O SNS DEVE CONTINUAR A SER PEDRA BASILAR DO SISTEMA DE SAÚDE - ENTREVISTA A CARLOS ROBALO CORDEIRO
2026-05-08 21:06:26

Análise Diretor da Faculdade de Medicina da UC e responsável pelo Observatório Nacional de Saúde Global, Carlos Robalo Cordeiro, concorda que o SNS tem problemas, nomeadamente ao nível da aposta na prevenção. Para se manter sustentável no futuro e continuar a ser o garante do Sistema de Saúde “terá de se adaptar” Diário de Coimbra O Observatório Nacional de Saúde Global foi criado há menos de um ano pela Universidade de Coimbra para produzir conhecimento e apoiar a implementação de políticas de saúde à escala global. A que se propõe este organismo? Carlos Robalo Cordeiro O Observatório de Saúde Global foi lançado a 25 de setembro, com a presença da ministra da Saúde. Estamos ainda num processo de criação da estrutura, da sua instalação no Polo I, na antiga Faculdade de Medicina, num espaço que também está a ser requalificado. Vamos ter algumas parcerias desde logo até com proximidade física, uma vez que ali mesmo se vai instalar o Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra para nos dar apoio e com a sua expertise promover estudos e trabalhos na área da saúde e dos sistemas de saúde, que é isso que se pretende fazer. Porquê criar este Observatório? Faz sentido que a UC tenha um Observatório de Saúde Global. Temos diversas estruturas, organismos, departamentos, competências instaladas em muitas unidades orgânicas, não apenas na Faculdade de Medicina, mas também nas Letras, na Geografia, com os muitos trabalhos da professora Paula Santana a serem desenvolvidos, precisamente, sobre sistemas de saúde, desde o Centro de Ecologia Funcional, mas todas as áreas do Direito à Psicologia, à Farmácia. Há muita capacidade e conhecimento na nossa universidade a trabalhar na perspetiva da saúde global. O que se pretende com este observatório é congregar competências instaladas em diversas unidades orgânicas para promover o conhecimento, para haver trabalhos, estudos, pesquisas que deem origem a dados em saúde nas mais diversas áreas que possam promover conhecimento, na perspetiva da literacia da população, mas também das autoridades.com dados seguros, robustos, com conhecimento gerado pela evidência cien-tífica conseguimos promover junto dos decisores as medidas que possam ou devam ser necessárias para garantir uma saúde global. Neste momento estamos muito focados na diplomacia em saúde, que assume uma importância muito grande. É importante que haja capacidade de diálogo diplomático, que se pense numa perspetiva de ausência de fronteiras para conseguir os melhores objetivos na promoção da saúde global. A pandemia Covid19 foi grande exemplo disso. Se não tivesse havido essa congregação de esforços, de interesses e objetivos, se não se promovessem estudos, moléculas, vacinas e recomendações, não teria sido possível controlar como se controlou. Isso acontece? As evidências científicas pesam nas decisões políticas? Gostávamos que fosse mais, com sinceridade. O Ministério da Saúde tem que dialogar com o Ministério da Economia, com o Ministério da Agricultura, com o Ministério do Ambiente, só para dar alguns exemplos, na mesma perspetiva. A saúde tem que ser encarada como um objetivo que não é apenas relacionado com a saúde. Sabemos que a saúde não é apenas o que se passa nos hospitais ou unidades de saúde. Tem a ver com o local onde nascemos, com o que fazemos, com o que comemos, com o que respiramos. Há determinantes em saúde, sociais, económicas, políticas, culturais, que de alguma maneira têm que ser encaradas e têm que ser inseridas nesta conjuntura, no sentido de tentar promover o controle daquilo que são os problemas de saúde. Só assim podemos falar em sustentabilidade de um sistema de saúde? Sim, a sustentabilidade deve ser encarada de diversas maneiras. Pode ser uma sustentabilidade financeira, e isso é um dos aspetos mais difíceis na saúde. De facto, a saúde tem um custo cada vez maior, o que é natural em face de toda a inovação tecnológica, medicamentosa, do envelhecimento da população, cada vez mais dependente