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PS CRITICA RESULTADOS NA SAÚDE: COMPETE AO PRIMEIRO-MINISTRO PRESCINDIR DA MINISTRA OU NÃO

Público Online

2026-05-13 21:02:07

“Esta ministra não tem mais condições para continuar (...) Chega de desculpas”, pede a dirigente Maria Antónia Almeida Santos perante a redução de cirurgias e os problemas estruturais do sector. Não é uma atitude habitual no Partido Socialista, mas a secretária nacional Maria Antónia Almeida Santos deixou nesta terça-feira no ar um pedido de demissão da ministra da Saúde, considerando o primeiro-ministro como responsável máximo pela pasta da Saúde e pela continuidade de Ana Paula Martins. A dirigente socialista lembrou os dados mais recentes do Serviço Nacional de Saúde para dizer que "os números não mentem" e que "a saúde está hoje muito pior do que há dois anos quando este primeiro-ministro tomou posse. Dizer o contrário não é ser sério e é um insulto à inteligência dos portugueses". "O primeiro-ministro mostrou incompetência a gerir este sector e é o primeiro e último responsável por esta situação (...) Um primeiro-ministro é responsável por todas as políticas e não há mais desculpa para a questão da saúde", afirmou a dirigente socialista, durante uma declaração aos jornalistas a meio da reunião do Secretariado Nacional do partido, o órgão executivo da Comissão Política Nacional. Confrontada com a reiterada recusa da ministra em se demitir, Maria Antónia Almeida Santos considerou que é "evidente" que Ana Paula Martins "não tem conseguido ser competente" e que neste momento "compete ao primeiro-ministro prescindir da ministra ou não". A socialista foi mais longe: "Por mais respeito que eu tenha por todos os ministros da Saúde, esta ministra não tem mais condições para continuar e há dois anos que continuamos nisto. Chega de desculpas", pediu. A ex-deputada socialista realçou que Luís Montenegro "foi o primeiro-ministro que mais facilidades prometeu e que trazia planos e medidas que iam resolver os problemas de acesso à saúde. Tudo falhou". Acusou o chefe do Governo de "gorar as expectativas criadas", de ignorar e desconsiderar os problemas estruturais na saúde, como a carência de profissionais, o envelhecimento populacional, o aumento da procura de serviços depois da pandemia, ou a deterioração dos indicadores. A que somou a "falta de salas para cirurgias, a desvalorização da direcção executiva do SNS, a desorçamentação expressiva, as várias demissões" em serviços hospitalares. "Sem estes instrumentos não há autonomia e boa gestão" dos hospitais, vincou. "O primeiro-ministro tem aqui uma responsabilidade e já não pode fugir dela", insistiu. Maria Antónia Almeida Santos lamentou os dados da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) que mostram uma diminuição de 0,7% das intervenções cirúrgicas, mas uma incidência alta em duas especialidades "sensíveis e exigentes", a oncologia (3%) e a cardiologia (4,9%). Questionada sobre a proposta do Governo para os tarefeiros, a socialista não quis pronunciar-se, admitindo que a medida "pode trazer algum benefício da dúvida", mas notando que "ainda não se sabe que resultados poderá ter". tp.ocilbup@sepol.airam Maria Antónia Almeida Santos, ex-deputada do PS, integra o secretariado socialista MIGUEL A. LOPES Maria Lopes