pressmedia logo

PRIORIDADES - PRECISAMOS DE FALAR SOBRE ESTA DOENÇA RESPIRATÓRIA

Expresso

2026-05-08 21:06:36

Prioridades A doença pulmonar obstrutiva crónica é altamente subdiagnosticada, apesar de ser uma das principais causas de morte no país. Especialistas defendem a aposta no diagnóstico precoce, rastreios ou campanhas de prevenção e literacia Fotos NUNO Fox as 42 camas do serviço de Pneumologia do Hospital de Santa Maria há sempre doentes internados. “às vezes, uma cama chega a ter dois doentes no mesmo dia , sai um de manhã, à tarde está lá outro. A taxa de ocupação é sempre superior a 100%”, descreve Paula Pinto, diretora do serviço de Pneumologia desta Unidade Local de Saúde (ULS). O quadro é crítico e mostra como a carga global provocada pelas doenças respiratórias, em especial a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), tem vindo a aumentar. No Hospital de Santa Maria, as doenças respiratórias são aquelas que provocam mais idas ao serviço de urgência. Os fatores para o seu aparecimento são diversos: envelhecimento da população, infeções respiratórias emergentes, exposição ao tabaco e impacto das alterações climáticas. Segundo Paula Pinto, o grande problema é que, depois de lá entrarem, os doentes “nunca ficam iguais”. “Podiam ser autónomos, trabalhar, ir com os netos à escola, contribuir para a atividade familiar e da sociedade, mas precisam de fazer oxigénio ou ventilação não invasiva, o que muda a sua vida”, explica a profissional de saúde, realçando que a DPOC é tratável e pode ser prevenível. Mas esta doença é das mais subdiagnosticadas no país. Muitos doentes tendem a normalizar sintomas como tosse crónica, expetoração ou falta de ar, sobretudo quando associados ao tabagismo ou envelhecimento, o que acaba por atrasar o diagnóstico e comprometer o prognóstico. O diagnóstico precoce torna-se, então, crucial. Paula Simão, diretora do serviço de Pneumologia da ULS Matosinhos, releva a importância de alar-gar o acesso à espirometria nos centros de saúde, reforçando a equipa técnica especializada, já que os espirómetros em si são equipamentos extremamente baratos”. José Alves, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão, defende a implementação do rastreio, tal como existe na Madeira e que é dirigido a fumadores entre os 40 eos 74 anos. No que toca aos tratamentos, o acesso à reabilitação respiratória nos cuidados de saúde primários é também essencial, sendo que o tratamento em casa pode ser melhorado através de consultas estruturais em que se ensine o doente a como fazê-lo corretamen-te, sublinha Cláudia Vicente, médica de família e coordenadora do Grupo Estudos de Doenças Respiratórias (GRESP). “Posso ter um fármaco incrível, mas, se eu não o estiver a fazer bem, não vai ter efeito nenhum (..). A consulta estrutural, mais ou menos periódica, é uma das chaves para o sucesso”, garante a médica, acrescentando: “Além do acompanhamento correto do médico e enfermeiro, devemos envolver técnicos e farmacêuticos da comunidade. Vai mudar completamente o compromisso do doente em controlar a sua doença.” Fumar faz mal Já Paula Duarte, vice-presidente da Respira, insiste na aposta em campanhas de prevenção com foco no tabagismo como uma das prioridades para o combate à DPOC. “Num país com a iliteracia que o nosso tem, têm de existir campanhas sistemáticas com mensagens claras e precisas, que devem começar nas camadas mais jovens”, afirma. “Há quem invoque que isto deve começar no 3 e 4 ano, mas achamos que é impossível que eles interiorizem alguma coisa, por isso a Respira vai a turmas do 50 e 62 ano. e algo que deve ser pensado de maneira estruturada com o envolvimento do Ministério da Saúde e da Educação.” sociedade@expresso.impresa.pt Expresso sonofi SAUDE RESPIRAToRIA A segunda edição do Fórum Saúde Respiratória centrou-se na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), entre outros temas ligados às doenças respiratórias. Uma iniciativa da Sanofi à qual o Expresso se junta como media partner. Este projeto é apoiado por patrocinadores, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver código de conduta online), sem interferência externa. Paula Pinto, diretora do serviço de Pneumologia do Santa Maria, defende que o diagnóstico precoce da DPOC é fundamental No fórum, Cláudia Vicente falou na importância da consulta estrutural FRASES DO FÓRUM “o diagnóstico precoce da DPOC já é tardio” José Alves Presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão “ A maioria das exacerbações de DPOC pode ser prevenida através da vacinação comparticipada” Paula Simão Diretora do serviço de pneumologia da ULS Matosinhos “e preciso pensar a saúde a longo prazo para que haja sustentabilidade no SNS” José Albino Presidente da Respira Associação de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas BEATRIZ MAGALHÃES