pressmedia logo

CARROS USADOS EM PORTUGAL: DIESEL LIDERA FRAUDE NOS CONTA-QUILÓMETROS, MAS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS TAMBÉM JÁ SÃO ALVO

Executive Digest Online

2026-05-13 21:02:08

Ouça este artigo Clique para reproduzir Os automóveis a diesel continuam a ser os mais afetados pela fraude nos conta-quilómetros em Portugal, mas os veículos híbridos e elétricos também já surgem nos dados de manipulação da quilometragem. A conclusão é de um estudo da carVertical, empresa especializada em relatórios de histórico automóvel, que analisou veículos verificados em Portugal entre janeiro de 2024 e março de 2026. De acordo com a análise, 4,6% dos veículos diesel analisados apresentavam quilometragem adulterada, a percentagem mais elevada entre todos os tipos de combustível. Seguem-se os automóveis a gasolina, com 3,6% de casos de manipulação. Além de serem os mais afetados em frequência, os diesel registam também as maiores reduções médias de quilometragem. Em Portugal, estes veículos viram, em média, cerca de 99 mil quilómetros desaparecer do conta-quilómetros. Nos automóveis a gasolina, a redução média foi de aproximadamente 74 mil quilómetros. Elétricos e híbridos também não escapam Embora apresentem taxas de fraude mais baixas, os veículos eletrificados não estão imunes. Entre os híbridos analisados, 2,6% tinham sinais de manipulação no conta-quilómetros, com uma redução média de cerca de 57 mil quilómetros. Continue a ler após a publicidade Nos veículos elétricos, a taxa de fraude foi a mais baixa, mas ainda assim relevante: 1,9% dos carros analisados apresentavam quilometragem adulterada. Nestes casos, a redução média rondou os 44 mil quilómetros. “A procura por veículos híbridos e elétricos continua a crescer de forma constante e, com ela, o risco de fraudes nos conta-quilómetros. Até mesmo carros relativamente novos estão a ser adulterados, pelo que os compradores devem avaliar cuidadosamente o estado de qualquer veículo que pretendam adquirir. Comprar um carro com o conta-quilómetros falsificado pode implicar um aumento de preço de milhares de euros e causar problemas adicionais no planeamento da manutenção”, afirma Matas Buzelis, especialista no mercado automóvel da carVertical. Opel, Renault e BMW entre os elétricos mais afetados Continue a ler após a publicidade O estudo da carVertical analisou também quais as marcas de veículos elétricos e híbridos mais frequentemente associadas a discrepâncias na quilometragem em Portugal. Entre os elétricos, a Opel registou a maior percentagem de veículos com quilometragem adulterada, com 4,3%. Seguem-se Renault, com 4,1%, BMW, com 3,2%, Peugeot, com 2%, e Smart, com 1,7%. No segmento dos híbridos, a Lexus lidera a lista, com 6,3% dos veículos analisados a apresentarem sinais de manipulação. A BMW surge em segundo lugar, com 4%, seguida da Volkswagen, com 3,7%, da Toyota, com 3,5%, e da Audi, com 3,3%. Bateria e autonomia tornam fraude mais apelativa A carVertical alerta que muitos compradores continuam a acreditar que os veículos modernos são praticamente impossíveis de manipular, mas os dados mostram o contrário. A fraude nos conta-quilómetros já não se limita aos automóveis mais antigos ou aos veículos de combustão. Continue a ler após a publicidade “Muitos condutores continuam a acreditar que os veículos modernos são impossíveis de manipular, mas a realidade prova o contrário. Uma quilometragem elevada costuma implicar um maior desgaste da bateria nos veículos elétricos, o que reduz a sua autonomia. Em resultado disso, os compradores tendem a evitar estes carros. Isso incentiva os vendedores a reduzir artificialmente a quilometragem e a apresentar o veículo como estando em melhor estado do que realmente está”, explica Matas Buzelis. No caso dos veículos elétricos e híbridos, a quilometragem pode ter impacto direto na perceção do estado da bateria, da autonomia e dos custos futuros de manutenção. Por isso, a manipulação pode inflacionar artificialmente o valor do automóvel usado e esconder desgaste relevante. Fraude continua a atravessar todo o mercado Apesar de os veículos a gasóleo e a gasolina continuarem a ser os principais alvos de manipulação em Portugal, os dados mostram que a fraude no conta-quilómetros afeta todos os tipos de motorização. Para a carVertical, esta realidade confirma que a adulteração da quilometragem continua a ser uma prática persistente no mercado de usados e dificilmente desaparecerá num futuro próximo. A empresa recomenda que os compradores verifiquem sempre o histórico do veículo, comparem registos de quilometragem, analisem o estado real do automóvel e tenham especial atenção a discrepâncias entre idade, desgaste interior, histórico de manutenção e valor anunciado. O estudo teve por base relatórios de histórico de veículos adquiridos por clientes da carVertical em Portugal entre janeiro de 2024 e março de 2026. A empresa opera em 37 países e recolhe dados a partir de mais de 1000 registos e bases de dados internacionais. Automonitor