TURISMO FLUVIAL DO DOURO ENFRENTA LIMITE ESTRUTURAL
2026-05-08 08:23:08

Turismo fluvial do Douro cresce, mas operadores alertam para limites nas infraestruturas e pedem plano nacional. O turismo fluvial do Douro registou 1,38 milhões de passageiros em 2025, mas os operadores alertam que o crescimento do setor pode ficar condicionado pela capacidade das infraestruturas. A Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro defende a criação de um Plano Estratégico Nacional para o Turismo Fluvial no Douro, com horizonte até 2030, para enquadrar o crescimento da atividade, assegurar maior previsibilidade aos operadores e responder aos limites da via navegável. De acordo com dados citados pela associação, o Douro somou 1.388.646 passageiros em 2025, num crescimento pelo oitavo ano consecutivo. A AAMTD estima que o setor represente um impacto económico anual entre 350 e 450 milhões de euros e sustente diretamente entre 6.000 e 8.000 postos de trabalho. A associação alerta, contudo, para o risco de estrangulamento das infraestruturas críticas. Em 2025 foram registadas 16.974 eclusagens e mais de 31.500 escalas, num contexto em que os operadores apontam episódios de avaria nas eclusas de Crestuma-Lever, Bagaúste e Carrapatelo. De acordo com Mário Ferreira, presidente da Direção da Associação das Atividades Marítimo-Turísticas do Douro, o setor atingiu uma dimensão que exige outro nível de planeamento. “O Douro não é apenas um rio. É uma via navegável de classe mundial que gera 400 milhões de euros por ano e emprega diretamente oito mil pessoas”, afirma. A AAMTD, que representa operadores como Douro Azul, CroisiEurope, Tomaz do Douro, Rota Ouro do Douro e Viking Cruises, defende que Portugal deve afirmar o Douro como destino de referência no turismo fluvial europeu, em concorrência com rios como o Reno e o Danúbio. A associação considera que esse crescimento deve ser acompanhado por investimento público, critérios de sustentabilidade ambiental, planeamento territorial e reforço da qualidade da experiência turística.