dos recursos de saúde e com necessidades em saúde muito mais constantes do que população mais jovem. Estamos claramente com um desenho que vai determinar um custo acrescido e crescente para a saúde nos próximos tempos. População mais velha, mais dependente, com doenças e necessidades - as mais diversas - relacionadas com a longevidade. E uma inovação que não podemos deixar de acompanhar, quer sob o ponto de vista tecnológico, de equipamentos, quer do ponto de vista medicamentoso. Hoje, temos cada vez mais , e é isso que se pretende , uma medicina de precisão, uma medicina direcionada para os problemas e para o doente. Portanto, a sustentabilidade financeira é um problema. Mas, e isso é um aspeto im-portante, a saúde tem de ser encarada noutras perspetivas... por exemplo da sustentabilidade ambiental. É algo para o qual não temos noção... A saúde, nas mais diversas atividades, gera uma produção imensa de CO2 para a atmosfera. Eu participei num trabalho com o Conselho Português para a Saúde e Ambiente, publicado há um ano e pouco na Acta Médica Portuguesa. Por exemplo, num país tão pequeno como o nosso, vimos que - e essa é estimativa - a utilização dos inaladores pressurizados para a asma de ação rápida, promoveram, no ano de 2022, a emissão de 30 mil toneladas de CO2 para a atmosfera. Corresponde a 150 viagens transatlânticas de LondresNova Iorque. Para se perceber bem, seria necessário plantar 1,3 milhões de árvores por ano para capturar esses gases. Era necessário plantar em Portugal um parque de Monsanto por ano só para poder capturar os gases daqueles inaladores rápidos.com esse trabalho promovemos algumas recomendações. Uma, que estamos a discutir com a Direção Geral da Saúde, é que possa haver nas plataformas de prescrição eletrónica, mecanismos de alerta com as cores dos semáforos, para que o prescritor saiba que, ao prescrever de-terminada molécula, pode estar a pro- mover poluição e que, eventualmente, há uma alternativa que pode ter algum ganho em termos de sustentabilidade. Para que perceba, uma embalagem do inalador para a asma significa uma viagem de carro Coimbra-Lisboa. É isso que polui. Se forem as suas alternativas, como um pó seco para inalar, o que polui é o correspondente a uma viagem daqui até Conímbriga. Portanto, a diferença é de 10 km para 200 km. E este é o pensamento que temos que ter. Não é só financeira a sustentabilidade do SNS, portanto... Podemos falar de sustentabilidade financeira. E na saúde ela tem de ser muito imaginativa. É muito importante, porque a saúde é um bem precioso, que tenhamos um SNS, a base da saúde em Portugal, porque dele dependem muitas pessoas e vidas. É ao SNS que as pessoas recorrem. Claro que hoje há também uma diversificação muito grande da oferta privada, assim como também da componente social em saúde. Nisso, julgo que têm de funcionar em rede, não concorrencialmente e de forma equilibrada Poderá ser esse o caminho para o SNS também mais sustentável? Claro que sim. O SNS não pode deixar de ser a base do sistema, porque há muitas pessoas que não têm capacidade de acesso a outro tipo de oferta que não seja o SNS. Essa é base e esse é um compromisso social e comunitário que é fundamental. Como torná-lo mais sustentável? A gestão é que é o aspeto importante. E esta passa também pela convivência saudável com o setor social, que é muito importante para as necessidades da nossa população cada vez mais envelhecida, e com o setor privado, porque há, de facto, uma outra capacidade instalada. Nós hoje já temos uma percentagem muito grande da população que apenas recorre aos privados, porque tem capacidade, seguros, ADSE e fazem essa opção. Mas não vamos nunca deixar de ter - e é fundamental que tenhamos e que seja preservado - um SNS robusto, como um serviço público, sobretudo para a população mais necessitada. Depois, a maior diferenciação na oferta em saúde, depende muito do SNS. Repare no caso dos transplantes, por exemplo. É um exemplo do que é a diferenciação máxima na área da saúde. O SNS é fundamental, é a base. O problema do SNS é focar-se mais na doença e menos na saúde? Sim, é