PAULO NÚNCIO - ´OS JOVENS ESTÃO FARTOS DO WOKISMO E DAS PATRANHAS DA ESQUERDA - ENTREVISTA
2026-05-08 21:06:35

PAULO NÚNCIO o CDS é o único partido de direita nos valores e na economia Define o CDS como um partido de valores que está comprometido com a coligação, mas nao se esgota na coligação . Em relação ao congresso que se realiza nos dias 16 e 17 de abril, revela que vai apoiar a candidatura de Nuno Melo, a quem acha que o partido tem uma enorme dívida de gratidão . ~ Líder parlamentar do CDS TEXTO Sónia Peres PInto FOTOGRAFIA Bruno Gonçalves Oque esperar do próximo ximo congresso congresso do do CDS? CDS? Espero que saia deste congresso um partido corajoso, credível efiel à sua matriz. Um partido capaz de se renovar, de angariar novos quadros e quefaçaad ferença em termos de governacão. E, acima detudo, um partido que inspire osjovens, um partido do futuro. Os jovens estão fartos do wokismo, das patranhas da esquerda e dos pseudo-conflitos identitários. Os jovens aspiram a princípios, a valores, a referências, a causas pelas quais se batem. é o momento para mostrar a vitalidade do partido e mostrar que o CDS é mais do que a coligação com o PSD? OCDS não se esgota nem nunca se esgotou numa coligação. O CDS representa um espaço próprio de direita, diferente do PSD, que apoia. é bom dizer que O CDS eo PSD são partidos diferentes, têm origens diferentes, têm histórias diferentes e têm programas políticos diferentes. O CDS sempre se posicionou mais à direita do PSD e é assim que pretende continuar. Sou daqueles que acham que a coligação tem tudo a ganhar por ter dois partidos diferentes na sua composição que têma a responsabilidade de juntar esforços para resolver os problemas estruturais do país. O CDS foi e é um partido responsável, credível e que está absolutamente comprometido com a agenda reformista da AD, mas como partido diferente do PSD não abdicamos de apresentar as nossas iniciativas, designadamente no Parlamento, que representam a nossa matriz. Como vê a moção da JP que diz que O CDS se tornou politicamente menos reconhecível? O CDS é um partido plural, mas não me revejo na análise da JP, embora lhe reconheça toda a autonomia. E em relação ao pedido da JP para que o partido se prepare para concorrer às eleições de forma autónoma? A natureza de um partido é estar prepa-rado para ir a eleições sozinho. A vocação de um partido é afirmar posições políticas, é defendê-las e é procurar obter aconfiança dos eleitores que se revejam nessas mesmas decisões. Eo CDS tem ido a eleições sozinho. Foi assim na Madeira efoi assim nas eleições autárquicas com bons resultados. Na Madeira elegeu ehoje faz parte integrante do Governo Regional da Madeira. Concorremos a dezenas e dezenas de autarquias sozinhos, aumentámos as presidências das câmaras municipais, reafirmámos e reforçámos o estatuto de 4. Omaior partido autárquico português. Nesse sentido, o que a JP diz não é nada diferente do que o CDS já sabe e tem feito nos últimos tempos. Mas o presidente do Governo e líder do PSD/Açores já afirmou que nas próximas eleições não haverá coligação pré-eleitoral com o CDS. Era do conhecimento público que esta coligação ia até 2028 eo CDS, como partido responsável e credível, pretende mantê-la precisamente até 2028. Estáfocado em cumprir o programa de Governo que foi sufragado pelos eleitores açorianos e em ser parte ativa na execução do programa até essa data e, a partir de 2028, está preparadíssimo para ir a eleições sozinho, com a identidade própria, como aconteceu em 2020. Recordo que, em 2020, o CDS apresentou-se sozinho em eleições nos Açores, elegeu deputados e só depois formou coligação com o PSD. o mesmo se passou na Madeira. Em dezembro de 2025, fomos sozinhos, elegemos deputados e formámos Governo. No continente, como já disse, o CDS está comprometido com a coligação, masnão se esgota na coligação. O CDS está na coligação no Governo para reformar o país. o programa do Governo da AD e as reformas que foram já realizadas representam, em muitos casos, verdadeiras bandeiras de sempre do CDS. Como por exemplo? Aredução da fiscalidade, arevisão das leis deimigração, o aumento das pensões mais baixas e a valorização e modernização das Forças Armadas são bandeiras de sempre do CDS. Ao nível parlamentar também temos afirmado um conjunto de cau-sas de sempre do CDS. é o caso da ideologia de género nas escolas, das bandeiras hasteadas em edifícios públicos ou a defesa da integridade das nossas crianças, combatendo, por exemplo, as terapias hormonais para a mudança de sexo em menores. Isto mostra que O CDS continua a participar nas reformas estruturais do país e, ao mesmo tempo, tem uma capacidade de iniciativa própria. Mas há temas fechados e continua a defender o seu oposto, como é o caso do aborto. A questão do aborto não consta nem do programa eleitoral nem do programa de Governo da AD e, porisso, não vejo como será possível alterar a lei do aborto nesta legislatura. No entanto, as minhas convicções pessoais como cidadão são bem conhecidas. Soufrontalmente contra o aborto livre até às 10 semanas e não é de agora. Bati-me pela vida em 1998, no primeiro referendo. Volteia a bater-me pela vidaem 2007, no segundo referendo. E enquanto cidadão assim continuarei porque é uma questão de consciência pessoal, é uma questão de princípios e é uma questão de valores. O que está em causa é a vida de seres humanos e aproveito para recordar que depois dea a lei ter sido aprovada foram eliminadas legalmente mais de 300mil vidas humanas. Por