PORTUGAL ENTRE OS PAÍSES EUROPEUS COM MAIOR INCIDÊNCIA E MORTALIDADE POR CANCRO DO OVÁRIO
2026-05-08 21:06:34

Portugal continua a registar indicadores preocupantes no cancro do ovário, com mais de 682 novos casos e 472 mortes por ano atribuídas à doença, segundo os dados mais recentes do GLOBOCAN, números que colocam esta patologia como a oitava principal causa de mortalidade por cancro nas mulheres. Especialistas reunidos na mesa-redonda “Cancro do ovário: uma abordagem multidisciplinar”, promovida pela Associação MOG - Movimento Oncológico Ginecológico em colaboração com a Unidas para Vencer, defenderam que o diagnóstico tardio e a baixa literacia em saúde continuam a ser os principais obstáculos ao combate eficaz desta doença. No encontro, realizado no Auditório da NOVA Medical School, foi destacado que os sintomas associados ao cancro do ovário são frequentemente inespecíficos, o que dificulta a sua identificação precoce. Cansaço persistente, dor abdominal, aumento do volume abdominal, alterações urinárias ou intestinais e mudanças no peso corporal podem ser sinais de alerta, mas tendem muitas vezes a ser subvalorizados por doentes e profissionais de saúde. Mariana Araújo, interna de Obstetrícia e Ginecologia, explicou que “os sintomas do cancro do ovário não são especificamente ginecológicos; são sintomas gastrointestinais e urinários, tornando-se mais lento o processo de associar rapidamente a patologia à ginecologia”. A oncologista Mariana Malheiro alertou que a dificuldade no diagnóstico precoce resulta também da falta de preparação dos profissionais de saúde de primeira linha para reconhecer estes sinais e encaminhar rapidamente as doentes. “Os Cuidados de Saúde Primários têm dificuldade em saber para onde encaminhar estas doentes”, afirmou, defendendo maior atenção a sintomas persistentes ou recorrentes. A especialista sublinhou ainda que sinais repetidos não devem ser ignorados: “Tudo o que se repetir não pode ser desprezado. Se uma doente vier três vezes às Urgências com queixas de dor abdominal, é preciso pedir um exame. Só assim se poderá diagnosticar e tratar corretamente.” As especialistas presentes alertaram que qualquer atraso entre o aparecimento dos sintomas, a realização dos primeiros exames e a confirmação do diagnóstico pode ter impacto decisivo na evolução da doença, uma vez que os tumores do ovário apresentam crescimento rápido, aumentando de dimensão em pouco tempo e agravando o prognóstico. Perante este cenário, foi defendida a criação de cinco hospitais de referência com equipas multidisciplinares especializadas no diagnóstico e tratamento dos cancros ginecológicos, capazes de assegurar uma resposta diferenciada e adequada à especificidade destas patologias. Com projeções que apontam para um aumento de 42% na incidência do cancro do ovário nos próximos anos, os especialistas consideram essencial reforçar a investigação em inovação terapêutica e colocar a qualidade de vida das doentes no centro da resposta clínica. A presidente da Associação MOG - Movimento Oncológico Ginecológico, Cláudia Fraga, deixou uma mensagem de esperança, partilhando a sua experiência pessoal: “Eu não descurei os meus sintomas, ouvi o meu corpo e, 11 anos depois, ainda cá estou, com qualidade de vida, graças às excelentes equipas médicas que me acompanharam. Gostava que esta pudesse ser a realidade de todas as mulheres com este cancro. As cicatrizes são as marcas da nossa sobrevivência.” A iniciativa contou ainda com a participação da enfermeira Camala Liladar, de Ana Martins, diretora médica da AbbVie, de Cláudia Fraga e de Joana Matilde, estudante do 4.º ano de Medicina da NOVA Medical School. Antes da mesa-redonda, a Associação MOG - Movimento Oncológico Ginecológico inaugurou a exposição fotográfica “Cicatrizes na Primeira Pessoa”, patente no Hospital São Francisco Xavier até 30 de maio. NR/HN/AL Portugal continua a registar indicadores preocupantes no cancro do ovário, com mais de 682 novos casos e 472 mortes por ano atribuídas à doença, segundo os dados mais recentes do GLOBOCAN, números que colocam esta patologia como a oitava principal causa de mortalidade por cancro nas mulheres. [Additional Text]: MOG_Associação Movimento Oncológico Ginecológico