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MAIS EVIDÊNCIA, MAIS PSICOLOGIA, MAIS SNS

Diário de Coimbra

2026-05-08 21:06:27

Nos últimos anos, os desafios diários na vida dos portugueses têm sido cada vez maiores. As consequências são notórias especialmente ao nível do nosso bemestar, qualidade de vida e saúde. Paralelamente, quanto mais envelhecemos, maior é a probabilidade de desenvolvermos inúmeras doenças, o que constitui um risco para os cidadãos. E um estudo da OCDE, já em 2026, refere como problema a falta de coordenação nos cuidados de saúde em doença cró- nica e acrescenta que na área da saúde mental, Portugal é também um dos países que apresenta piores indicadores, com 4 em cada 10 inquiridos em risco de depressão. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, no ano de 2025, 40% dos portugueses com 16 ou mais anos apresentavam sintomas de ansiedade. Recuando a 2022, Portugal já tinha a população idosa com menos saúde a nível europeu. Segundo a American Psychological Association, a prevenção da doença passa por fatores sistémicos como a pobreza, o racismo e a habitação, que também influem na nossa saúde e precisam de políticas responsáveis. Mas também da iniciativa individual. E cada um de nós pode fazer a diferença para deixarmos de ser um dos países mais sedentários da Europa, o que prejudica a nossa qualidade de vida e a sustentabilidade de um SNS que, além do potencial, tem de fazer parte da solução. O recente Plano Nacional da Saúde para as De-mências, destaca os doentes que sofrem de demências, bem como os seus familiares e cuidadores. Neste âmbito, importa realçar as competências dos Psicólogos nestas e noutras áreas de intervenção, sendo com expetativa que a Comissão Nacional de Coordenação Interministerial dos Cuidados de Longa Duração inclua a possibilidade de integração de mais psicólogos nos Serviços de Cuidados Continuados e Cuidados Paliativos, e no SNS em geral, como uma das soluções para a respetiva Direção Executiva resolver os problemas identificados. A Ordem dos Psicólogos Portugueses apresenta dados que fundamentam as intervenções psicológicas como custo-efectivas nos cuidados de saúde primários e hospitalares. A integração de medidas consistentes de literacia e a promoção em saúde são essenciais, não só para o empoderamento e bem-estar dos cidadãos, mas também para a sustentabilidade do SNS. Além disso, a implementação de políticas que promovam uma melhor coordenação dos cuidados de saúde, bem como a valorização e contratação de profissionais, proporcionará um SNS não só mais sustentável e resiliente, mas também mais humano, acompanhando o utente de forma integrada e transversal ao longo do ciclo de vida. Sérgio Viana Presidente da Delegação Regional Centro da Ordem dos Psicólogos Portugueses Sérgio Viana