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AIE RECOMENDA APOIOS À COMPRA DE VEÍCULOS ELÉTRICOS USADOS EM PORTUGAL

Renascença Online

2026-05-08 21:06:33

A Agência Internacional de Energia recomenda apoios à compra de veículos elétricos usados para famílias de baixos rendimentos e defende mais investimento em carregamento urbano e transportes públicos para reduzir a dependência do petróleo. A Agência Internacional de Energia recomenda que Portugal apoie a compra de veículos elétricos usados, sobretudo por famílias de baixos rendimentos, para reduzir emissões num setor dos transportes ainda muito dependente do petróleo. A proposta consta da Revisão da Política Energética de Portugal 2026, apresentada esta sexta-feira em Lisboa, documento que integra o ciclo regular de análises conduzidas pela AIE às políticas energéticas e climáticas dos países membros e apresenta 10 medidas para Portugal. Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui No setor dos transportes, o relatório aponta como prioridades o apoio a veículos elétricos usados, a expansão da rede urbana de carregamento e novas medidas para aumentar a transferência modal. Segundo o documento, os transportes são a principal fonte de emissões de gases com efeito de estufa associadas à energia em Portugal, representando 54% em 2024, enquanto o petróleo assegurou 92% do consumo total de energia final do setor. A AIE assinala que a aquisição de veículos elétricos está “em rápida expansão” em Portugal, graças ao regime fiscal favorável e a uma rede de carregamento bem desenvolvida ao longo dos principais corredores de transporte. Em 2025, os veículos elétricos representaram 38% das matrículas de veículos novos, uma taxa superior à média da União Europeia. Contudo, a agência sublinha que persistem “grandes desafios”, uma vez que o transporte rodoviário continua a predominar e o parque automóvel português é “bastante envelhecido e ineficiente”. Apesar do crescimento nas vendas, a percentagem de veículos elétricos no parque automóvel total correspondia apenas a cerca de 6%. Neste contexto, a AIE considera que a política de veículos elétricos deve refletir melhor o “poder de compra limitado” dos consumidores e a estrutura do mercado automóvel em Portugal, onde os veículos usados representam cerca de 80% das vendas. “A introdução de um subsídio para a aquisição de veículos elétricos usados destinado às famílias de baixos rendimentos permitiria reduzir a idade média do parque automóvel e as emissões”, lê-se no relatório. A agência defende que os beneficiários prioritários deste apoio devem incluir motoristas profissionais e pequenas e médias empresas, “a fim de garantir que os escassos recursos públicos cheguem às pessoas que mais precisam de apoio financeiro e cujo potencial de redução de emissões é maior”. No carregamento, a AIE recomenda que a expansão da infraestrutura dê prioridade aos postos de baixa tensão nas zonas urbanas, onde muitas famílias estacionam na rua e não podem instalar carregadores privados. Segundo o relatório, essa expansão também deve ter “especial atenção” às famílias de baixos rendimentos, enquanto a instalação de postos de carregamento junto a interfaces de transportes públicos poderá melhorar a integração entre transportes públicos e veículos elétricos. A agência considera, contudo, que a redução do consumo de petróleo e das emissões não deve depender apenas da substituição tecnológica do parque automóvel. “A forma mais sustentável de Portugal reduzir o consumo de petróleo e as emissões passa pela transferência modal do automóvel particular para os transportes públicos, a ferrovia, as deslocações a pé e de bicicleta”, assinala. Segundo o relatório, esta transferência modal reduz estruturalmente a procura de energia, ao contrário da simples substituição tecnológica dentro do parque automóvel, permitindo baixar o consumo de petróleo e reduzir a necessidade de investimentos avultados na modernização da rede elétrica. A AIE defende ainda que Portugal deve acelerar a transferência do transporte de mercadorias da frota de camiões a gasóleo para a rede ferroviária “altamente eletrificada”. O relatório conclui que a transferência modal deve manter-se como “um pilar central” da política de transportes, defendendo que o planeamento urbano e regional deve garantir acesso equitativo à mobilidade ativa, a transportes públicos fiáveis e acessíveis, bem como à futura rede nacional de alta velocidade. Lusa