APMF LEMBRA À MINISTRA DA SAÚDE QUE O SNS FALHA A 1,5 MILHÕES SEM MÉDICO DE FAMÍLIA
2026-05-08 21:06:36

A Associação Portuguesa de Médicos de Família Independentes contradiz Ana Paula Martins, lembra utentes sem médico de família no SNS e pede que privados possam requisitar exames comparticipados A Senhora Ministra da Saúde, Dr.ª Ana Paula Martins, afirmou esta quinta-feira, em conferência de imprensa, que o Serviço Nacional de Saúde não está a falhar os portugueses. A declaração, feita em resposta a uma jornalista, não convenceu a Associação Portuguesa de Médicos de Família Independentes (APMF). Em comunicado, a Associação lembra que há um milhão e meio de utentes sem médico de família atribuído. E sem esse acompanhamento, perde-se a prevenção, a vigilância de doenças crónicas como diabetes e hipertensão, e até o diagnóstico atempado. Pior: esses doentes ficam também sem acesso a exames de diagnóstico comparticipados pelo SNS. “São duplamente castigados e abandonados”, lê-se no texto assinado por António Alvim (na imagem), presidente da APMF. A ministra já tinha admitido, há poucas semanas, que não conseguia resolver o problema. “Para nós, Governo, atribuir um médico de família a todos os utentes é, de facto, uma ambição. Não o conseguimos até agora, não o vamos conseguir em 2027, porque todos os dias temos pessoas a inscreverem-se”, declarou na altura. Também o diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida, foi peremptório: “a falta de médico de família para mais de 1,5 milhões de utentes é um problema com o qual vamos ter de viver. Não será possível eliminá-lo, há que controlá-lo para que não aumente mais”. A APMF questiona, então, se estes cidadãos vão continuar completamente ao abandono. E recorda que recorrer a um médico de família privado até é acessível, mas sem os exames de diagnóstico comparticipados , caros, esses , torna-se inútil. Por isso, a Associação volta a apelar ao Primeiro-Ministro e à Ministra da Saúde: já que a promessa eleitoral de 2024 (um médico de família para todos até ao fim de 2025) não se cumpriu, que permitam pelo menos que os médicos de família privados possam requisitar exames pelo SNS para os utentes sem médico de família no serviço público. Seria como há 40 anos acontece com os medicamentos. E há mais: em Portugal existem médicos de família suficientes, diz a APMF. No sector privado há mil médicos de família que faltam no SNS. Um estudo recente da Nova SBE, de Pedro Pita Barros e Carolina Santos, mostra que 10% dos utentes têm dupla cobertura , médico de família no privado e no SNS , enquanto 15% não têm nenhum. Permitir que quem voluntariamente opte por um médico privado mantenha o acesso ao restante SNS e deixe a vaga pública para quem não tem, resolveria o problema. “Basta que haja vontade política sem preconceitos ideológicos”, sustenta a Associação. A APMF pede aos jornalistas que perguntem à Ministra qual a razão para não autorizar os médicos de família privados a requisitar exames comparticipados, pelo menos para quem não tem médico de família no SNS. “Será imperdoável se o não fizerem. Porque implica sofrimento escusado e mortes antecipadas”, alerta o comunicado. PR/HN/MM A Associação Portuguesa de Médicos de Família Independentes contradiz Ana Paula Martins, lembra utentes sem médico de família no SNS e pede que privados possam requisitar exames comparticipados [Additional Text]: António Alvim