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ASSOCIAÇÃO QUER SABER QUAIS OS IMPACTES DO AIR INVICTUS NO TURISMO FLUVIAL DO DOURO

RTP Online

2026-05-09 21:01:16

A Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro (AAMTD) quer saber quais os impactes na navegação, nas infraestruturas e na atividade económica decorrentes do evento Air Invictus previsto para junho, no Porto. Esta posição foi tomada numa reunião que decorreu hoje e juntou a organização do Air Invictus e a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL). Em comunicado enviado à comunicação social, a AAMTD disse que o Air Invictus, um evento aéreo que sucede ao extinto Red Bull Air Race e que utilizará o plano de água e o espaço aéreo do Douro como palco central, "não tem ainda autorização definitiva para a sua realização". É que, segundo refere, a organização do evento informou que a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) "apenas emitirá o seu parecer cerca de 15 dias antes da data do evento agendado para os dias 19, 20 e 21 de junho". Para a AAMTD, "este calendário é simplesmente incompatível com a realidade operacional dos seus associados" já que, explicou, "os operadores marítimo-turísticos do Douro planeiam a sua atividade com dois a três anos de antecedência, têm reservas confirmadas, contratos assinados e embarcações comprometidas com rotas licenciadas". "Os 15 dias não são um pré-aviso, são uma desconsideração", afirma, citado no comunicado, Hugo Bastos, da direção da AAMTD e Diretor de Operações da Douro Azul. A associação salienta que a realização do evento "implica a paragem total da navegação no Douro durante os três dias de prova". "O nosso negócio sustenta milhares de colaboradores diretos. Não podemos aceitar que três dias de evento, sem autorização confirmada, condicione as nossas operações e coloque em causa anos de trabalho e de investimento. Toda a navegação é afetada: não se entra nem se sai, a mobilidade no rio paralisa por completo. E não temos outros locais para recolocar as embarcações. Ninguém nos deu essa resposta, porque essa resposta não existe," reforça Hugo Bastos. A AAMTD disse que "estão em causa milhões de euros em perdas diretas para os operadores, a que acrescem os prejuízos indiretos sobre o turismo, a restauração e toda a cadeia económica que depende da atividade fluvial, sem que exista, até ao momento, qualquer mecanismo de compensação ou plano de mitigação apresentado às partes afetadas". E adianta ter formalizado, junto da APDL, um pedido de esclarecimentos sobre os impactes na navegação, designadamente eventuais interdições totais ou parciais, janelas horárias de suspensão e alterações aos canais de circulação, os impactos no uso dos cais e das infraestruturas portuárias licenciadas, o impacto operacional e económico direto sobre os operadores e a responsabilidade, bem como os mecanismos de ressarcimento por eventuais prejuízos decorrentes da realização do evento. A associação quer uma resposta no prazo de uma semana e a realização de uma reunião formal com a APDL, com informação por escrito, antes da data de realização do Air Invictus. "Precisamos de uma resposta concreta, não oral, mas escrita, com datas, restrições e soluções reais. Se não podemos acostar as nossas embarcações, qual é a solução? Alguém tem de responder por isso," sublinha ainda Hugo Bastos. A AAMTD disse reconhecer o valor promocional do evento para o Porto e para a região e refere que não se opõe, por princípio, à realização do Air Invictus. "O Douro não pode ser encerrado sem aviso suficiente, quando estamos a pouco mais de um mês da realização do evento, sem alternativas, sem compensações pensadas," conclui o membro da direção da associação. Fundada em 2018, a AAMTD representa 33 operadores do turismo fluvial na Via Navegável do Douro, entre navios-hotéis, cruzeiros diários, embarcações de animação turística e navegação local e tem como missão defender os interesses do setor, promover a sustentabilidade da atividade e assegurar um diálogo institucional permanente com as autoridades competentes.