ATRASOS NO DIAGNÓSTICO DO CANCRO GINECOLÓGICO CUSTAM VIDAS E MILHÕES AO SNS
2026-05-13 21:02:08

A conclusão é do projeto OncoGyn PT. “Em Portugal, podem passar seis meses entre o diagnóstico e o início do tratamento, quando a nível europeu o percurso não vai além das oito semanas." Um total de 75% dos cancros do ovário são diagnosticados em fases avançadas, o que reduz as hipóteses de sobrevivência e aumenta os custos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). A conclusão é do projeto OncoGyn PT , Diagnóstico, Tratamento e Acesso no Cancro Ginecológico, desenvolvido pela Nova Medical School Scientific Services, que foi divulgado esta quarta-feira. Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui O estudo aponta culpas a falhas estruturais na organização dos cuidados, incluindo percursos fragmentados entre centros de saúde e hospitais e desigualdades regionais no acesso a equipas especializadas. Em declarações à Renascença, a médica Ana Luísa Matias, especialista em medicina geral e familiar, sublinha que “em Portugal podem passar seis meses entre o diagnóstico e o início do tratamento, quando a nível europeu o percurso não vai além das oito semanas”. Uma diferença de tempo que tem como resultado piores resultados em saúde e maior despesa. Os autores do OncoGyn PT indicam que tratar cancros ginecológicos em fases avançadas “pode custar até três vezes mais do que intervir precocemente, devido a tratamentos mais prolongados, maior risco de complicações e internamentos repetidos, além dos custos associados à perda de produtividade e incapacidade laboral”. Resumindo, é uma situação que “penaliza a sustentabilidade do sistema e a sobrevivência das doentes”. Em Portugal podem passar seis meses entre o diagnóstico e o início do tratamento, quando a nível europeu o percurso não vai além das oito semanas Em Portugal, os atrasos no diagnóstico e no acesso ao tratamento dos cancros do ovário e do endométrio continuam a custar vidas, com impacto “particularmente grave no cancro do ovário, responsável por 472 mortes por ano, apesar de representar menos de 1% dos diagnósticos oncológicos femininos”. O projeto recomenda a necessidade de centralizar o tratamento em centros de referência acreditados pela Sociedade Europeia de Oncologia Ginecológica para que a sobrevivência das mulheres não dependa da região do país onde vive. Defende, também, uma ferramenta simples de triagem para os médicos de família, e um canal direto de referenciação para o hospital, para abreviar meses de espera por uma consulta de especialidade. Outras das recomendações passa pela criação de um Registo Oncológico Interoperável que “permita medir não só as listas de espera hospitalares, mas também, o tempo real desde o primeiro contacto da mulher com o sistema de saúde até ao início da terapêutica”. Uma forma de identificar as falhas do sistema e onde estão a ser desperdiçados mais recursos. Anabela Góis