BLOCO DE ESQUERDA QUESTIONA MINISTÉRIO DA SAÚDE SOBRE PROBLEMAS NA ULS DE BRAGA
2026-05-12 21:06:13

O Bloco de Esquerda questionou o Ministério da Saúde sobre os alegados constrangimentos no funcionamento da Unidade Local de Saúde de Braga, na sequência de informações tornadas públicas através de uma carta aberta e de denúncias do Sindicato dos Médicos do Norte. Em comunicado, o partido refere que as situações reportadas estarão relacionadas com a transição do sistema de registo clínico GLINT para o SClinic, processo ocorrido há cerca de dez meses e que, segundo o BE, continua a gerar “constrangimentos operacionais com impacto na atividade assistencial”. De acordo com o comunicado, têm sido registadas “dificuldades na gestão de consultas, nomeadamente episódios de consultas não agendadas, não realizadas ou sem profissional de saúde atribuído”, bem como limitações no agendamento de exames e meios complementares de diagnóstico e terapêutica. O Bloco de Esquerda refere ainda que existem relatos de exames realizados “sem relatório disponível em tempo útil, implicando a sua eventual repetição”, situação que, segundo o partido, poderá traduzir-se em “custos para o utente e para o SNS”. Entre os problemas apontados estão também dificuldades no acesso a registos clínicos anteriores, “em alguns casos não recuperáveis”, assim como constrangimentos na organização das agendas clínicas, com possíveis sobreposições, inconsistências administrativas e dificuldades na referenciação interna de utentes. “No entendimento dos profissionais, estas situações poderão ter implicações na continuidade e qualidade dos cuidados prestados”, lê-se no comunicado. O partido alerta igualmente para problemas ao nível da atividade cirúrgica, referindo “dificuldades no registo e planeamento de intervenções” e limitações na gestão da capacidade instalada, incluindo camas de internamento, com “eventuais repercussões na programação e realização de cirurgias”. Segundo o BE, têm sido também reportadas situações de adiamento ou cancelamento de procedimentos cirúrgicos, incluindo casos considerados de maior complexidade, “como por exemplo, casos oncológicos”. O comunicado menciona ainda a saída de profissionais de especialidades como dermatologia, radiologia e gastrenterologia, situação que, segundo o partido, “está já a ter implicações na resposta assistencial, devido à redução de equipas”. Perante este cenário, o deputado Fabian Figueiredo entregou um conjunto de perguntas na Assembleia da República dirigidas ao Ministério da Saúde. O Bloco de Esquerda pretende saber se o ministério tem conhecimento das situações descritas e quais as medidas previstas “para assegurar a fiabilidade e estabilidade dos sistemas de informação clínica”, bem como que acompanhamento está a ser feito relativamente à atividade cirúrgica, às listas de espera e à utilização da capacidade instalada da ULS de Braga.