IA NA CIRURGIA DO CANCRO DA MAMA: LOCALIZAR A LESÃO ATRAVÉS DA PELE NUMA EXPERIÊNCIA IMERSIVA
2026-05-13 21:02:07

“IA: Da moda à realidade - aplicação no mundo real” é um dos temas abordados nos Encontros da Primavera. Será que a IA já é uma maisvalia para os cirurgiões do cancro da mama? ACe IA só vai substituir os médicos que a negam. A IA permite um melhor diagnóstico e tratamento, assim como a prática de medicina preventiva.” As palavras são de Pedro Gouveia, cirurgião da mama da Fundação Champalimaud e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. o orador abordou os mais recentes avanços tecnoló- gicos baseados em IA, que permitem ao cirurgião da mama localizar o tumor sem recorrer a métodos invasivos, como o arpão, os radioisótopos ou as sementes magnéticas. “Nos últimos 50 anos, o tratamento gold standard tem sido a cirurgia conservadora, em oposição à mastectomia.com a IA, é possível recorrer a métodos inovadores que não implicam invasividade, ou seja, desconforto e dor para a doente.” Na sua intervenção, Pedro Gouveia falou sobre o digital twin, criado pela Fundação Champalimaud, que permite, durante a cirurgia, através de óculos com tecnologia de IA, observar um modelo digital sincronizado com o corpo da mulher. Na prática, o cirurgião consegue visualizar o tumor através da pele, numa imagem tridimensional e imersiva. "Esta tecnologia auxilia o cirurgião durante a cirurgia, tornando o trabalho mais eficaz e eficiente, com maior conforto e precisão nos resultados”, realça. Como acrescenta: "o cirurgião passa a percecionar melhor a proporcionalidade entre o volume do tumor e o da mama. Desta forma, é possível optar com maior segurança pela cirurgia conservadora, evitando a mastectomia quando esta não é necessária." Na sua perspetiva, o sistema de saúde também beneficia, uma vez que se trata de uma aposta na inovação, sustentada em boas práticas. Pedro Gouveia irá ainda abordar as mais recentes novidades na área da IA na saúde, como os quiosques de saúde digital na China, onde a triagem é realizada por um assistente virtual e a colheita de sangue é efetuada por um robô. Apesar de reconheee cer que este projeto gera controvérsia, o cirurgião considera que constituiu uma mais-valia para a população chinesa. “A China tem um vasto território, com 1,4 mil milhões de habitantes, e uma população enve-Ihecida. Face às discrepâncias entre regiões urbanas e rurais e ao facto de os hospitais estarem sobrelotados, o governo chinês optou por esta tecnologia disruptiva e conseguiu disponibilizar cuidados a pessoas com dificuldades no acesso à saúde." Para o especialista, “a tecnologia disruptiva pode ajudar e não implica a substituição dos médicos”. Na sua opinião, "hoje praticamos uma medicina cada vez mais desumanizada porque não utilizamos a tecnologia de forma adequada.com a ajuda da IA, deixamos de ser um gatekeeper administrativo e passamos a ser decisores de elevado valor clínico". Por outras palavras, a IA podera ser a solução para evitar que grande parte do tempo da consulta seja passada a olhar para o computador, permitindo dar mais atenção ao doente. Pedro Gouveia deixa, contudo, um alerta: "Portugal esta atrasado na implementação do Espaço Europeu dos Dados em Saúde.” o orador sublinha que é necessário investir para obter os benefícios da IA, tanto para os doentes como para os profissionais de saude. © Maria João Garcia Maria João Garcia