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CHINA TESTA BATERIA DE ÁGUA QUE PODE DURAR 300 ANOS: ADEUS AO LÍTIO?

Executive Digest Online

2026-05-13 21:02:07

Tecnologia surge como uma possível alternativa às baterias de lítio usadas atualmente na mobilidade elétrica e no armazenamento de energia Ouça este artigo Clique para reproduzir A China desenvolveu uma nova bateria de água que poderá funcionar durante cerca de 300 anos, uma longevidade que, em teoria, permitiria mantê-la ativa até ao século XXIV. A tecnologia, descrita pelo El Confidencial , surge como uma possível alternativa às baterias de lítio usadas atualmente na mobilidade elétrica e no armazenamento de energia, sobretudo em aplicações onde a segurança, o baixo impacto ambiental e a durabilidade são mais importantes do que a densidade energética máxima. As baterias de lítio continuam a ser essenciais para carros elétricos, telemóveis e sistemas de armazenamento, mas enfrentam limitações conhecidas: têm uma vida útil finita, podem degradar-se com os ciclos de carga e descarga, recorrem a materiais com impacto ambiental e levantam desafios no fim do ciclo de vida. A nova solução chinesa procura responder a parte desses problemas através de uma química aquosa, não inflamável e mais estável. O estudo foi publicado na revista científica Nature Communications e descreve o uso de polímeros orgânicos covalentes como ânodos para iões de magnésio e cálcio. A chave está numa estrutura molecular rígida, semelhante a um favo de mel, concebida para atrair iões positivos sem se degradar rapidamente em contacto com o eletrólito aquoso. Uma bateria menos inflamável e mais ecológica As baterias aquosas não são uma novidade, mas têm enfrentado um obstáculo importante: muitos materiais deterioram-se quando entram em contacto com eletrólitos demasiado ácidos ou alcalinos. Essa degradação pode reduzir a eficiência, corroer componentes metálicos e favorecer a formação de hidrogénio e oxigénio, associada à decomposição do eletrólito. Continue a ler após a publicidade A proposta desenvolvida pelos investigadores chineses recorre a um composto específico, a hexacetona-tetraaminodibenzo-p-dioxina, desenhado para combinar elevada densidade de carbonila com uma molécula rígida capaz de preservar a estabilidade interna da bateria. O sistema usa ainda um eletrólito neutro, com pH 7,0, o que permite um transporte eficiente dos iões sem danificar a estrutura do material. Segundo os investigadores, estes polímeros poderão suportar até 120 mil ciclos de carga, cerca de 100 vezes mais do que a vida útil atribuída às baterias de ião-lítio usadas no armazenamento em redes elétricas. Se uma instalação completasse, em média, 1,1 ciclos por dia, a bateria poderia continuar operacional durante quase três séculos. Potencial para grandes redes elétricas Continue a ler após a publicidade Esta tecnologia poderá ser especialmente relevante para sistemas de armazenamento de energia em larga escala. Nesses casos, a prioridade nem sempre é ter a maior autonomia por volume ou por peso, mas garantir segurança, estabilidade, baixo custo inicial e longa duração. Ao usar água como eletrólito, a bateria reduz o risco de inflamabilidade quando comparada com soluções convencionais. Isso pode facilitar a sua instalação em infraestruturas de grande dimensão, como redes elétricas, centrais renováveis ou sistemas de apoio à distribuição de energia. O avanço também tem uma componente ambiental relevante. Os autores do estudo indicam que os eletrólitos usados são de baixa toxicidade, ao ponto de poderem ser comparados a soluções seguras como salmoura usada na produção de tofu. A imagem serve para sublinhar que o descarte deste tipo de bateria poderá ser menos problemático do que o de sistemas baseados em substâncias mais agressivas. Do laboratório para o mundo real Apesar do potencial, a tecnologia ainda terá de provar que consegue sair do laboratório e funcionar em condições reais. A durabilidade extrema, os 120 mil ciclos de carga e a estabilidade química terão de ser confirmados em instalações de armazenamento de energia sujeitas a variações de temperatura, intensidade de uso e exigências operacionais prolongadas. Continue a ler após a publicidade O El Confidencial sublinha que esta transição será decisiva para perceber se a bateria de água fabricada na China pode tornar-se uma alternativa comercial às baterias de lítio em aplicações de grande escala. Para já, a promessa é significativa: uma bateria não inflamável, mais ecológica e com uma vida útil teórica de 300 anos. Se resistir aos testes fora do laboratório, poderá mudar a forma como a energia renovável é armazenada e distribuída nas próximas décadas. Francisco Laranjeira