uma questão pertinente. Prevenção é o mais importante. Os programas de prevenção aos mais diversos níveis devem obrigatoriamente envolver a literacia em saúde. É fundamental que as pessoas saibam quais são os estilos de vida e as formas de estar que são fundamentais para prevenir doenças. Os chamados estilos de vida saudáveis, a atividade física, a nutrição equilibrada, o controle do peso, o combate à obesidade, o tabagismo, o olhar particular para a excessiva ingestão de bebidas alcoólicas, a qualidade do sono, a prevenção de doenças infecciosas, a vacinação. Há uma série de atos e variáveis que são fundamentais para prevenir a doença e promover a saúde. Eu julgo que uma política de saúde deve ser baseada em dois ou três aspetos fundamentais: prevenção, acessibilidade, literacia, que é fundamental, dados e informação. Uma população mais informada será uma população que terá um olhar muito mais preventivo sobre a doença e, portanto, mais promotora da saúde. Isso juntamente com a acessibilidade, porque é verdade que temos um país com uma acessibilidade difícil no âmbito da União Europeia. E isto tem muito a ver com algumas dificuldades que o SNS enfrenta neste momento. Depois, os dados, ter dados com evidência científica. Só assim conseguimos fazer ver aos decisões políticos o que devem ser as políticas ou os focos, as prioridades e as estratégias políticas para promover a saúde e prevenir a doença. Mas é uma evidência que o SNS tem apostado mais em combater a doença e menos em apostar na saúde... É. Tem apostado menos na prevenção. Isso significaria uma poupança para o Sistema de Saúde? Claro que sim. Repare, por exemplo, estamos há mais de dois anos a discutir como é que se devem fazer os rastreios de cancro do pulmão em Portugal. Já há três anos que houve a Diretiva Europeia para incluir o cancro de pulmão nos registos de rastreio e ainda não temos em ação nenhum programa de rastreio do cancro do pulmão. Perde-se tempo e não se promove a saúde. Sei que há investimentos que têm que ser feitos para haver essas medidas preventivas, mas é, de fato, uma questão de organiza-ção, de planeamento, de gerir melhor a Saúde em Portugal. Há, de facto, dificuldades no SNS alguma redução da capacidade de resposta do SNS em algumas áreas do país e especialidades. Isso é notório. O SNS, nomeadamente na área médica, tem diminuído significativamente a sua atratividade. Hoje os médicos optam por não escolher uma especialidade, ou fazem uma especialidade e optam por não entrar nos regimes contratuais públicos nos nossos hospitais e nossas unidades de saúde familiares. Porquê? Porque preferem um modelo de prestação de serviços, os chamados tarefeiros, que lhes permite gerir a vida melhor. Não querem contratos fechados de 40 horas, com 18 de urgência. Este é um grande problema. A sustentabilidade está também na gestão dos recursos humanos? Sim. É um dos problemas do SNS, com repercussões nos cuidados. Há pouco tempo viu-se que havia quatro mil e tal médicos, portanto, entre 10 a 20% dos médicos ativos, que estão com este perfil de prestação de serviços. O Estado apercebeu-se que está um pouco na mão destes médicos, nomeadamente nas prestações de serviços de urgência. E esse é um aspeto que pode ter maior impacto, porque as urgências dependem muito destes prestadores de serviço. Aproveito para elogiar os mecanismos que foram introduzidos no acesso às urgências, através do contacto prévio da população com linhas telefónicas, que penso que são muito positivos. É possível uma orientação, como acontece fora de Portugal, em países onde a saúde funcionará melhor. A orientação, para o serviço de urgência, para autocuidados, para marcação ou agendamento nos cuidados de saúde familiares, pode resolver um problema de sobrecarga de recursos e pressão sobre as Urgências. Temos uma cultura muito grande em Portugal de recurso à Urgência por tudo. Isto tem de ser dito. Somos o país da OCDE, cuja população mais recorre à Urgência. De longe. Isto deve-se a quê? Ao facto de as pessoas sentirem que não têm grande resposta a montante. É fundamental criar condições nomeadamente