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FRENTE COMUM QUER SECTOR PÚBLICO NA GREVE GERAL DE 3 DE JUNHO

Público

2026-05-12 21:06:44

Pacote laboral “prejudica todos os trabalhadores”, alerta estrutura da CGTP, que junta vários sindicatos da administração pública No dia em que a CGTP entregou o préaviso para a greve de 3 de Junho, a Frente Comum, que junta mais de três dezenas de sindicatos da administração pública, desafiou os trabalhadores do Estado a aderirem ao protesto contra o pacote laboral, que, na sua perspectiva, “prejudica todos os trabalhadores”. “Não apenas nos solidarizamos com a greve geral promovida pela CGTP, como vamos apelar a todos os trabalhadores da administração pública [a que participem] e a todos os sindicatos da Frente Comum que subscrevam avisos prévios de greve no sentido de se juntarem a esta luta”, afirmou o coordenador da Frente Comum, Sebastião Santana, ontem, depois de a CGTP ter apresentado o pré-aviso no Ministério do Trabalho. O dirigente quis deixar claro que as alterações à legislação laboral em cima da mesa não se dirigem apenas ao sector privado: “Quem vai ser prejudicado [pela reforma laboral] são todos os trabalhadores. É uma luta de quem trabalha em Portugal, independentemente do seu local de trabalho, da sua profissão, da sua formação, da sua afi# liação sindical ou da falta dela.” Na última greve geral, que decorreu a 11 de Dezembro e juntou CGTP e UGT, a função pública teve um papel importante no impacto da paralisação. Sebastião Santana considera que o dia 3 de Junho será também um momento para os trabalhadores do sector público reivindicarem aumentos intercalares e melhores serviços, lembrando que, a 14 de Janeiro, a Frente Comum entregou ao executivo um pedido de negociação de um aumento intercalar de salários mas, até ao momento, “o Governo continuar a remeter-se ao silêncio”. Em Janeiro, faz notar, já se percebia que a subida do custo de vida e ainflaçãoiam“terumimpactofor-te na vida de quem trabalha”. Quatro meses depois, “a situação só se agravou, com o aumento do preço da habitação, dos combustíveis, do cabaz alimentar”. Em 2026, os funcionários públicos tiveram um aumento de 56,58 euros ou um mínimo de 2,15%, tal como ficou previsto no Acordo Plurianual de Valorização dos Trabalhadores da Administração Pública para 20262029, assinado por dois sindicatos da UGT e do qual a Frente Comum, afecta à CGTP, ficou de fora. À porta do Ministério do Trabalho, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, já tinha apelado ontem à participação “de todos os trabalhadores” na greve, defendendo que “é do interesse de todos os trabalhadores” a rejeição da proposta que o Governo quer enviar para o Parlamento em breve. “Apelamos a todos aqueles que no processo de combate, durante estes nove meses, ao pacote laboral construíram connosco este percurso, [se juntem a] esta luta em convergência para derrotar o pacote laboral”, desafiou, confrontado com o facto de a UGT não aderir à greve. Ao contrário do que aconteceu em Dezembro do ano passado, em que as duas centrais sindicais se uniram na primeira greve geral desde o período da troika (2013), a paralisação de Junho não deverá contar com a UGT. Em entrevista ao PÚBLICO, o líder desta estrutura, Mário Mourão, reconheceu que o dia 3 “é extemporâneo”. “Acho que provavelmente deveríamos fazer uma greve mais próxima da decisão do Parlamento. Não podemos excluir uma greve geral, mas ela tem de ser preparada com os sindicatos”, afirmou no rescaldo da última reunião de Concertação Social em que não foi possível chegar a acordo para a revisão da lei laboral. A função pública teve um papel importante no impacto da última greve geral, a 11 de Dezembro de 2025 A 11 de Dezembro, houve perturbações nas escolas e na saúde Raquel Martins