outro lado, foi possível, com o voto do CDS, impedir o alargamento dos prazos da lei do aborto para as 12 e até para as 14 semanas que foi proposto pelo PS, pela extrema-esquerda e também pela Iniciativa Liberal. E em relação à eutanásia? A eutanásia corresponde a uma enorme vitória do CDS. Foi o CDS que suscitou à então Provedora de Justiça que pedisse ao Tribunal Constitucional uma declaração de inconstitucionalidade da lei de eutanásia por violação grave de princípios fundamentais da nossa ConstituiçãO. A Provedora de Justiça acedeu ao pedido e o que é certo é que o Tribunal Constitucional declarou inconstitucional o corpo central da lei de eutanásia. A partir daí, como aliás referiu há pouco tempo a Ministra da Saude, não faz sentido regular uma lei que deixou de ter existência jurídica. Sente o apoio do PSD em relação a esses temas fraturantes? Como já disse, o PSD eo CDS são partidos diferentes que têm identidades diferentes. Para nós, estas questões são fundamentais, o PSD tem posições diferentes em algumas matérias. Essa é que é a afirmação da identidade do CDS eé a afirmação da sua autenticidade. Há partidos que se dizem de direita, que defendem posições de direita na economia, mas depois são de esquerdanas questões de costumes e valores. é o caso da IL? é o caso da IL. Há outros partidos que também se dizem de direita, que defendem alguns valores de direita, mas depois defendem políticas de esquerda para a economia. é o caso do Chega? éo caso do Chega. Por exemplo, a condição apresentada pelo Chega no que diz respeito à aprovação da Lei de Laboral é absolutamente irresponsável e não cabe na cabeça de ninguém sobretudo quando foi apresentada sem qualquer análise de impacto orçamental ou de sustentabilidade da Segurança Social. Isto é brincar à política. Mais, fazer depender a reforma laboral de baixar a idade da reforma prova que o Chega, afinal, não está preocupado e não tem qualquer interesse em reforçar a produtividade, a competitividadee a flexibilidade danossa economia. Diria que isto é o Chega no seu pior, ao lado dos comunistas e da restante esquerda. Recordo que o primeiro partido a propor a redução da idade da reforma foi O PCP. Agora o Chega segue as pisadas. O CDS é o único partido de direita nos valores e na economia. O facto de o presidente do partido, Nuno Melo, exercer funções de ministro não deixa a questão da liderança um pouco ao abandono? Penso que não. é normal que um líder que ocupe um cargo ministerial tenha de se dedicar às suas funções governativas, ao mesmo tempo que se dedica às suas funções de presidente do partido. Isso acontece em todos os partidos, evidentemente que tem de haver uma capacidade de acumular essas funções, e no caso do CDS essa função tem sido cumprida. A ideia de ter um presidente interino nunca foi posta em cima da mesa? o partido tem um conjunto de porta-vozes que têm exercido as suas funções dentro do que tem sido pedido pelo presidente do partido. O CDS não tem propriamente essa tradição de ter alguém que lidere o partido quando o presidente está no Governo. Não aconteceu assim com Freitas do Amaral, nem com Paulo Portas e não acontece assim com Nuno Melo. Tudo indica que Nuno Melo irá recandidatar-se à liderança. Sim, seguramente. Nuno Correia da Silva já anunciou a sua candidatura. O CDS é um partido plural e é bom que haja várias candidaturas a representar várias visões para o partido e para o país. Vouapoiar Nuno Melo como o apoiei des-de: a primeira hora que se disponibilizou para ser presidente do CDS. O partido tem uma enorme dívida de gratidão a Nuno Melo porque foi por causa da sua coragem e da sua determinação e sob a sua liderança que o CDS regressou ao seu lugar de sempre e integra hoje o décimo Governo constitucional da sua história. Espero que o congresso também sirva para reconhecer o papel fundamental que Nuno Melo teve no CDS nesta fase. Nessa altura, já muitos falavam na morte do partido. O CDS tem mais de 50 anos de históriae há pessoas, designadamente de esquerda, que há 50 anos que estão a prever o fim do CDS. Cá estamos e bem vivos. Nunca ponderou candidatar-se? Esse é um cenário que não se coloca. O partido assistiu à saída de uma série de militantes. Essa sangria já terminou? O CDS hoje está numa fase muito melhor do que já esteve no passado. é bom recordar que o CDS regressou ao seu espaço de sempre. Mas continua a ser alvo de críticas por parte de alguns ex-militantes e ex-dirigentes. Mesmo antes de ser líder parlamentar já algumas dessas figuras estavam a caminho do socialismo. São críticas que não me surpreendem. O inimigo político do CDS é. O PS e o inimigo ideológico do CDS é o socialismo. Ainda recentemente comemorámos os 50 anos da Constituição, e, no caso do CDS, comemorámos o voto contra a Constituição de 76 e foi um voto corajoso, patriótico e que definiu a identidade do CDS. Um partido personalista, adversário do socialismo e profundamente crente do valor da liberdade. E esta é a verdadeira identidade do CDSe, por isso, o CDS está onde sempre esteve. Essas figuras é que se estão a afastar do CDS a caminho do socialismo. Há quem defenda a ideia de que o CDS está radicalizado. De forma nenhuma. Olho para o CDS ainda como partido de Adelino Amaro da Costa. é um partido de valores. Por Sónia Peres Pinto/10-11 Os jovens estão fartos do wokismo, das patranhas da esquerda e dos pseudo-conflitos identitários Depois de a lei [do aborto] ter sido aprovada foram eliminadas legalmente maisde 300 mil vidas humanas Sónia Peres PInto