GUERRA NA FAIXA DE GAZA - O MUNDO DE OLHOS POSTOS EM ISRAEL
2023-10-15 06:01:05

Global A resposta israelita ao ataque do Hamas vai determinar como se vão desenrolar os movimentos geopolíticos e como se alinharão as forças na perspetiva de um novo conflito de grande escala 15 de outubro, na Casa Branca, em Washington, nos Estados Unidos da América (EUA), o então j presidente norte-americano, | Donald Trump, foi o improvável j anfitrião e patrocinador do que ficou conhecido como Acordos de Abraão, em que Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein se comprometeram a estabelecer relações formais, pondo termo a décadas de vazio diplomá tico entre Telavive e o mundo árabe e alterando a dinâmica geopolítica no Médio Oriente. Como uma pedra num lago, os círculos de influência deste acordo chegaram a Marrocos e ao Sudão, em poucos meses, e chegaram este ano à Arábia Saudita, com o anúncio feito pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, de que estaria a ser ultimado um histórico acordo de paz entre os dois países, que aprofundaria a mudança na região. Depois, há uma semana, a 7 de outubro, o grupo islâmico Hamas lançou um ataque de surpresa em larga escala contra Israel, que ameaça mudar tudo outra vez, o que será um dos objetivos da operação. "Este ata-que. pela reação absolutamente desproporcional dos israelitas e por reacender estas diferenças identitárias, colocou em causa todos os esforços de aproximação", diz ao NOVO Andié Matos, professor e coordenador da licenciatura em Relações Internacionais da Universidade Portucalense. "A normalização das relações era uma prioridade da Administração Biden para o Médio Oriente, mas ficou completamente comprometida, uma vez que a Arábia Saudita não deixará de apoiar a causa palestiniana contra a opressão israelita", acrescenta. O ataque do Hamas, considerado uma organização terrorista pela União Europeia (UE) e pelos EUA, iniciou-se na madruwwimMwM-gada de sábado, envolveu uma barragem de rockets disparados a partir da Faixa de Gaza sobre o sul e o centro de Israel - 2.200 segundo Israel. 5.000 de acordo com o Hamas -. ataques por mar e incursões por terra em terreno israelita, abatendo alvos civis, incluindo os participantes num festival de música, e provocando encontros armados sem precedentes entre as duas forças. O Hamas terá raptado mais de uma centena de cidadãos - são referidos 180. de diversas nacionalidades -. que mantém como reféns em Gaza. As forças armadas israelitas têm ripostado, com bombardeamentos incessantes desde o primeiro ataque e combates junto à fronteira, ainda em território A condenação dos ataques do Hamas por parte da comunidade internacional foi rápida e generalizada. Do outro lado, o grupo terrorista pediu uma revolta de Benjamin Netanyahu, que governa com uma coligação que inclui dois partidos religiosos ortodoxos e o "Sionismo Religioso". ultranacionalista de extrema-direita, acordou um governo de emergência nacional com o principal partido da oposição. "A incapacidade - alegada - de Israel em antecipar os ataques - ou a deliberada decisão de não prevenir ou evitar o ataque - estava a colocar uma grande pressão sobre a já frágil coligação de Netanyahu; antecipava-se uma crise política grave", diz ao NOVO André Matos, professor e coordenador da licenciatura em Relações Internacionais da Universidade Portucalense. "Essa crise foi habilmente contornada pelo primeiro-ministro israelita ao criar uma solução de governação, a do governo de unidade nacional, pois assim conseguiu resolver dois problemas: evita uma crise interna a médio prazo-agudizada pelas recentes decisões sobre o princípio da separação de poderes, que tinham levado à rua milhares de israelitas contra as alterações à constituição - e. ainda, consegue desviar do seu partido e da sua figura custos políticos mais elevados da reação aos ataques: conseguiu empurrar para este governo, no qual participa o líder da oposição. os custos de decisões mais polémicas no decorrer do conflito", acrescenta. "O Hamas é o ISIS, e assim como o ISIS foi esmagado, o Hamas também deve ser esmagado", afirmou Netanyahu, depois de formado o novo executivo. Benny Gantz. líder da oposição, garantiu que o governo recém--formado está "unido" e pronto para "varrer da face da Terra esta coisa chamada Hamas". A espera da invasão A questão que se coloca agora é como retaliará Israel e como responderão outros movimentos e países do Médio Oriente, sendo que o Hamas já pediu uma revolta internacional, o que colocou muitos países em alerta, entre os quais os EUA, que se colocaram prontamente ao lado de Israel e garantiram o apoio na sua proteção. A norte de Israel, no Líbano, o grupo armado Hezbollah, pró--iraniano, já se declarou pronto para atacar, quando fosse oportuno. "Tenhamos presente que o ataque do Hamas, apesar de no contexto de um conflito regional, se insere numa tendência dos novos alinhamentos geopolíticos em que a Rússia tem um papel fundamental. nomeadamente na sua relação com o Irão", diz ao NOVO Jorge Silva Carvalho, consultor em segurança e estratégia. e antigo diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa. O próprio primeiro-ministro israelita já avisou que serão muitos dias de provação, antecipando um conflito mais longo. As forças armadas israelitas concentraram-se junto a Gaza. já anunciaram que vão utilizar uma "força significativa" no território nos próximos dias e ordenaram que 1.1 milhões de pessoas de habitantes abandonem o norte e se desloquem para sul. tendo criado uma via segura para o efeito. A Organização das Nações Unidas antecipa uma tragédia. "É provável que Gaza tal como a conhecemos deixe de existir", diz Silva Carvalho. Mas o Irão já avisou os EUA de que "devem controlar Israel" se quiserem evitar uma guerra regional na sequência da escalada do conflito israelo-palestiniano. "A América quer permitir que Israel destrua Gaza. e isso é um erro grave", disse o chefe da diplomacia iraniana. Hossein Amir-Abdollahian. durante uma visita a Beirute, citado pela agência francesa AFP. Jorge Silva Carvalho Consultor em segurança e estratégia André Matos Professor e coordenador da licenciatura em Relações Internacionais da Universidade Portucalense PP. 3 4 - 35