nos cuidados de saúde primários e estas linhas podem ser uma ajuda. Depois, o serviço de Urgência deve ser um serviço para onde haja uma referenciação. Tem que ter sempre a porta aberta, mas deve funcionar maioritaria e desejavelmente com base na referenciação. Outra coisa positiva são os centros de atendimento clínicos. Temos alguns na região Centro, para os quais os serviços de Urgência po-dem drenar doentes menos graves, os chamados verdes e azuis. Esse é também um caminho de sustentabilidade. Este é um dos grandes problemas, não apenas os atrasos no atendimento em Portugal, mas a grande concentração dos cuidados na Urgência, o que também está na origem do afastamento dos hospitais públicos dos profissionais, no caso dos médicos. Este é um enorme fator de desmotivação e algo que diminui muito a atração, nomeadamente dos grandes hospitais. É lá que temos vagas por preencher. Também temos problemas na periferia, mas o grande problema é Lisboa, com grandes hospitais com urgências terríveis, completamente esmagadoras, das quais os profissionais fogem. A oferta privada é brutal e as pessoas saem das especialidades e não estão sequer a pensar em entrar num hospital público. Este é, para mim, o fator de menor atração.No momento em que se conseguir fazer esta flexibilidade contratual, seguramente vamos atrair mais gente. No que diz respeito ao doente, fala-se na criação de um gestor individual do cidadão/doente. Pode ser o caminho para melhorar a resposta e cuidados? Claro que sim. Isso é algo que vai exigir um nível de organização diferente do que hoje temos, mas acho que é com esse modelo de proximidade e personalização que vamos ter que caminhar. A par disso, é muito importante o processo clínico eletrónico facilitado. O doente deve ser o dono do seu processo. Hoje os processos perdem-se nos hospitais e unidades de saúde e não há cruzamento de dados. O doente está de férias no Algarve e vai a uma urgência, quem o atender deve ter o histórico daquele doente, que pode não estar com capacidade para debitar a sua história clínica. Neste momento, isso é muito difícil de acontecer. O ideal seria que isto pudesse ser olhado em termos de mobilidade no espaço europeu. As pessoas mobilizam-se muito em trabalho, em estágios, férias, visitas familiares. A mobilidade é enorme. Era fundamental que este modelo pudesse funcionar, nomeadamente no espaço europeu. O SNS é apontado como um exemplo em termos internacionais, mas haverá outros exemplos, a nível europeu e mundial de outros sistemas nos quais Portugal se poderá inspirar. Onde estão, na sua perspetiva, esses modelos? Há modelos diferentes de país para país. Apesar de estarmos na União Europeia, temos modelos muito diferentes. Na área respiratória, curiosamente - e eu trabalhei bastante com a OMS Europa, nomeadamente nas minhas funções na Sociedade Europeia de Pneumologia - e recentemente a OMS divulgou um documento sobre a saúde respiratória nos países na Europa de 52 dos países na Europa e são salientados três países como bons modelos de promoção de estratégias na área da saúde respiratória, entre eles Portugal, Finlândia e um país leste. Nós começamos por desenvolver um programa nacional de doenças respiratórias na Direção Geral da Saúde que, de alguma maneira, foi muito baseado nos cuidados de saúde primários, onde as coisas devem começar, e com objetivos bem pragmáticos e, depois, com incentivos pelo cumprimento de objetivos. Isso levou , na área da asma e da DPOC, da saúde respiratória em geral, das doenças obstrutivas das vias aéreas , a um grande aumento do diagnóstico e a muito menor - porque era outro dos objetivos - encaminhamento para os hospitais, internamentos e recurso à urgência. Foi apresentado como um bom exemplo, porque é. Agora, isto deve ser replicado noutras áreas e não apenas na área respiratória. Bons exemplos internacionais na área da saúde estão muito situados no Norte da Europa, como é o caso da Finlândia, mas também a Holanda, a Dinamarca... São países que têm bons modelos de gestão e sistemas de saúde que funcionam muito bem. Mas têmnos também muito baseados na