O VÍRUS QUE PAROU UM CRUZEIRO E PREOCUPA O MUNDO
2026-05-08 21:06:32

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins durante a conferência de imprensa sobre a reunião do Conselho de Ministros, em Lisboa, 07 de maio de 2026. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA Foto: AFP Foto: António Pedro Santos / Lusa Mortes de passageiros de navio neerlandês deixam autoridades de saúde em alerta. Doença causada por hantavírus pode evoluir para síndrome pulmonar grave, potencialmente letal. Roedores são os principais responsáveis pela contaminação. Surto a bordo de navio Há mais um vírus a deixar o Mundo em alerta. Em causa está um surto de hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro neerlandês, o MV Hondius, que fazia a ligação entre Ushuaia, na Argentina, e as espanholas ilhas Canárias, com cerca de 150 pessoas a bordo. No final de abril, devido à confirmação de uma suspeita de surto a bordo, com vários casos graves e pelo menos uma morte, o navio alterou a rota, tendo ancorado ao largo de Praia, em Cabo Verde, para que a assistência médica pudesse ser prestada. Na última quinta-feira, 7 de maio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que tinham já sido reportados oito casos. Desses, cinco foram confirmados como hantavírus. A OMS garante, contudo, que o risco deste surto para a população global é baixo. Está previsto que o navio chegue a Tenerife de sábado para domingo, para que os passageiros possam ser retirados diretamente para o aeroporto. O que é e como se transmite Os hantavírus são um grupo de vírus raros que se encontram principalmente em roedores e que podem causar doença grave e mortal em humanos. Regra geral, a doença é contraída através da inalação de partículas suspensas no ar, provenientes de fezes secas, urina ou saliva dos roedores (por exemplo, durante a limpeza de espaços em que haja presença de ratos). Ana Paula Martins, ministra da Saúde: "Não se espera qualquer transmissão generalizada" Confunde-se com a gripe Num primeiro momento, a infeção por hantavírus pode facilmente ser confundida com a gripe, dado que os sintomas iniciais são fadiga, febre e dores musculares. Em alguns casos, surgem também dores de cabeça, tonturas e problemas gastrointestinais. Porém, a doença pode evoluir rapidamente, dando lugar à síndrome pulmonar por hantavírus. Nesses casos, há frequentemente falta de ar e acumulação de líquido nos pulmões, o que pode levar a dificuldades respiratórias severas e, no limite, à morte. Confirmada pior estirpe Entretanto, na última quarta-feira, 6 de maio, o ministro da Saúde sul-africano garantiu que a estirpe detetada nos dois passageiros do navio que foram transferidos para um hospital de Joanesburgo, na África do Sul, era a andina, a única entre as 38 conhecidas até hoje que é passível de ser transmitida entre humanos e, portanto, a mais perigosa. Ainda assim, olhando aos poucos surtos identificados até hoje, a transmissão é tendencialmente limitada. 33% A taxa de mortalidade aproximada entre os doentes infetados por hantavírus que tenham sintomas respiratórios. [Raio-X é uma rubrica semanal da "Notícias Magazine"] Ana Tulha