PONTO FINAL - O "ENORME PROBLEMA
2026-05-08 21:06:05

Já vamos em Maio e cerca de três meses após o início das tempestades que assolaram o nosso país, cerca de 20 mil clientes continuam sem serviços fixos de comunicações. Depois do vento e das cheias, temem-se agora os incêndios, com quase tudo por fazer no que toca à gestão florestal. A lenha tombada continua na floresta e o calor está à porta, trazendo consigo a designada “época de incêndios” como se de um decreto se tratasse, ou uma inevitabilidade fosse. Várias freguesias continuam com limitações no acesso a redes móveis, uma situação que não depende directamente dos municípios, a quem o governo central passou “a pasta”, nem que seja para os culpar, mais tarde, de pouco fazerem para resolver o problema. O próximo Verão promete ser bem mais complicado devido ao combustível imenso que não foi retirado, muito dele a obstruir caminhos usados pelos bombeiros para chegar a pontos estratégicos na floresta. O ministro da Economia e da Coesão Territorial já reconheceu as fragilidades de um país atolado em burocracia que não facilita nem agiliza esse trabalho. Chamou-lhe “um enorme problema”, confiando nos contratos que o ministério da Agricultura está a fazer com OS Municípios para que sejam estes a liderar o processo, com a cobertura do PTRR Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência). Sendo importante ouvir autarquias, comunidades intermunicipais e instituições nacionais e regionais em redor do PTRR mais importante se torna disponibilizar os recursos financeiros necessários à sua execução por parte dos municípios. Os contratos necessitam de concursos e é ai que se atrasam os procedimentos. Só que a natureza não espera e, cada vez mais, estes ciclos são mais apertados, há que estar preparado. A pensar nisso, esta sexta-feira, a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo promove uma conferência online dedicada à antecipação e resposta do Serviço Nacional de Saúde a fenómenos climáticos extremos. Se é impossível evitar as catástrofes, enquanto fenómenos que não controlamos. há que treinar procedimentos preparando as populações e as instituições para eventos cada vez mais frequentes e imprevisíveis. Uma iniciativa que se saúda e que reforça a necessidade de nos prepararmos para situações de crise, unindo as áreas da saúde, protecção civil e ordens profissionais. Numa altura em que os apoios para os incêndios de Agosto de 2025 na Região Centro estiveram em fase de candidatura até 29 de Abril, e em que há ainda prejuízos dos fogos de 2024 que estão por pagar, a pergunta terá sempre de ser feita: estará o país preparado para outra catástrofe, se ainda não conseguimos disfarçar as marcas deixadas pelas anteriores, ventos, incêndios e cheias dos últimos meses ou anos? João Paulo Narciso paulo.narciso@ João Paulo Narciso