos, estarão concluídos, até ao verão, 21 fogos financiados pelo PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]. é uma área para continuar a investir. Quantas serão as habitações no total e financiadas por quantos milhões? Em Sangalhos, SãO mais de 20 fogos, uns dez nas antigas escolas, vamos construirmais oito ou nove fogos nas instalações das antigas Finanças e serão mais uma vintena de fogos nas Varandas do Parque. Os fogos de Sangalhos serão para arrendamento apoiado e social, en-quanto nas “Varandas”, serão para venda e estamos a estudar condições especiais para jovens. o mesmo acontecerá nas antigas Finanças. Quantos milhões serão para concretizar esta estratégia para a habitação? São quase quatro milhões para as Varandas do Parque.com O resto, investiremos, no total, uns oito milhões de euros , no que está em execução e no que está projetado. Este plano resolverá os problemas de habitação? Não, a procura é grande. A habitação social ajuda muito. Como disse, o projeto das “Varandas” estimulará o setor e estamos a lançar uma nova frente de construção na via que irá do mercado às piscinas. Aí, a câmara também tem terrenos e o objetivo é ter uma nova área habitacional na cidade, fruto da iniciativa privada. Só em último caso é que a autarquia poderá “ir a jogo”. As câmaras não podem resolver o problema da habitação em cada concelho... As câmaras devem agilizar e facilitar processos, para que os privados possam investir. Apostar forte no ensino superior A educação e a cultura são muito importantes para o seu projeto autárquico. Destacou a vontade de trazer o ensino superior para o concelho... Já temos alguma oferta forma-tiva de nível superior, em concreto CTeSP s (Cursos Técnicos Superiores Profissionais), estamos a desenhar pós-graduações com o Politécnico de Coimbrae em diálogo com outras instituições. Mas quer uma licenciatura... Sim. Ño plano a dez anos, pretendemos ter uma oferta estruturada de ensino superior. Temos os pés bem assentes no chão, cientes de que as coisas não são fáceis. Mas estamos determinados a dar passos nesse sentido. A educação é a área da governação local que queremos que passe por uma maior mudança de paradigma. Será pensada de uma forma estruturada em todos os seus ciclos e fases, para que estudar em Anadia seja uma moda, algo que é positivo para os jovens e menos jovens. Que haja aqui uma oferta na formação e qualificação das pessoas em todas as fases da vida. Como será feito? Vamos estruturar a educação do pré-escolar à formação ao longo da vida, visando criar uma ligação entre a oferta edu-cativa que é da responsabilidade do Estado (pré-escolar e 1.0 ciclo, 2.0 e 3.0 ciclos e ensino secundário) e outras vertentes formativas. Por exemplo, no ensino profissional, no âmbito do qual temos uma oferta forte, no secundário e na Escola Profissional, a ideia é compatibilizá-la com as necessidades da região, articulando com O tecido empresarial e encaminhando para O ensino superior, seja para CTeSP s, Cursos Tecnológicos Especializados ou para pós-graduações. Tendo um curso profissional, será importante OS alunos sentirem que podem continuar a sua formação superior em Anadia. Será, igualmente, importante que O nosso tecido empresarial sinta que aquela formação lhe trará proveitos. Pretendemos que toda a oferta educativa e formativa no concelho se abra à população, com microcredenciações, cursos de formação e “workshops”, que sejam úteis do do ponto ponto de de vista vista profissional, profissional, mas mas também também para para a a vida vida das das pessoas. pessoas. E que que sirva sirva a a comuni-comuniE dade dade estrangeira, estrangeira, no no ensino ensino da da língua portuguesa portuguesa e e no no ensino ensino língua da da cultura cultura e e tradições. Note-se Note-se tradições. que que O o agrupamento agrupamento de de escolas escolas tem tem 600 600 alunos alunos não não portugue-portugueses, ses, de de 43 43 países. países. Há Há que que apro-aproveitar veitar a a multiculturalidade, multiculturalidade, in-integrando bem essas pessoas. Sumariando, queremos uma oferta estruturada, que nasce no pré-escolar e vai até ao final da vida. E que haja ligação entre OS agentes. Pressupõe uma boa comunicação entre os agentes.. Têm de comunicar. Sentámos à mesa as várias instituições e vamos fazê-lo muitas vezes. Para trabalhar a oferta formativa que cada entidade pode