pressmedia logo

AGÊNCIA DEFENDE APOIOS PARA COMPRA DE ELÉTRICOS USADOS EM PORTUGAL

Notícias ao Minuto Online

2026-05-12 21:06:16

Um relatório da Agência Internacional de Energia considera que Portugal deve criar incentivos para a compra de veículos elétricos usados - tendo em conta as especificidades do mercado automóvel nacional. Portugal tem de melhorar no impacto ambiental do setor dos transportes, o que passa em parte pela compra de automóveis elétricos. E a Agência Internacional de Energia (IEA) defende num relatório recentemente divulgado que devem ser implementados incentivos à compra de elétricos usados. Nesta altura, "mais de metade das emissões" poluentes do país relacionadas com a energia são provenientes "do setor dos transportes, que continua a ser altamente dependente de petróleo importado". E, aqui, os transportes rodoviários são responsáveis por praticamente 95 por cento dos gases emitidos. Segundo o documento, há sinais de progressos - até porque os veículos elétricos representaram 38 por cento das vendas de novos carros em Portugal no ano passado. Verifica-se uma expansão acelerada da adoção deste tipo de viaturas que, mesmo assim, só constituem cerca de seis por cento de todo o parque automóvel do país. É, pois, preciso ir mais além, num contexto de uma "frota velha e ineficiente". O relatório defende que são necessários apoios para a compra de automóveis elétricos usados "para refletir melhor o poder de compra limitado dos clientes e a estrutura do mercado" português - considerando que "cerca de 80 por cento das compras são de viaturas usadas". Há a recomendação de subsídios para a compra de automóveis elétricos usados, particularmente para "famílias de baixos rendimentos", como uma medida que pode fazer baixar as emissões poluentes e a idade média do parque automóvel. Mas também são apontados como potenciais alvos prioritários das vantagens "condutores profissionais e pequenas e médias empresas". São os casos, por exemplo, de taxistas, motoristas de entregas e motoristas de transporte com base em aplicações. A agência reconhece o contributo dos atuais incentivos de até 4.000 euros para comprar carros elétricos novos. No entanto, ressalva que o orçamento anual só abrange cerca de um por cento de todas as vendas e "habitualmente esgota-se em poucas semanas". Também é mencionado um efeito de confiança: "Alargar o orçamento de incentivos de Portugal para veículos elétricos iria reforçar a confiança do mercado". O exemplo vem de cima, e a IEA considera, igualmente, que deve ser gizado um plano para que todos os novos carros da frota governamental sejam elétricos. Rede de carregamento também merece atenção Por outro lado, a IEA defende a importância de alargar "a infraestrutura de carregamento em áreas urbanas". Uma vez mais, os agregados familiares com baixos rendimentos devem merecer atenção neste aspeto. O relatório aconselha Portugal a dar prioridade a pontos de carregamento de baixa voltagem em contexto urbano , "onde várias famílias dependem de estacionamento de rua e não podem instalar carregadores privados". E sublinha ainda: "Reforçar a disponibilidade de carregamento em centros intermodais iria aprimorar a integração entre transportes públicos e o uso de veículos elétricos". É reconhecido o rápido crescimento da rede de carregamento pública, que em 2026 já tem mais de 7.600 estações e mais de 14.400 pontos de carregamento - que deverão chegar a 21.000 até 2030. Ainda assim, considera a agência que será necessário acompanhar a adoção crescente de viaturas elétricas com um "ajustamento contínuo" - de modo a manter "uma taxa adequada de número de carregadores para número de veículos e antecipar cenários de procura mais alta de viaturas elétricas". Bernardo Matias