A AGONIA DE ABRIL
2026-05-09 21:01:36

Alegrei-me com Abril Mas do desconfici Logo na sua infãncia Como evitei a cegucira, de que nos fala Saramago, há muito que pressenti a sua progressiva decadência Pelas seguintes razões l Portugal é um dos países mais pobres e mais envelhecidos da Furopa, apcsar dos milhões de oblatas que vão caindo do céu, e que o poder político vai esbarnjando. Somos um pedinte vergonhosamente contuma/. Bm ritmo paquidémico, lá vamos tristemente na carroça da Europa 2 lá cerca de 30% de concidadãos no limiar da pobreza é inquictante o aumento escandaloso ds scm-abrigo.com salários de miséria, é pungente e dramático o problema da habitação. 3 A maior conquista de Abril-O SNS - foi estupidamente arrasada Floresceu, como era de prever, o negócio da saúde | lá mais hospitais privados do que públicos. 40% dos portugueses têm seguro de saúde, para gáudio das seguradoras. os pobres morrem em listas de espera Mais de 1.5 milhões de portugueses não têm médico de família Encerram Urgências hospitalares, nomeada-mente matemidades | lá partos de risco efectuados em casa ou em ambulâncias. Escandaloso. Os idosos apodrecem em lares, muitos deles tugúrios miseráveis. Não há prevenção, nem rede consistente de cuidados continuados ou de cuidados paliativos. Estes foram substituídos, numa inversão pungente e lamentável, pela eutanásia 4 A educação é outro desastre. O Estado impôs despoticamente um modelo educativo ideologicamente contaminado e absurdo, substituiu-se indevidamente à Familia, escravizou o docente, fomentou o facilitismo na aprendizagem e criminosamente determinou o ensino da iccologia de género, uma distopia alucinada e pateta, a crianças e adolescentes 5 O Fstado é estúpido. Gasta milhões com a formação universitária de jovens que para sobreviver emigram, para gáudio de quem os recebe Entretanto, a imigração descontrolada cresceu de forma assustadora o país vai perdendo a sua identidade 6 Uma corja de bárbaros assaltou e envenenou o país, procurando aniquilar o seu glorioso passado e arrasar os vakres secula-res e sagrados que habitam a alma lusitana Intentam amuinar material e espiritualmente o país com a imposição de uma contracultura alucinada e depravada 7. Outras chagas ferem Portugal, sem vias de cicatrização a corrupção, o nepotismo, o fanatismo, a indiferença, a ganãncia, o egoísmo, a violência, e ainda a rapacidade do fisco, a justiça escandakosamente lenta, a comunicação social genericamente infecunda e não raro mafiosa, e o crepúsculo da cultura e do pensamento, que sucumbiram ante as plataformas digitais quc conduzem à anquilose e robotização da mente 8 Abril agonizou porque a govemação não esteve à altura da grandcza do seu ideário original, e porque a sociedade irresponsavelmente adormeceu A classe política é genericamente vulgar e enão raro venal Nem a0s ombros dos gigantes d passado conseguem ter uma visão do futuro. Vivem em geral para o tacho e para o penacho do poder. Os estadistas sumiram. Augurava-se bem mais de meio século de democracia A alma lusitana vive uma noite escura, às apalpadelas na escuridão só uma sociedade desperta, exigente, fratema, solidária, educada e culta, repudiando utopias que coarctam a liberdade, conseguirá desatar este nó gordio e ressuscitar Abril Mas também reconhecendo, como lucidamente sublinha o maior vulto de Abril, o General Ramalho Eanes, que Abril não aconteceu só para usufruirmos da liberdade DINIZ DE FREITAS PROFESSOR CATEDRãTICO JUBILADO DA FACULDADE DE MEDICINA DE COIMBRA DINIZ DE FREITAS