garantir. O colégio privado também tem de ser puxado para esta rede. E afirmamos o objetivo de mudar o paradigma da educação dos nossos jovens - temos de deixar de os ter agarrados aos telefones, temos de os ter no exterior, a molharem-se, a irem para a lama... Vamos comprar, para cada aluno do1.0 ciclo, um oleado e umas botas para terem na escola e usarem quando chover. Devem ter contacto com a natureza, pelo que vamos criar um jardim e uma horta em cada escola. Há que deixar as crianças serem crianças... Estamos a planear esse trabalho conquistando os pais para este novo modelo. Voltando à licenciatura, está em aberto a instituição que a poderá criar? Com o Politécnico de Coimbra, que é o nosso parceiro, estamos a desenhar cursos de pós-graduação, estudando a possibilidade de cursos na área do desporto e da enologia, assim como estamos a analisar a possibilidade de virmos a ter um doutoramento. A licenciatura ficará para mais tarde? o objetivo é que uma licenciatura venha a ser o corolário deste trabalho, que se iniciará pelas pós-graduações. Para o setor cultural, enunciou o objetivo de edificar uma Escola das Artes. Estamos a dialogar com um parceiro , que ainda não posso revelar - muito interessado em trabalhar connosco. E solicitámos uma reunião ao ministro da Educação, para lhe apresentarmos este projeto. Apostamos num parceiro que dará credibilidade ao projeto e lhe trará “know-how”e em termos de gestão, mas sublinho que esta Escola das Artes deverá assentar muito no nosso associativismo cultural, valendo-se dos conhecimentos dessas instituições, que têm maestros, professores de música, de teatro e de dança. Poderão assumir a sustentabilidade técnica, em conjunto com o parceiro. Assim, poderá ser um “viveiro” de atores e músicos para as associações. Também deverá ser uma escola com ensino articulado, muito na área da música. Gostava muito de, até ao final de 2027, conseguir pôr de pé este projeto. Onde ficará baseada esta Escola das Artes? Vamos aproveitar as antigas instalações do antigo liceu, onde temos uma área muito grande por ocupar. Está definido o investimento necessário e o seu financiamento? Não. Escolhemos o parceiro, vamos reunir com o ministro da Educação, virá depois a fase de projeto e de planeamento das infraestruturas. Como avalia o estado do parque escolar concelhio? Ño prér e 1.0 ciclo, com os investimentos que estamos a terminar, posso dizer que tem muita qualidade. s Ponderamos ampliações em alguns locais, porque o número de alunos tem crescido, e ficaremos com um parque requalificado. Relativamente ao 2.0 e 3.0 ciclos e ao secundário, temos dois locais de ensino público, emAnadia e Vilarinho de Bairro. Em Vilarinho de Bairro, o edifício foi inaugurado em setembro do ano passado, mas a EB 2,3 e Secundária de Anadia tem problemas graves, designadamente a infiltração de água da chuva. o agrupamento de escolas tem alertado a Parque Escolar, com quem a câmara reuniu também. Não pararemos de chamar a atenção enquanto não perceber que tem de olhar para aquela escola e resolver as deficiências. O plano para o desenvolvimento empresarial fala em inovação nas empresas e em captar investimento. Objetivos habituais das câmaras. Como pretende operacionalizar esses objetivos? Neste mês, vamos realizar a hasta pública para a venda de lotes na Zona Industrial de Vale Salgueiro de um terreno que faltava vender na ZI do Paraimo (Sangalhos) enaZ ZI de Amoreira da Gândara, que é bem perto de onde vai ser o nó da autoestrada. Fazemos um trabalho permanente de procura de investidores e, no segundo semestre do ano, vamos criar na câmara uma orgânica forte dedicada à economia local e ao empreendedorismo. E um trabalho permanente, para articular com a nossa diáspora e com as embaixadas portuguesas, com a Agência para O Investimento e Comércio Externo de Portugal e com as empresas que já cá estão. A taxa de desemprego é muito baixa, mas precisamos de valorizar o emprego e de ter uma oferta cada vez mais qualificada e ligada às tecnologias. Qual o papel do turismo no desenvolvimento local? E uma atividade económica de enorme importância. Estamos a trabalhar no eixo do turismo de saúde e bem-estar. Somos o único município da região Centro que tem duas estâncias termais e estamos a dialogar com a Sociedade das ãguas da Curia para que haja uma requalificação das termas e para saber como a câmara se pode envolver. Também