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PORSCHE CORTA DIVISÃO DE BICICLETAS ELÉCTRICAS, DE BATERIAS E 500 POSTOS DE TRABALHO

Observador Online

2026-05-12 21:06:44

Quando o CEO afirmou que a Porsche “tem de se focar no seu negócio principal”, não estava a brincar. E, juntando a acção às palavras, prepara-se para encerrar a divisão das e-Bikes e das baterias. O actual CEO da Porsche, Michael Leiters, herdou uma marca que tem acumulado várias más decisões. A qualidade do produto não está em causa e a marca continua a figurar entre as mais respeitadas do mercado, mas as vendas não param de cair, arrastando consigo os lucros. Daí que o gestor tenha abraçado a missão de realizar cortes dolorosos, o que passa por encerrar algumas das subsidiárias e extinguir os respectivos postos de trabalho. Uma das primeiras vítimas dos cortes de Michael Leiters foi a denominada Porsche eBike Performance, a divisão de bicicletas eléctricas lançada em 2013. Independentemente de muitos clientes da marca terem um “fraquinho” por actividades ao livre, de que as bicicletas alimentadas por bateria são um dos parceiros ideais, este tipo de veículos não é propriamente o core business da marca alemã. Hoje, apesar de ter concebido um sistema diferente de transmissão eléctrica para bicicletas, a Porsche encerra o negócio das duas rodas, com o sacrifício de 360 empregados. Outro dos cortes incidiu sobre a Cetitec, especializada em software e programação, que também “encosta à box“. Parece estranho este encerramento, pois acontece numa altura em que os automóveis modernos dependem cada vez mais de electrónica e de software. Mas, não sendo esta uma fonte de receitas, passou a ser vítima dos sacrifícios, já que a palavra de ordem é recuperar as finanças do construtor. Foi o fim da Cetitec e dos 60 empregados que trabalhavam na Alemanha, bem como os restantes 30 que estavam na Croácia. A Cellforce é uma joint-venture com a Customcells fundada em 2021, de que a Porsche viria depois a adquirir a totalidade do capital. Continuou a funcionar em parceria com a BASF e a optimizar o funcionamento de novos acumuladores. Porém, o trabalho desta empresa de investigação e desenvolvimento não deve ter impressionado a administração e, não sendo viável, os seus 50 empregados foram dispensados e a Cellforce encerrada. E estes são apenas os encerramentos e despedimentos da Porsche realizados em Maio, pois em Abril a marca já tinha vendido 20,6% que detinha no Rimac Group e os 45% que possuía na Bugatti Rimac, o grupo formado pela respeitada Bugatti, a mais exuberante e sofisticada das marcas do Grupo Volkswagen (consórcio que também possui 75% do capital da Porsche), e pela jovem Rimac, que produz o Nevera, provavelmente o mais avançado hiperdesportivo eléctrico do mercado. A Rimac tem sido crucial para o Grupo VW por via da tecnologia que controla, de que são exemplos o sistema eléctrico a 800V e a transmissão de duas velocidades que forneceu à Porsche para o Taycan. Isto explica que lhe tenha sido atribuído 55% da Bugatti Rimac, apesar da diferença que existe entre ambos os construtores em potencial, imagem e facturação. Os 45% da Bugatti Rimac e os 20,6% do Rimac Group foram vendidos a uma empresa de investimentos de Nova Iorque. [Additional Text]: As e-bikes da Porsche, que surgiram em 2013, não resistiram ao resultados menos bons Alfredo Lavrador