literacia, não obrigatoriamente no acesso imediato ou numa dependência muito grande do sistema, dos serviços de urgência, como acontece aqui. Falar em sustentabilidade em saúde é também falar em prevenção e em questões ambientais? Sim, há aqui uma palavra que para mim é muito importante: o risco. Avaliar o risco e prevenir, o que tem a ver com muitas coisas. Não é só com alterações climáticas, mas com a saúde mental, por exemplo. E prevenir, portanto, as consequências, do que hoje nos afeta globalmente. Mas não posso deixar de dizer que a OMS publicou uma lista das 10 principais ameaças à saúde global e a primeira é poluição atmosférica e alterações climáticas. Só a seguir é que vêm as doenças não transmissíveis, cardio- vasculares, respiratórias A população não tem essa noção. Os impactos socioeconómicos das alterações climáticas são brutais, na produção alimentar, na necessidade de migrações, na pobreza. E, portanto, tudo isso tem a ver com a saúde e a doença, mais concretamente. Daí a importância de um Observatório de Saúde Global. Sim, é por tudo isso que o observatório faz sentido. Estamos a ter o primeiro foco na diplomacia e saúde. É muito importante que, promovendo a diplomacia em saúde, se olhe para todos estes fatores que são indutores da doença e que olhemos para eles na perspetiva preventiva e sobretudo do risco que existe. Nós temos um risco de ter uma outra pandemia, como é evidente, de mais acontecimentos extremos a breve prazo, como temperaturas extremas, incêndios de inundações. Temos risco aos mais diversos níveis, até cibernéticos. O risco é algo que devemos identificar e prevenir. E isto só melhora com diálogo e cooperação. Aliás, o Global Prepearness Monitoring Board, que é uma iniciativa global que inclui diversos países, preci-samente na perspetiva de estudo ou prevenção de uma futura pandemia, emitiu um documento muito interessante em que diz que há três coisas que são fundamentais: confiança, equidade e colaboração. Colaboração é fundamental, assim como a comunicação. O individualismo é indesejável neste tipo de estratégia, o individualismo é indutor de dificuldade em perceber a realidade e até de negação. A negação, a má comunicação, a desinformação, a má informação das pessoas é um problema. As Nações Unidas publicaram um relatório sobre o risco global, em 2024, e colocam a desinformação e a má informação à cabeça dos fatores de risco para os problemas globais. Hoje a informação circula muito rápido. E a informação má circula ainda mais rápido. Por um lado e mina a confiança, sobretudo a confiança na ciência e na evidência. Minar a confiança na ciência e na evidência é também destruir a confiança nos cientistas, na evidência científica, que é fundamental para nos conduzir às melhores estratégias para resolver os problemas ou para mitigar os problemas de saúde. Carlos Robalo Cordeiro lidera desde o ano passado o Observatório Nacional de Saúde Global da Universidade de Coimbra Estamos claramente aqui com um desenho que vai determinar um custo acrescido e crescente para a saúde nos próximos tempos É muito importante, porque a saúde é um bem precioso, que tenhamos um SNS, que é a base da saúde em Portugal. Dependem dele muitas pessoas e muitas vidas Carlos Robalo Cordeiro Diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra É muito importante o processo clínico eletrónico. O doente deve ser o dono do seu processo. Hoje os processos perdem-se nos hospitais e unidades de saúde e não há cruzamento de dados Prevenção é o mais importante. Os programas de prevenção aos mais diversos níveis devem obrigatoriamente envolver a literacia em saúde OMS publicou uma lista das 10 principais ameaças à saúde global e a primeira é poluição atmosférica e alterações climáticas. Só a seguir é que vêm as doenças não transmissíveis As Nações Unidas publicaram um relatório sobre o risco global e colocam a desinformação e a má informação à cabeça dos fatores de risco para os problemas globais Carlos Robalo Cordeiro é desde o ano passado o coordenador do Observatório Nacional de Saúde Global, promovido pela Universidade de Coimbra