PROBLEMAS NÃO LARGAM A COINDU, QUE PÕE 493 EM LAYOFF
2026-05-13 21:02:08

Uma das grandes empresas do sector têxtil nacional continua mergulhada em dificuldades. Após fecho de fábrica no Alto Minho e de vários despedimentos colectivos, segue-se meio ano de layoff. A empresa têxtil Coindu, de Famalicão, distrito de Braga, vai avançar com um layoff abrangendo quase 500 trabalhadores. A culpa, diz a administração, é da conjuntura e do mercado. A fábrica, outrora uma das grandes do país, debate-se há anos com problemas. No final do ano de 2024, fechou uma fábrica em Arcos de Valdevez (distrito de Viana do Castelo) e 358 pessoas foram despedidas. Foi um Natal triste. Cinco meses depois (Maio de 2025), voltou ao despedimento colectivo, prescindindo de 123 trabalhadores. Seis meses passaram (Outubro), novo despedimento colectivo. Entretanto, quase 240 funcionários já tinham passado pelo layoff. O mesmo mecanismo que agora vai afectar 493 pessoas, mais de metade da força laboral que ainda resiste e que não chega a 800 trabalhadores. Em comunicado, como nota a Lusa, a empresa justifica esta decisão com os desafios que tem enfrentado "devido à conjuntura global e à redução de encomendas do sector automóvel". Destaca que a conjugação da guerra das taxas aduaneiras com os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente "tem causado um impacto negativo na confiança do mercado". Há dez anos, a Coindu era uma estrela da indústria portuguesa. Nascida em Joane, pela mão de portugueses unidos com alemães, a empresa que faz assentos e interiores para carros topos de gama de marcas de luxo (Aston Martin, Porsche, Lamborghini, BMW, Audi, entre outras), chegou aos 25 anos de vida em boa forma. Mais de 4000 trabalhadores em três países (Portugal, Roménia e México) e quatro fábricas contribuíam para um volume de negócios anual de 250 milhões de euros. Porém, os anos seguintes não lhe assentaram bem. A crise na indústria automóvel nesta década - iniciada com a quebra de vendas no período da covid - também pesava sobre os negócios da empresa. Como se isso não bastasse, em 2021, foi vítima de um ataque informático que começou numa filial no México e obrigou a dois dias de paragem, resultando numa quebra de produção imediata no valor de 2,5 milhões de euros. À medida que os problemas se avolumavam, a empresa reduzia de tamanho. No final de 2022, sobravam 2100 trabalhadores. Um ano depois, eram 1900. Porém, no fim de 2024 já eram apenas 1400. Nessa altura, a Coindu já tinha vendido a fábrica na Roménia e ela própria foi vendida a italianos, que, assim que pegaram no negócio, mandaram fechar a unidade de Arcos de Valdevez. Na altura, a administração disse que só precisava de 800-820 pessoas em 2025, número que poderia subir para o intervalo 950-1050 a partir de 2026. Afinal, nada disso sucedeu até agora. Pelo contrário, a empresa considera ter pessoas a mais para o volume de encomendas actual. "Para responder ao excesso temporário de pessoal e à pressão financeira, a empresa vai implementar um layoff de seis meses, de Maio a Novembro de 2026. No total, estima-se que as várias fases deste processo venham a abranger 493 colaboradores de diferentes áreas de actividade da empresa", confirma a administração da empresa, na mesma nota citada pela Lusa. A medida foi decidida e comunicada aos trabalhadores esta semana, e será aplicada "de forma gradual e limitada, abrangendo trabalhadores sem ocupação efectiva ou afectados pelo sector em que trabalham". "Todos os sectores da empresa serão impactados em diferentes graus e momentos, sendo a medida aplicada de forma faseada para reduzir e repartir o impacto entre os trabalhadores", acrescenta. A administração acredita numa retoma em 2027, "tendo em conta os projectos já assegurados". tp.ocilbup@arierrefov Nos tempos áureos, a Coindu, com sede na vila de Joane (Famalicão) chegou a empregar 4000 pessoas em três países Fernando Veludo/NFACTOS (Arquivo) Victor Ferreira