PODE HAVER DEBANDADA NO SNS
2026-05-09 21:09:18

Pontificia Universidad Católica de Chile / Wikimedia Novidades anunciadas pela ministra já estão a ser alvo de críticas. É um “ataque”. Empurram-se médicos para exaustão. O diploma ainda não foi publicado, não se conhecem os detalhes alínea a alínea, mas as novidades anunciadas pela ministra da Saúde já estão a ser alvo de críticas e de preocupação. Na quinta-feira passada, Ana Paula Martins anunciou por exemplo que os médicos que têm contrato com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), que recusem ir além das 150 horas extraordinárias obrigatórias, não podem exercer noutra Unidade Local de Saúde (ULS). “Naturalmente, se não estão disponíveis para fazer este serviço de continuidade na urgência do seu hospital, na sua ULS, não faz muito sentido poderem fazer este serviço com condições diferentes numa ULS ali ao lado, por vezes até a menos de 20 ou 30 quilómetros”, justificou a ministra da Saúde. Outra novidade será o aumento do incentivo , entre os 40% e 80% do salário base , aos médicos que façam no SNS mais horas extraordinárias nas urgências, acima do limite legal anual. Isto para evitar contratações de mais tarefeiros. É sobretudo a primeira medida que pode originar uma “debandada para o privado”, segundo médicos tarefeiros citados no Público. Os médicos queixam-se de medicas “draconianas”. A Ordem dos Médicos prefere um período de transição. O bastonário Carlos Cortes explica que essa transição serviria para evitar rupturas assistenciais em hospitais que já estão a ter poucos recursos humanos. Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, salientou na CNN que os médicos tarefeiros são “fundamentais para manter os serviços [de urgências] em funcionamento”. O responsável acrescentou que há populações que podem ficar seriamente prejudicadas no acesso à Saúde se não houver uma proposta para fixar os prestadores de serviços no SNS. Nuno Figueiredo e Sousa, presidente da associação de médicos tarefeiros, avisa: “Estão a criar um problema na foz do rio e a esquecer-se da nascente. O que é preciso é criar condições para que mais pessoas fiquem no SNS”. Joana Bordalo e Sá, presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), acusa o Governo de empurrar médicos para exaustão. ZAP // ZAP