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VOLTAMOS A ABRIL...

Notícias da Beira

2026-05-08 21:06:33

Anabela.ramos.silva@sapo.pt Temos vivido tempos agitados. Abril nunca esteve tão presente nas nossas vidas como agora. Aquilo que dávamos como adquirido, cinquenta anos depois, começa lentamente a questionar-se. Os três Salazares”, e outras frases que nos querem fazer crer que o tempo passado foi bom e maravilhoso, começam a aparecer no debate público. Dizem até que o Salazar nunca mandou prender ninguém e ouvi mesmo um antigo pide dizer que aue não fazia tortuira dava apenas umas bofetadas de vez em quando. Tudo boa gente! A in por aqui, não tarda, estamos a por esta gente nos altares, e já que não temos coragem política para fazer um museu do 25 de Abril, somos muito bem capazes de fazer o do Estado Novo... De certeza que não faltarão mecenas. Também vi o debate do Pacheco Pereira e li o que ele escreveu depois no jornal Público, assumindo que não podemos baixar os bra-ços e simplesmente deixar que digam o que lhes apetece, sem qualquer confronto e rigor histórico. A verdade hiotarico A CA uma e cabe ao historiador fazê-la com objectividade, utilizando todas as fontes disponíveis. Pacheco Pereira falou com a verdade histórica. ê ela que deve e vai imperar. E à crítica de que «quem debate com um porco fica todo sujo, e ainda por cima o porco gosta», respondeu com um irónico «olhe que não, olhe que não». Hoje, pela manhã, ouvi os discursos no Parlamento e gostei do que ouvi, quer do Presidente da Assembleia da República, quer do Presidente da República. Aguiar Branco falou claramente de um Portugal que gosta deste regime, democrático e livre mas que infelizmente estamos a assistir a um entrincheiramento dos políticos. Uma bolha de descrédito onde agora poucos querem entrar. Gente que não é bem vista pelo país real. Muito por culpa deles próprios que, nos últimos cinquenta anos de democracia, e nos outros cinquenta anteriores, não souberam usar o poder para exercerem um verdadeiro serviço público. Mas, porque numa democracia os partidos e os políticos São importantes, cabe-lhes a eles fazerem-nos acreditar que são gente séria e competente. E, não, algumas medidas não são assim tão disparatadas. Há que haver regras e há que mudar esse conceito geracional de que os políticos são todos corruptos. António José Seguro falou de liberdade, pôs o dedo em algumas feridas recentes, apelou aos jovens e deixou esperança, muita esperança... Estou a chegar a casa depois de visitar o novo MUZEU de Braga, um espaço aberto propositadamente neste Dia da Liberdade. Aqui a arte confronta-nos como os problemas do nosso tempo: as desigualdades, a solidão, a sociedade da vigilância, o pós e o neocolonialismo, a violência de género, a fé... Uma arte que provoca o pensamento, que nos envolve na poesia, mas, acima de tudo, nos integra numa profunda dimensão política. Interpretar a arte moderna do nosso tempo, com vários artistas contemporâneos, portugueses e não só, não se faz sem liberdade. Melhor, sem livre pensamento não há arte. O dia termina com a certeza de que a democracia está firme. Aguiar Branco tem razão. O povo gosta e já não sabe viver sem liberdade! Abril continuará a florir em cada um de nós. Anabela Ramos