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PROJETOS EXPRESSO SEGURANÇA - DEFESA O PRÓXIMO GRANDE SALTO ECONÓMICO?

Expresso

2026-05-08 08:11:32

Inovação Indústria de segurança pode ser um dos motores de crescimento económico em Portugal. Visão estratégica, cooperação, integração entre Estado, academia e empresas, e uma aposta consistente na cadeia de valor são vitais | 66 nvestir em Defesa é um ato de lucidez ao serviço da paz, das pessoas e da economia.” A ideia foi defendida por Nuno Melo, ministro da Defesa Nacional, ao sublinhar o maior investimento de sempre neste sector: 2% do PIB, perto de EUR6 mil milhões. Um esforço que se justifica não apenas pelos deveres de soberania do país, enquanto fronteira atlântica da NATO, mas também pela necessidade de proteger um vasto espaço marítimo. “A modernização das Forças Armadas é essencial”, reiterou o governante, na sua intervenção no Fórum Económico Famalicão Made IN, subordinado ao tema “A melhor defesa é a inovação”. O encontro reuniu líderes empresariais e decisores públicos que convergiram num diagnóstico comum: Portugal dispõe de capacidade tecnológica, engenharia e inovação, mas enfrenta dificuldades na posição que ocupa na cadeia de valor. “A indústria da Defesa portuguesa é muito relevante e tem qualidade, mas falta-lhe escala”, afirmou António Baptista, diretor-geral de Armamento e Património da Defesa Nacional. Uma limitação a que se junta a dificuldade de integração em grandes sistemas e o acesso a funções de integrador ou fornecedor estratégico, em vez de um papel predominantemente subcontratado. Para Miguel Braga, diretor da ârea de Aeronáutica e Defesa do CEIIA, “não faz sentido capacitar empresas nacionais e depois comprar ao exterior”. A posição é partilhada por Fernando Cunha, CEO da Beyond Composite: “o investimento deve ser avaliado pelo grau de dependência tecnológica que cria a longo prazo.” Nesse sentido, Portugal “tem de escolher onde quer competir” e preparar antecipadamente os próximos ciclos de desenvolvimento. A discussão, sublinha, “deve ser mais estratégica e menos pontual”, avaliando se a indústria nacional está preparada para integrar cadeias de valor globais, num contexto em que não é possível investir em todas as áreas. Da inovação ao poder económico “o futuro pertence a quem consegue transformar inovação em poder económico”, defendeu Mário Passos, presidente da Câmara Municipal de Famalicão, um concelho com forte tradição na indústria têxtil que agora se dedica também às especificações militares. Má- rio Passos sublinhou ainda que a inovação aplicada é determinante para “evoluir de uma economia que produz para uma que cria e lidera”. “A Defesa passou a ser uma prioridade política, depois de décadas de subinvestimento que importa agora corrigir”, reforçou Ricardo Pinheiro Alves, presidente do IDD Portugal Defence. Na intervenção intitulada “Europa 2030: Defesa, Inovação e Indústria para uma soberania Económica Competitiva”, Paulo Portas, ex-ministro da Defesa, defendeu que “durante décadas a Europa acreditou numa ideia errada: não há paz sem Defesa”. Num equilíbrio global “dominado por um triângulo militar entre Estados Unidos, China e Rússia, desfavorável à Europa”, Paulo Portas considera “crucial” a unidade europeia, alertando que “o nacionalismo conduz à irrelevância internacional”. Apontando a ciberdefesa como quarto ramo das Forças Armadas, com impacto direto nas empresas, e defendendo que a Europa “não pode perder a liderança na inteligência artificial”, deixou, ainda assim, um aviso: devem excluir-se da IA as “decisões militares autónomas. A inação representa hoje o maior perigo”, concluiu. FRASES DE FAMALICâO “Portugal tem talento e tecnologia, mas não pode inovar sozinho. A integração em redes europeias é essencial para criar produtos de alto valor acrescentado” Pedro Petiz Diretor de Desenvolvimento Estratégico da Tekever “o investimento em Defesa deve ser avaliado pelo grau de dependência tecnológica que cria a longo prazo. Portugal tem de escolher onde quer competir” Fernando Cunha CEO da Beyond Composite “Não existe paz sem Defesa. ê hoje um pilar estrutural da prosperidade económica, da soberania, e a própria economia europeia depende de segurança credível” Paulo Portas Ex-ministro da Defesa Expresso 7 Famalicão Chra Kunic FóRUM ECONOMIA “A melhor defesa é a inovação”, foi este o mote do Fórum Económico Famalicão Made IN 2026, organizado pela autarquia local e que contou com o Expresso como media partner. Este projeto é apoiado por patrocinadores, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver código de conduta online), sem interferência externa. INVESTIMENTO E INOVAçâO 450 é o número de empresas do sector da Defesa em Portugal, são maioritariamente PME 5,8 mil milhões de euros (2% do PIB) é o valor investido na Defesa por Portugal em 2025, apoiado pelo programa europeu SAFE 17 projetos europeus de Defesa contam com participação portuguesa, incluindo drones, sistemas de combate e aeroespaciais Atual e ex-ministro da Defesa, Nuno Melo e Paulo Portas, sublinharam em Famalicão a crescente importância do sector ANA MARIA FONSECA