pressmedia logo

IDEIAS - EM RISCO DE EXTINÇÃO?

Correio do Minho

2026-05-09 21:09:19

Professor Universitário Para além dos temas habituais sobre as Guerras do Golfo e da Ucrânia e da propaganda do Governo sobre o Pacote Laboral e o Plano de Recuperação, os jornais do fim de semana trataram, com especial atenção, o tema da natalidade e do envelhecimento, em Portugal. Segundo as estatísticas, em média, o número de nascimentos por mulher foi, em 2025, de 1.8; o significa que é insuficiente para evitar a diminuição da população, que não se nota devido ao número de imigrantes. Além de que, parte dos bebés nascidos em Portugal (cerca de um terço) são filhos de mães estrangeiras, sendo que na Grande Lisboa, o número atinge 50%. E o mesmo acontece em Setúbal e no Algarve. e se os jovens não têm filhos, ou optarem por um só filho, como vai ser com as gerações mais velhas, já que o Estado conta com a rede familiar para cuidar dos idosos? Sendo certo que, para além da falência, a curto prazo, da Segurança Social, em Portugal, o número de Lares de idosos não é suficiente. O país apresenta a taxa mais baixa da União Europeia, com apenas 4 camas por cada 100 idosos. E, em muitas instituições, o tempo de espera pode chegar a três anos. Por outro lado, num país pobre, como o nosso, o preço médio do quarto individual atingiu, em 2026, 2.000 Eiiros Sou do tempo em que ter filhos, pelo menos no meio rural, era um investimento e não um custo. Então, porque é que as pessoas decidiram deixar de ter filhos? os especialistas, com base em inquéritos, apontam várias razões: elevado custo de vida, incerteza sobre o futuro, precariedade do trabalho, longas horas de trabalho diário, preço da habitação, falta de creches e escolas gratuitas. Por falar em creches, a taxa de cobertura de creches e infantários, em 2023, era de 55%, sendo a carência mais acentuada nos centros urbanos, sendo que a rede pública não atinge OS 5%. Nos restantes casos, é assegurada por IPSS e pelo setor privado. Por outro lado, os preços podem atingir os 800 Euros/mês, para além dos custos de inscrição e de custos adicionais com alimentação especial, prolongamento de horário e material didático. Como se resolve este problema, já que Portugal vai ter muito rapidamente mais pessoas com mais de 65 anos do que com menos de 25? Naturalmente com políticas públicas adequadas e não com propaganda. Mais, o Governo tem sido excelente em tomar medidas que só veem acelerar o aumento do preço da habitação. Outros autores apontam como importantes a educação sexual nas escolas, mas O Governo achou que era uma perda de tempo, ou mesmo prejudicial para o desenvolvimento das novas gerações. e isto sem falar no Pacote Laboral que propõe limites a amamentação e insiste no trabalho temporário e flexível. Percebe-se a estratégia do Governo, não só por razões de opção ideológica, mas também porque é apenas determinado pelo curto prazo e as políticas de fertilidade não dão ganhos imediatos. Como sublinha António Barreto, no Público de sábado passado, “é este provavelmente O Governo mais empenhado na propaganda”. Claro que existem outras razões, para além das económicas, que ajudam a explicar a diminuição da fertilidade que pode ter a ver com problemas de saúde, bem como com problemas sociais. Quanto ao primeiro ponto, o desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde não está a ajudar nada. Mas é urgente que se comece a abordar o problema. De outro modo, o Ventura deixa de ter povo a quem dirija a sua mensagem, a não sera os imigrantes de quem não gosta. J.A. OLIVEIRA ROCHA