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ECONOMIA E SUSTENTABILIDADE EM SAÚDE

Diário de Coimbra

2026-05-08 21:06:27

Asustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) constitui um dos maiores desafios estruturais da Saúde em Portugal. Desde a sua criação, o SNS tem desempenhado um papel essencial na garantia do acesso universal aos cuidados de saúde, promovendo ganhos significativos nos indicadores de saúde da população. Contudo, as mudanças demográficas, epidemiológicas, tecnológicas e económicas colocam novas exigências à sua capacidade de resposta. O envelhecimento progressivo da população portuguesa representa um dos principais fatores de pressão sobre o SNS. O aumento da esperança média de vida está frequentemente associado a uma maior prevalência de doenças crónicas, como diabetes, doenças cardiovasculares e patologias respiratórias, exigindo acompanhamento prolongado e maior consumo de recursos de saúde. Por outro lado, a inovação tecnológica assume igualmente um papel estratégico. A digitalização dos serviços, a telemedicina e a interoperabilidade dos sistemas de informação permitem melhorar a eficiência organizacional, reduzir desperdícios e aproximar os cuidados de saúde dos cidadãos, especialmente em regiões com menor acessibilidade geográfica. Dentro deste capítulo, deve-se realçar o papel que a inteligência artificial e a robotização vão ter, de forma exponencial, na organização e práticas ligadas à saúde. Outro elemento determinante prende-se com a gestão eficiente dos recursos humanos em saúde. A valorização dos profissionais, a melhoria das condições de trabalho e a fixação de médicos e enfermeiros no SNS são aspetos essenciais para garantir a continuidade e a qualidade dos cuidados prestados. Um sistema sustentável depende diretamente da motivação e estabilidade dos seus profissionais. Paralelamente, importa reforçar a articulação entre os diferentes níveis de cuidados de saúde e promover modelos de gestão mais eficientes e transparentes. A cooperação entre instituições, aliada a uma utilização adequada dos recursos públicos, contribui para garantir a sustentabilidade financeira do SNS a médio e longo prazo. A sustentabilidade do sistema de saúde depende, também, da capacidade de implementar estratégias que promovam a prevenção da doença e a literacia em saúde. Investir na promoção de estilos de vida saudáveis, no diagnóstico precoce e no acompanhamento regular dos utentes contribui para reduzir custos futuros associados a tratamentos mais complexos e prolongados. A aposta na prevenção representa não apenas um ganho em saúde pública, mas também uma medida economicamente vantajosa. Assim, assegurar a sustentabilidade do SNS implica uma visão integrada que combine investimento estratégico, valorização profissional, inovação tecnológica e promoção da saúde. Só desta forma será possível preservar um sistema público universal, equitativo e capaz de responder às necessidades das gerações presentes e futuras. Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos O envelhecimento progressivo da população portuguesa representa um dos principais fatores de pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde Manuel Teixeira Veríssimo