pressmedia logo

LABORATÓRIO CHINA-PORTUGAL COM IMPACTO NA SAÚDE PÚBLICA GLOBAL

Observador Online

2026-05-13 21:02:11

O laboratório de prevenção e controlo de epidemias integra medicina convencional e tradicional chinesa e é o único do género a ligar instituições de investigação da China com a Europa ocidental. Uma investigadora do Laboratório Conjunto China-Portugal para Inteligência Artificial e Tecnologias da Saúde Pública disse esta quarta-feira à Lusa que o projeto está a ter “impacto direto na saúde pública global”, com várias inovações de combate a epidemias. “Este laboratório é a prova de que a ciência pode ser um elo de ligação entre culturas e sistemas de saúde distintos,” afirmou à Lusa Lara Lopes, também diretora clínica do Hospital de Medicina Chinesa em Portugal. Segundo a investigadora, o objetivo é desenvolver “soluções práticas, acessíveis e eficazes para responder às necessidades reais das comunidades lusófonas”, através de “tecnologias simples, de baixo custo e com capacidade de resposta rápida, desenhadas para contextos onde os recursos são limitados, mas a urgência é elevada”. Criado em dezembro de 2024, o laboratório resultou de uma parceria entre o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores - Investigação e Desenvolvimento, a Universidade de Medicina de Guangzhou, o Laboratório Nacional de Guangzhou e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. O laboratório opera em regime de cogestão, com equipas em Lisboa, Porto, Coimbra, e nas cidades chinesas de Macau, Cantão e Chengdu. A missão é integrar dados multimodais, desenvolver tecnologias de previsão epidemiológica e diagnóstico de precisão, além de construir uma plataforma inteligente para a prevenção e controlo de epidemias relevantes para os países de língua portuguesa. Segundo comunicados anteriores, trata-se do único laboratório do género a ligar instituições de investigação da China com um país da Europa ocidental. A diretora do laboratório indicou à Lusa que o projeto já desenvolveu uma linha de produtos de saúde pública classificados como soluções de baixo custo e operação simplificada, destinadas sobretudo ao Brasil e aos países lusófonos em África. “O laboratório está a introduzir esta linha também na própria China, numa rara inversão do fluxo tecnológico habitual”, destacou, sublinhando que a decisão reconhece Portugal como uma porta de entrada da China para a Europa e para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A investigadora destacou a tradução para português de um manual clínico do Oitavo Hospital Popular da Dengue de Guangzhou, e que apresenta “uma taxa de sucesso de 98% em casos graves, integrando diagnósticos de medicina chinesa e ocidental”. “A experiência clínica do Hospital ( ) é, em volume e em resultados, a referência mundial em dengue. Receber este protocolo em português, formar os nossos clínicos e construir a partir daí um circuito de gestão integrada para Portugal e países lusófonos é um ganho concreto de saúde pública”, indicou Lopes. O protocolo, que integra medicina convencional e tradicional chinesa, foi traduzido para português e está a ser distribuído a profissionais de saúde em Portugal, nos seis Estados-membros da CPLP em África e junto da comunidade clínica brasileira. O laboratório desenvolveu também um sistema de testes modular descrito como um “laboratório numa mala” recarregável via USB, e desenvolvido especificamente para deteção de vírus (Gripe, covid-19, Nipah) em países lusófonos com infraestruturas limitadas. Outras descobertas incluem um “repelente fitoaromático puro, sem químicos sintéticos e já em distribuição internacional”, uma máquina integrada de previsão epidemiológica, capaz de prever surtos em tempo real com base em dados multimodais, e um robot de triagem para doentes febris. Em setembro, coincidindo com uma visita do primeiro-ministro Luís Montenegro à China, foi assinado um acordo para criar o Ambiente de Investigação de Confiança, uma plataforma tecnológica isolada projetada para o acesso, gestão e análise de dados sensíveis, que, segundo Lopes, garante “confidencialidade e conformidade” entre estas cooperações científicas. [Additional Text]: Ana Correia faz uma demonstração de técnicas utilizadas nos tratamentos de Medicina Tradicional Chinesa, Vila Nova de Gaia, 20 de março de 2018. Licenciada em Anatomia Patológica pela Universidade do Porto, Ana Correia descobriu há 20 anos, por acaso, num artigo “uma referência à acupuntura” e mais tarde ingressou no no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), não tendo dúvidas em afirmar a “evolução havida em Portugal em termos de formação”, esperando que o passo que venha a seguir-se ao da licenciatura aprovada pelo Governo seja o da “regulamentação da atividade”. (ACOMPANHA TEXTO DE 15/04/2018) MANUEL FERNANDO ARAÚJO/LUSA Agência Lusa