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ÍNDEX AVALIA O PESO DA TECNOLOGIA NA DEFINIÇÃO DO PODER

Jornal de Notícias

2026-05-07 21:09:10

Bienal de Artes e Tecnologia regressa a Braga com espetáculos, exposições e conferências entre hoje e 17 de maio cultura@jn.pt FESTIVAL “A tecnologia é hoje o principal fator na redefinição do que é o poder-nas vertentes da soberania, autoridade ou influência económica”. Quem o diz é Luís Fernandes, diretor da Bienal de Arte e Tecnologia , index, que se realiza em vários locais de Braga entre hojee o dia 17. Sob o tema “Poder”, o festival desdobra-se em três áreas: espetáculos, exposições e conferências, atraindo figuras como Hito Steyerl, Forensis & Bill Kouligas, Raven Chacon, McKenzie Wark, Yves Citton ou José Gil. Ligando-se à memória das edições passadas, onde já se problematizava a rela-ção entre tecnologia, política e artes , em 2022, o signo foi o da mineração do lítio na região de Montalegre e, em 2024, elegeu-se a “coexistência” para evocar OS 50 anos do 25 de Abril-, o index 2026 quer refletir sobre os “desenvolvimentos geopolíticos” que se verificaram nos últimos anos, diz o diretor. “Vamos dar atenção não só ao papel crescente das novas tecnologias na produção artística, sobretudo o da inteligência artificial, que está a redefinir as formas do trabalho, mas também ao modo como as empresas de big tech se estão a substituir aos governos ônos lugares de poder e decisão”, aponta Fernandes. Para as diferentes abordagens ao tema, convidaram--se proeminentes artistas e pensadores, num programa que abre já hoje, ôno Theatro Circo, com a performance “The drum and thebird”, de Forensis & Bill Kouligas. Trata-se de um “exercício multissensorial que desdobra a investigação levada a cabo pelo coletivo Forensic Architecture” a propósito dos crimes de guerra cometidos durante a colonização alemã da Namíbia. Ainda ôno campo da performance, o diretor do index aponta ao encontro entre os noruegueses Supersilent e o investigador sonoro Lawrence Abu Hamdan, vencedor do Turner Prize em 2019. Encomenda do index e do festi-val neerlandês Rewire, resultou numa peça sobre os ataques a jornalistas pelos militares israelitas na Palestina. Espécie de “Peeping tom” para repórteres, o trabalho apresenta os últimos frames captados por fotógrafos antes de morrerem ou ficarem sem a máquina. Passa amanhã ôno Theatro Circo. IA, DRONES, VIGILàNCIA No ciclo de exposições, que se alarga ao Gnration, Forum Arte Braga, Muzeu e Mosteiro de Tibães, Luís Fernandes destaca a artista e investigadora alemã Hito Steyerl, que apresenta uma peça sobre as ameaças e possibilidades da IA. E Raven Chacon, compositor e artista plástico da Nação Navajo, ônos EUA, vencedor do Pulitzer Prize 2022 para música, traz na mala “Storm patterns”, trabalho sobre a "vigilância POr tecnologia de drones em populações nativas dos EUA”. Nas conferências, o foco do diretor vai para a comunicação da australiana McKenzie Wark, autora de “A hacker manifesto”, que avalia o impacto da tecnologia na economia e na liberdade individual. E para o texto encomendado ao filósofo José Gil, “Poder mundial, inteligência artificial, subjetividade”, que será revelado ôno novo Muzeu no dia 16.0 “The drum and the bird”, de Forensis & Bill Kouligas: hoje no Theatro Circo Ricardo Jorge Fonseca