estamos a dialogar com os hoteleiros, pois queremos qualificar o espaço da Curia. E, a quatro anos, queremos dar um salto qualitativo no território termal do Vale da Mó, que hoje tem uma unidade pequena, mas queremos desenvolver lá um projeto nesta área. Outro eixo é o enoturismo, onde aparecemos com a marca “Bairrada”, que agrega oito municípios. Fomos fundadores da Rota da Bairrada, projeto âncora do enoturismo de toda região. Ño turismo desportivo, o nosso Centro de Alto Rendimento recebe todos os anos entre 8.000 e 10.000 atletas de mais de 60 países, incluindo campeões do mundo e campeões olímpicos, que escolhem Sangalhos para se prepararem para os grandes eventos. Alguma outra vertente? Estamos a começar a trabalhar de forma mais forte o turismo de negócios, reuniões e congressos.A20 e 21 destemês, vamos acolher O Congresso da Comissão Nacional de Proteção de Crianças e Jovens, participado por mais de 600 pessoas, e vamos ter o congresso da Associação Portuguesa de Infeção Hospitalar, com cerca de 250 pessoas. Em junho, realizar-se-á, em Sangalhos, o congresso nacional do PSD.E, em outubro, teremos mais um evento , estamos a mostrar que Anadia tem capacidade para receber esse tipo de iniciativas. Anadia está satisfeita com a Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Aveiro? As respostas em termos dos centros de saúde têm qualidade. Mas, não compreendemos que O Hospital da Misericórdia de Anadia, que está apetrechado com qualidade, e que tem oferta de serviços de enorme excelência, não esteja a ser totalmente rentabilizado pela ULS. Continuamos a ter listas de espera para cirurgias e em várias áreas lamedicina, quando temos um hospital com ótimas condições, mas que tem, com o Estado, um contrato de prestação de serviços e atos médicos que, chegando-se a final de abril/início de maio, está cumprido. No resto do ano, poderia contribuir mais para a melhoria da prestação de cuidados de saúde aos utentes da região, mas está-lhe vedada essa possibilidade. Já o fizemos sentir à ministra da Saúde e à administração da ULS a ministra prometeu olhar para o processo de outra forma. Mudar de práticas Qual é a prioridade em termos de política ambiental? Aárea dos resíduos passará por uma grande transformação. Queremos mudar o sistema de recolha e estamos a estudar as mudanças a implementar, nomeadamente dialogando com a ERSUC. O serviço é caro e não pode continuar como está... E caro e não temos o resultado final que gostávamos de ter. Vamos dizer aos cidadãos que a câmara está disponível para investir, mas pedindo que façam a parte que lhes compete, que passa pelo civismo: não ir ao contentor do lixo, vê-lo cheio e deixar resíduos no chão; ounão despejar lixo onde não se deve. Há municípios a apostar na recolha porta a porta, e a instalar tecnologia que identifica o utilizador e quantifica os resíduos depositados. Estamos a analisar diversos modelos, para determinar o que faremos. Einevitável que o cidadão assuma a sua quota parte neste processo e nos seus custos? Não há outra hipóteses. Tem de perceber que não está sozinho na sociedade. Como está o território em termos de água e de saneamento? No abastecimento de água, não aderiremos a sistema multimunicipal, porque temos sistema próprio, com qualidade e quantidade de água. Continuaremos a investir, este ano, com obras de renovação em alguma rede. Falta levar a rede de abastecimento a quatro ou cinco localidades na zona mais nascente e florestal do concelho, porque temos de transportar para lá, diariamente, água para reservatórios. Nãohá tensão entre os investimentos e a receita obtida com a água? Sim, mas é um investimento para servir a população. Devemos ter a água mais barata da região e uma das mais baratas do país. E não queremos abdicar disso. Todos os anos, a ERSAR aconselha o aumento do preço, para que haja um equilíbrio entre os custos e ganhos, mas respondemos que vamos manter um custo mais baixo. Porque a água é um bem essencial, embora deva haver uma responsabilização dos cidadãos, para que não haja desperdício. Qual e a cobertura em termos de saneamento? Anda nos 95 por cento e o sistema também é local, as ETAR São nossas. Na água e no saneamento, continuamos a investir: mais de milhão e meio este ano, em cada uma das redes. 75 A Escola das Artes deverá assentar muito no associativismo cultural, valendo-se dos conhecimentos dessas instituições