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DAS TERRAS RARAS AOS CARROS ELÉTRICOS: A RELAÇÃO ENTRE OS ESTADOS UNIDOS E A CHINA EM 5 GRÁFICOS

ECO

2026-05-13 21:02:08

Comércio bilateral, terras raras, dívida pública, produção de carros elétricos e despesa em defesa são temas que marcam as relações entre os Estados Unidos e a China. Veja aqui como têm evoluído. A relação entre os Estados Unidos e a China tem sido marcada pela rivalidade económica, tecnológica e geopolítica, mas os dados mostram que a interdependência entre as duas maiores economias do mundo continua profunda. A guerra comercial lançada por Donald Trump reduziu parcialmente o défice comercial americano e acelerou a diversificação das cadeias de abastecimento, mas não pôs fim à dependência dos EUA dos produtos chineses. Ao mesmo tempo, Pequim consolidou posições estratégicas em setores críticos da economia global, das terras raras aos carros elétricos, reforçando o peso industrial chinês numa altura em que Washington tenta recuperar capacidade produtiva e reduzir vulnerabilidades externas. O Presidente norte-americano, Donald Trump, chega à China na quarta-feira à noite (madrugada de quinta-feira em Lisboa) para uma visita de Estado. No dia seguinte, inicia-se o périplo de dois dias, durante o qual será recebido pelo seu homólogo chinês, Xi Jinping. Do comércio de bens às terras raras, selecionámos cinco gráficos sobre temas centrais na relação entre Pequim e Washington: Comércio de bens A guerra comercial iniciada por Donald Trump em 2018 teve impacto na redução do défice comercial dos Estados Unidos com a China, mas não alterou de forma estrutural a dependência americana das importações chinesas. Em 2018, os EUA registavam um défice comercial de mais de 418 mil milhões de dólares com a China, o valor mais elevado da série. Nos anos seguintes, o desequilíbrio diminuiu, refletindo a combinação de tarifas, desaceleração do comércio global e tentativa de diversificação das cadeias de abastecimento. A queda mais expressiva ocorreu entre 2018 e 2020, quando as importações americanas provenientes da China recuaram de 538 mil milhões para 432 mil milhões de dólares. Ainda assim, o défice manteve-se acima dos 300 mil milhões. Contudo, em 2021 e 2022, após a pandemia, as importações voltaram a aumentar significativamente, aproximando-se novamente dos máximos históricos, sinal de que a rivalidade política não travou a interdependência económica. Nos dados mais recentes, observa-se uma nova redução do desequilíbrio. Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico. Terras raras O domínio chinês no mercado mundial de terras raras, tanto na produção como nas reservas conhecidas, é claro. Em 2025, a China deverá ter produzido cerca de 270 mil toneladas, o equivalente a aproximadamente 69% da produção mundial estimada em 390 mil toneladas, de acordo com dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Os Estados Unidos surgem muito aquém, com 51 mil toneladas, o que significa que a produção chinesa é mais de cinco vezes superior à americana. Os números ajudam também a explicar porque é que as terras raras se tornaram um tema central na rivalidade estratégica entre Washington e Pequim. Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico. Dívida americana detida pela China A China tem vindo a reduzir a exposição à dívida americana após duas décadas de acumulação, revelando assim uma inversão na relação financeira entre Pequim e Washington. Em 2000, a China detinha apenas 60,3 mil milhões de dólares em dívida americana. A partir de então, as compras aceleraram rapidamente, com aumentos anuais entre 30% a 50%, acompanhando o crescimento das exportações chinesas e o excedente comercial face aos Estados Unidos. O pico foi atingido em 2013, quando a dívida detida pela China alcançou 1,27 biliões de dólares, transformando Pequim num dos principais financiadores externos da dívida americana. A partir de 2014, apesar de ligeiras oscilações, a tendência mudou e a redução tornou-se particularmente acelerada nos últimos anos. Entre 2022 e 2025, a exposição da China à dívida americana caiu em termos acumulados mais de 20%. Em 2025, a descida anual aproxima-se de 10%, o maior recuo desde 2022. Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico. Carros elétricos A produção mundial de carros elétricos voltou a acelerar em 2024, atingindo 17,3 milhões de veículos, um crescimento de cerca de 25% acima do ano anterior, de acordo com o “Global EV Outlook 2025”, divulgado pela Agência Internacional de Energia. O crescimento foi impulsionado sobretudo pela China, que produziu 12,4 milhões de carros elétricos e consolidou a posição como principal centro industrial do setor. Sozinho, o país liderado por Xi Jiping representou mais de 70% da produção global. Em 2024, mais de 80% da produção de veículos eléctricos na China esteve nas mãos de fabricantes chineses, acima dos cerca de dois terços registados em 2021. Marcas chinesas como a BYD, MG Motor ou a Geely ganharam peso rapidamente, beneficiando de escala industrial, apoio estatal e controlo das cadeias de abastecimento de baterias. Apesar dos anúncios de investimento chinês no estrangeiro, menos de 2% da produção global da produção chinesa ocorreu fora da China. Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico. Despesa em defesa Ao longo da década de 1990, Washington entrou numa trajetória de redução do peso da despesa militar na economia, passando de quase 6% para cerca de 3% do PIB no início dos anos 2000. Apesar desta tendência, os EUA registaram dois momentos de inversão. O primeiro ocorreu após os ataques do 11 de setembro, com as guerras no Afeganistão e no Iraque a empurrarem a despesa militar novamente acima dos 4% do PIB entre 2003 e 2012, atingindo quase 5% em 2010. O segundo momento foi durante a pandemia, em 2020, quando a despesa voltou a subir para 3,64% do PIB. Já a China apresenta um padrão mais estável. Depois de uma descida gradual nos anos 90, a despesa militar chinesa estabilizou em torno de 1,6% a 1,8% do PIB durante mais de duas décadas. Em termos relativos, a China continua abaixo dos EUA, mas em termos absolutos registou-se um aumento significativo, fruto da rápida expansão do PIB chinês. Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico. Ânia Ataíde