ESPERAS MAIORES EM ONCOLOGIA: ORDEM RECONHECE "ATRASOS" MAS TEM DÚVIDAS, OPOSIÇÃO APONTA DEDO A MONTENEGRO E PEDE DEMISSÃO DE MINISTRA
2026-05-12 21:06:14

O presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos tem dúvidas sobre as informações da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que revelou, na segunda-feira, que, nos últimos seis meses de 2025, agravaram-se os tempos de espera para cirurgia oncológica. O tema subiu a debate no Fórum TSF, onde o Partido Socialista responsabilizou o primeiro-ministro pela situação. Já o Chega e o Livre pediram a demissão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins. Ouvido no Fórum TSF, Carlos Sottomayor, presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos, admitiu a existência de atrasos, mas, pela experiência que tem, acredita que a situação não será tão grave como a que é descrita pela ERS. OUÇA AQUI O FÓRUM TSF "Existem situações, principalmente em grandes centros como os IPO, em que todos os doentes são oncológicos e não são imediatamente operados ou têm de começar a fazer quimioterapia e não se consegue marcar dentro de duas ou três semanas. Há alguns atrasos pequenos em relação aos timings mais aconselháveis, mas não nos parece que seja uma situação tão numerosa", explicou Carlos Sottomayor. De acordo com os dados divulgados pela ERS, a lista de espera para cirurgia oncológica agravou-se no segundo semestre de 2025 no SNS, com 8215 utentes, mais 9% face a 2024, e destes, 21,2% já tinham ultrapassado os tempos máximos de resposta recomendados. Os dados mostram também um aumento no número de utentes em espera para primeira consulta e cirurgia de oncologia e cardiologia. Também no Fórum TSF, o presidente da Liga Portuguesa contra o Cancro, Vítor Veloso, insistiu no apelo ao Governo para que tome medidas urgentes, considerando essencial que o número de cirurgias aumente. Sugeriu, por isso, "contratar médicos que estejam na reforma" e "acabar com a burocracia". "Grande parte dos profissionais de saúde fogem das necessidades vitais para tratarem de burocracia", alerta. No que toca aos partidos políticos, o PS desafia o primeiro-ministro a tirar conclusões. A deputada Mariana Vieira da Silva nota que o problema tem vindo a agravar-se e, por isso, entende que a responsabilidade é de Luís Montenegro. "Aquilo que desejávamos era uma maior estabilidade no SNS. Quanto ao facto de ser com esta ministra ou com outra ministra, isso é uma decisão do primeiro-ministro. Dois anos depois, nenhum dos dados melhorou e há vários que têm tido uma deterioração sucessiva no tempo e o primeiro-ministro devia tirar as suas conclusões sobre isso", atira, sublinhando que Luís Montenegro tem "tem insistido numa ministra que tem criado mais problemas do que tem resolvido". Por outro lado, no entender da Iniciativa Liberal, o deputado Miguel Rangel defende que o essencial do problema não tem a ver com a ministra da Saúde, mas, sim, com "a cultura com que se aborda o problema". "É uma questão de coragem e que não está confinada apenas num determinado ministro. É preciso coragem para começar a dizer que o sistema que nós temos neste momento não está a resolver. Quase 50% dos portugueses já optam por investir o seu próprio dinheiro - além daquele que investem no SNS por meio dos seus impostos - em outros sistemas de saúde ou outras formas de conseguir ter assistência, seja por seguros de saúde, seja por planos de saúde", afirma. Já a deputada do Chega Cláudia Estevão considera que as informações da ERS são muito preocupantes e inaceitáveis, argumentando que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tem de ser substituída. "Há uma confiança que está minada e esta ministra está desgastada. Tem de haver um novo rosto, uma nova energia e tem de haver execução das medidas que se anunciam. Estamos de anúncio em anúncio, mas depois implementação no terreno não há", defende. No mesmo sentido, Paulo Muacho, deputado do Livre, refere que, "se as coisas estão a piorar", tem de haver "consequências políticas". "O Governo deveria perceber que o caminho que está a tomar não é o caminho certo e também deveria haver consequências políticas, nomeadamente para a própria ministra da Saúde, que já há muito tempo que não tem condições para continuar no cargo", argumenta. Para o Livre, o SNS "está pior do que estava em 2024". No caso do PCP, Bernardino Soares, do Comité Central, distribui responsabilidades: "Nem a ministra, nem o Governo fazem parte da solução. Portanto, esta ministra ou outra, ou outro que venha substituí-la, se o Governo entender lavar a face desta área para procurar continuar a mesma política, é indiferente." Os comunistas consideram que "o que interessa é a política que vai sendo seguida" e nada aponta para "uma melhoria com esta ministra nem se ela for substituída por outra personalidade deste Governo". "O problema do Governo é bastante claro, é abrir mais espaços para o setor privado", sublinha. Na resposta a todos estes argumentos, o deputado do PSD Francisco Sousa Vieira defende que não há motivos para pedir demissão da ministra, Ana Paula Martins. "Quem pede a demissão da ministra da Saúde não tem a seriedade de reconhecer que nunca se valorizaram as carreiras na saúde como com este Governo. Cada vez mais estamos a tentar atrair de volta aqueles funcionários que saíram para responder a essas necessidades que são crescentes", reforça, assinalando que "não se pode olhar para os resultados de curto prazo como resposta às reformas que têm sido implementadas". "Deu-se oito anos ao Governo anterior para chegar a resultados e eles não chegaram, acho devemos dar o benefício de que estas reformas que este Governo tem implementado darão melhor resultado", acrescenta. [Additional Text]: Imagem de contexto do artigo Esperas maiores em oncologia: Ordem reconhece Imagem do autor Carolina Quaresma Imagem do autor Manuel Acácio Carolina Quaresma